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As crianças que terão de ser separadas após mãe matar pai

Após uma batalha legal de quase dois anos, os pais de um inglês assassinado pela mulher chinesa chegaram a um acordo com a família da ex-nora em que levarão a neta para casa, mas terão de deixar o neto na China.

30 dez 2018
12h06
atualizado às 12h59
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Os pais de um homem inglês assassinado por sua mulher chinesa concordaram com um acordo de custódia para levar sua neta para o Reino Unido. Isso significa que eles devem deixar o irmão da menina com seus avós maternos em uma cidade remota no noroeste da China.

Michael Simpson foi morto pela mulher, Weiwei Fu, com quem tinha dois filhos
Michael Simpson foi morto pela mulher, Weiwei Fu, com quem tinha dois filhos
Foto: Arquivo Pessoal / BBC News Brasil

Ian e Linda Simpson, de Suffolk, na Inglaterra, queriam que Jack, de 8 anos, e Alice, de 6, fossem morar com eles depois que seu filho Michael, de 34 anos, foi morto em 2017.

O casal, que está na China, disse que os juízes estavam "pressionando muito" para que aceitassem esta "concessão". Com isso, se encerra uma batalha legal de quase dois anos.

O casal britânico também concordou em pagar uma compensação financeira de cerca de 10 mil libras (R$ 49 mil) para a família da assassina de seu filho.

Ian aceitou um acordo que prevê a permanência de seu neto Jack na China
Ian aceitou um acordo que prevê a permanência de seu neto Jack na China
Foto: Arquivo Pessoal / BBC News Brasil

'Não nos deixavam falar com as crianças'

O casal disse que não queriam "separar as crianças", mas, agora, esperam voltar para casa com Alice no Ano Novo.

Na semana passada, Simpson disse à BBC que os juízes na China não lhes deram "muitas opções". "A família nos deixou ver as crianças uma vez em 21 meses", disse ele.

"Não podemos ligar para eles, enviar presentes, mandar cartões... Eles não falam com a gente."

Michael estava em meio a um divórcio 'bastante difícil' quando foi morto a facadas
Michael estava em meio a um divórcio 'bastante difícil' quando foi morto a facadas
Foto: Arquivo Pessoal / BBC News Brasil

Weiwei Fu está cumprindo prisão perpétua pelo assassinato de Michael em seu apartamento em Xangai em março de 2017. Ela e Michael se conheceram e se casaram depois que ele se mudou para a China a trabalho como executivo da rede de varejo Next.

Um inquérito na Inglaterra apurou que ele foi esfaqueado até a morte durante uma "discussão acalorada" no momento em que passava por um divórcio "bastante difícil". Outra mulher com quem eles estavam no apartamento também foi ferida.

Michael e Weiwei estavam vivendo em casas separadas havia um ano e, segundo a família de Michael, as crianças passavam mais tempo com ele.

Desde o assassinato, Jack e Alice têm vivido com seus avós chineses em Nanzhang, dividindo um quarto com seu primo, sem saber o que aconteceu com sua mãe ou pai.

Simpson disse que os juízes na China não lhes deram 'muitas opções'
Simpson disse que os juízes na China não lhes deram 'muitas opções'
Foto: BBC News Brasil

Batalha legal

Na batalha legal, Ian e Linda Simpson esperavam chegar a um acordo com a família chinesa após o julgamento de Weiwei. "Perder Michael deixou um buraco na nossa família", disse Ian em julho deste ano.

"Se tirarem as crianças agora de nós também, é como se destruíssem a família inteira."

Eles ofereceram dinheiro e um "perdão oficial" aos parentes que estão cuidando das crianças. O "perdão" reduziria a condenação de Weiwei - tudo em troca da guarda de Jack e Alice. Mas não houve acordo na ocasião.

Os avós chegaram a acusar o irmão de Weiwei de extorsão. Eles disseram ter se encontrado com um advogado que pediu o pagamento de mais de 60 mil libras (quase R$ 300 mil) pela guarda das crianças.

"Não posso acreditar que eles deixariam a filha deles ficar presa por tanto tempo só por isso", disse Ian na ocasião.

A família chinesa negou ter usando as crianças para conseguir dinheiro dos outros avós.

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