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Após renúncia, Evo Morales anuncia saída da Bolívia rumo a asilo político no México

'Dói-me abandonar o país por razões políticas, mas estarei sempre por perto', escreveu no Twitter o líder boliviano.

12 nov 2019
00h06
atualizado às 08h04
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Um dia após renunciar à presidência da Bolívia, Evo Morales confirmou nesta segunda-feira que está deixando seu país rumo ao México, que lhe concedeu asilo político.

Morales anunciou sua renúncia em um pronunciamento na televisão no domingo (10)
Morales anunciou sua renúncia em um pronunciamento na televisão no domingo (10)
Foto: AFP / BBC News Brasil

Algumas horas antes do anúncio, o governo do mexicano Andrés Manuel López Obrador havia anunciado a concessão do asilo. Morales deve viajar em um avião da Força Aérea do México, fazendo escala em Lima, o que foi facilitado por autoridades peruanas.

"Irmãs e irmãos, parto rumo ao México, grato pela abertura do governo deste povo irmão que nos brindou com um asilo para proteger nossa vida. Dói-me abandonar o país por razões políticas, mas estarei sempre por perto. Logo voltarei com mais força e energia", anunciou Morales, que governou a Bolívia desde 2006, na noite desta segunda-feira pelo Twitter.

Mais cedo, o chanceler mexicano, Marcelo Ebrad, justificou a concessão do asilo mencionando "razões humanitárias e em virtude da situação de urgência que a Bolívia enfrenta", onda a "vida e integridade" de Morales correm risco.

O boliviano renunciou à presidência logo após as Forças Armadas "sugerirem" que ele deixasse o cargo para pacificar o país, uma jogada dos militares que seus correligionários e apoiadores classificam como um "golpe de estado".

Na carta em que formalmente, Morales insistiu em denunciar que foi vítima de um golpe e destacou que o mote "é resistir". "Que fique para a história nosso compromisso em defender nossas conquistas alcançadas a sangue e fogo", declarou.

Além de Evo, deixaram os cargos o vice-presidente, Álvaro Garcia; a presidente do Senado, Adriana Salvatierra; o vice-presidente do Senado, Rubén Medinacelli; e o presidente da Câmara dos Deputados, Víctor Borda. Com as renúncias, ficaram vagos todos os cargos que estão na linha de sucessão à Presidência — o que traz uma série de para o comando do país, desde a convocação do Congresso para a escolha de novos presidentes das casas legislativas a novas eleições gerais.

Há três semanas, a Bolívia se transformou em um grande campo de batalha entre apoiadores e opositores de Morales
Há três semanas, a Bolívia se transformou em um grande campo de batalha entre apoiadores e opositores de Morales
Foto: Reuters / BBC News Brasil

As renúncias ocorreram em meio a intensos protestos populares após a eleição presidencial, em 20 de outubro, que apontaram a vitória de Evo em primeiro turno — o que o alçaria a um quarto mandato. O resultado foi acusado de fraude e passou por auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA), que recomendou a anulação da votação e a marcação de um novo pleito.

A oposição a Morales apostou desde o primeiro momento na mobilização nas ruas para pressionar o líder. Com greves e paralisações em todo o país, a Bolívia se transformou em um grande campo de batalha entre apoiadores de Morales e seus opositores. Centenas de pessoas ficaram feridas — e três mortes teriam sido registradas, o que pode ser considerado um número baixo, dada a intensidade da violência dos embates e ao fato de que os mineradores usam dinamite nos protestos.

Em cidades como El Alto e La Paz, houve relatos ainda de destruição e saques, além de marchas e barricadas com manifestantes gritando "guerra civil".

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