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António Costa diz que big techs não podem regular IA e repudia ataques ao TPI

Líder europeu defendeu ser necessária uma tecnologia que 'sirva à humanidade'

24 set 2026 - 15h08
(atualizado às 15h16)
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Resumo
Na Assembleia Geral da ONU, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu que a inteligência artificial deve ter regulação global liderada pela ONU, e não por big techs. Costa reforçou a urgência do multilateralismo contra crises globais e classificou como inaceitáveis os ataques ao Tribunal Penal Internacional, visado por sanções dos EUA. Por fim, condenou as violações do direito internacional pela Rússia na Ucrânia, exigindo o fim do conflito e a busca por uma paz duradoura.

Em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou nesta quinta-feira (24) que as big techs não podem regular a inteligência artificial e definiu as ameaças ao Tribunal Penal Internacional (TPI) como "inaceitáveis".

Líder europeu defendeu ser necessária uma tecnologia que 'sirva à humanidade'
Líder europeu defendeu ser necessária uma tecnologia que 'sirva à humanidade'
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O diplomata português defendeu ser necessária uma IA que "sirva à humanidade, e não que a controle" e alertou que a ONU deve "desempenhar um papel central na definição de normas globais" sobre o tema.

"Devemos manter sempre o controle da situação, estabelecendo um ritmo de desenvolvimento seguro e estável. O setor da IA não pode ser regulado por apenas algumas grandes empresas globais. No que diz respeito à inteligência artificial e à sua governança, precisamos de uma arquitetura responsável, transparente e regulamentada", afirmou.

Costa acrescentou que o "multilateralismo não é um ideal do passado, mas a única forma realista de abordar os problemas atuais", pois "nenhum país sozinho, por mais poderoso que seja, consegue construir uma paz duradoura".

"Precisamos de um multilateralismo capaz de enfrentar os desafios fundamentais do nosso tempo: a paz, a emergência climática, a insegurança econômica e a inteligência artificial", declarou o líder europeu durante o discurso.

Em outro recorte de sua declaração, o português ressaltou que "não pode haver dois pesos e duas medidas quando se trata de direito internacional".

"Estamos testemunhando violações deliberadas do direito internacional. Isso significa que precisamos proteger as instituições que dão pleno significado a esses princípios, em particular o Tribunal Internacional de Justiça e o Tribunal Penal Internacional. As ameaças e os ataques contra o TPI, seus funcionários e sua equipe são inaceitáveis: a responsabilização não pode depender de considerações de conveniência política", afirmou.

Recentemente, os Estados Unidos impuseram sanções contra a juíza japonesa Tomoko Akane, presidente do TPI, em mais uma escalada da ofensiva do governo do presidente Donald Trump contra a instituição.

Por fim, Costa declarou que os ataques da Rússia contra a Ucrânia também "ameaçam a segurança das populações civis além das fronteiras" de Kiev e alertou que o conflito no Leste Europeu "deve terminar".

"É inaceitável que, nos últimos 12 meses, a Rússia tenha ameaçado repetidamente a segurança dos Estados-membros da UE. A Rússia deve pôr fim a essa perigosa escalada. A comunidade internacional deve mobilizar todos os instrumentos à sua disposição para acabar com essa guerra e criar as condições necessárias para negociações visando uma paz global, justa e duradoura", concluiu. .

Ansa - Brasil
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