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América Latina

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Vice assume presidência do Paraguai após Santiago Peña sofrer impeachment e ser detido

O vice-presidente do Paraguai, Pedro Alliana, assumiu nesta sexta-feira (6) como novo chefe de Estado do país, depois que Santiago Peña sofreu impeachment e foi detido em meio a uma crise bancária que afeta metade da população. A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai (BCP) interveio no Ueno Bank por problemas de solvência e cerca de 3 milhões de clientes ficaram sem acesso aos seus depósitos, gerando protestos nas ruas.

7 nov 2026 - 04h54
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Resumo
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi destituído pelo Senado após um rápido processo de impeachment e acabou detido sob acusações de corrupção ligadas a um esquema bancário. Sem imunidade parlamentar, ele responderá por tráfico de influência e gestão em proveito próprio. Seu vice, Pedro Alliana, assumiu o cargo e prometeu indenizar os correntistas lesados pela crise financeira decorrente do caso, que já provocou a prisão de executivos e impactos até no exterior.

Peña, do Partido Colorado, foi detido em sua residência, em Assunção, menos de uma hora depois de ser destituído em um julgamento político acelerado no Senado.

"Ele permanecerá na condição de detido em seu domicílio", informou a promotora Silvia González. Vizinhos do presidente deposto se manifestavam pedindo que ele cumpra as primeiras horas de reclusão em uma penitenciária comum, destacou a imprensa local.

Peña será conduzido na manhã deste sábado à Promotoria, onde será interrogado pelos supostos crimes de violação de confiança, tráfico de influência e gestão em proveito próprio. O ex-chefe de Estado mantinha vínculos empresariais com a instituição bancária e é acusado de favorecê-la por meio de decisões regulatórias e depósitos de recursos públicos, entre eles os do Instituto de Previdência Social (IPS).

'Não vamos deixá-los sozinhos'

Pedro Alliana, 52, que deverá cumprir o mandato até agosto de 2028, determinou "ações imediatas para ressarcir os correntistas", com prioridade para os menos favorecidos. Como novo vice-presidente, foi designado o senador Antonio Barrios.

"Os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil em consequência do colapso financeiro serão integralmente indenizados. Não vamos deixá-los sozinhos", afirmou Alliana, após receber a faixa e o bastão presidenciais.

O Senado destituiu Peña por "mau desempenho de suas funções", por 44 votos favoráveis e uma ausência, de um total de 45. "Viva o Paraguai!", gritaram parlamentares no plenário.

Centenas de pessoas que aguardavam o resultado em frente ao Congresso comemoraram a destituição. "Finalmente, finalmente Santiago Peña foi embora. Justiça foi feita. Agora queremos que ele devolva nosso dinheiro e termine na prisão", disse à AFP a manifestante Jessica Aquino, 32 anos.

Assim como Peña, Alliana chegou ao primeiro plano da política paraguaia com o apoio do ex-presidente Horacio Cartes (2013-2018), líder do Partido Colorado, que governa o país de maneira quase ininterrupta desde o fim do século 19.

Sem imunidade

Peña havia apresentado sua renúncia ontem, mas o Congresso não decidiu se a aceitava ou rejeitava. A renúncia teria permitido que ele mantivesse a imunidade parlamentar, ao se tornar senador vitalício, mas a destituição o privou dessas prerrogativas.

O Banco Central do Paraguai começou na tarde de quinta-feira a devolver os recursos aos correntistas, confirmou à AFP José Maciel, diretor da Unidade Administradora do Fundo de Garantia de Depósitos.

Após a aprovação do início do processo de impeachment, também na quinta, Peña anunciou que compareceria para responder às acusações. Na manhã desta sexta-feira, pediu um novo prazo para preparar sua defesa, mas o pedido foi recusado pelo Senado e o processo começou em seguida.

"Existem violações muito básicas do devido processo legal, entre elas a questão do prazo", declarou no plenário o advogado Ricardo Preda, defensor de Peña.

O deputado Raúl Benítez, um dos responsáveis pela acusação, afirmou que "Peña instalou um esquema de esvaziamento bancário a partir do Poder Executivo" e apontou que a operação começou com a nomeação do ex-executivo do Ueno Bank Carlos Carvallo para o BCP.

Até o futebol e a Argentina

A investigação conduzida pela Justiça paraguaia levou à prisão de oito diretores do banco. Entre quarta e quinta-feira, foram realizadas operações de busca e apreensão simultâneas em diferentes localidades ligadas ao grupo empresarial, entre elas residências particulares do CEO do Ueno, Miguel Vázquez.

A crise também chegou à Argentina, onde cerca de mil funcionários da empresa de tecnologia ITTI, pertencente ao mesmo grupo, foram suspensos por 30 dias, sem remuneração.

A crise afetou até mesmo o esporte. A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) tinha cerca de US$ 13 milhões depositados no banco, disse à AFP uma fonte da entidade que pediu anonimato, embora tenha ressaltado que "isso não afeta em absoluto o funcionamento operacional da Conmebol".

Os paraguaios ainda guardam na memória o ano de 2012, quando o então presidente, Fernando Lugo, foi destituído em um processo de impeachment igualmente rápido, após um massacre que deixou 11 camponeses e 6 policiais mortos a cerca de 250 quilômetros de Assunção.

Com AFP

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