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América Latina

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Peña sofre nova derrota: Senado paraguaio rejeita adiamento e prossegue com impeachment

O Senado paraguaio rejeitou nesta sexta-feira (6) o pedido do presidente Santiago Peña para adiar em 72 horas a apresentação de sua defesa no processo de impeachment aberto contra ele. Em uma demonstração do amplo apoio ao andamento do processo, 39 senadores votaram contra a solicitação, enquanto apenas três se manifestaram a favor, entre eles o presidente do Congresso, Basilio "Bachi" Núñez. Com a decisão, o julgamento político do chefe de Estado prossegue, e Peña foi convocado a comparecer ao Congresso às 12h10 (horário local).

6 nov 2026 - 13h24
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Resumo
O Senado paraguaio rejeitou adiar o impeachment do presidente Santiago Peña, que perdeu o apoio da base e de Horacio Cartes após o colapso do Ueno Bank, banco do qual já foi sócio. A crise congelou depósitos de cerca de três milhões de pessoas, gerou fortes protestos e levou Peña a renunciar. O Congresso, no entanto, priorizou o julgamento político para apurar suposto conflito de interesses e uso da máquina pública em benefício da instituição financeira, acelerando a destituição do líder.

Em pedido encaminhado ao Senado poucas horas antes da abertura da sessão, Peña alegou que o prazo inicialmente concedido, inferior a 12 horas, era insuficiente para analisar as cerca de 300 páginas do processo e preparar sua defesa. "Solicitei uma prorrogação de 72 horas para exercer meu direito de defesa", declarou o presidente, sustentando que o procedimento não respeita as garantias do devido processo legal.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anuncia sua renúncia após o colapso de uma importante instituição financeira digital com a qual manteve vínculos empresariais no passado.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anuncia sua renúncia após o colapso de uma importante instituição financeira digital com a qual manteve vínculos empresariais no passado.
Foto: via REUTERS - SOCIAL MEDIA / RFI

Em mensagem publicada na rede social X, Peña afirmou que pretendia apresentar sua versão dos fatos à população e advertiu que suas revelações poderiam desagradar diversos atores políticos. Ele também disse que não se afastaria de suas responsabilidades em um momento de crise e reafirmou seu compromisso com os paraguaios em meio à controvérsia provocada pelo processo de impeachment.

A decisão do Senado ocorre em meio a uma das maiores crises políticas e financeiras da história recente do Paraguai. O processo de impeachment contra Peña foi deflagrado após o colapso do Ueno Bank, que levou ao congelamento de depósitos de cerca de três milhões de pessoas, quase metade da população do país, provocou protestos em Assunção e pressionou o presidente a anunciar sua renúncia na quinta-feira.

O Congresso suspendeu a análise de sua renúncia para priorizar o julgamento político, numa tentativa de dar uma resposta rápida à crise. Segundo o senador governista Derlis Maidana, a intenção do Parlamento é concluir o processo ainda hoje para "tranquilizar os cidadãos".

O desgaste do presidente se aprofundou depois que ele perdeu o apoio de setores decisivos de sua própria base política. Além da ruptura com lideranças do Partido Colorado, Peña deixou de contar com o respaldo de seu principal padrinho político, o ex-presidente Horacio Cartes. Horas após o anúncio da renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do processo de impeachment, enquanto rejeitou uma iniciativa semelhante contra o vice-presidente Pedro Alliana.

Em mensagem divulgada nas redes sociais, Peña afirmou que decidiu renunciar por considerar prioritária a preservação da estabilidade institucional e pediu desculpas à população. "Quero pedir desculpas ao povo se, em algum momento, falhei", declarou, acrescentando que sua preocupação central são os paraguaios cujas economias ficaram bloqueadas pela crise bancária.

Conflitos de interesse

A acusação contra o presidente está centrada em supostos conflitos de interesse envolvendo sua antiga relação com o sistema financeiro. Antes de chegar ao poder, Peña possuía participação acionária em uma holding que controlava o Ueno Bank, da qual se desfez em 2025. A oposição sustenta que a instituição recebeu tratamento privilegiado por meio de decisões regulatórias e da aplicação de recursos públicos e previdenciários.

A crise veio à tona na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank por insuficiência grave de capital. Além das contas de clientes particulares, foram congelados recursos de órgãos estatais. Em resposta, o governo afastou a direção da autoridade monetária e promulgou uma lei estabelecendo prazo de cinco dias úteis para a devolução da maior parte dos depósitos.

Oposição aponta 'esquema criminoso'

Durante a sessão que formalizou a acusação no Senado, opositores acusaram o presidente de ter utilizado a estrutura do Estado para proteger interesses privados ligados ao banco. "Foi montado um esquema criminoso dedicado a esvaziar uma instituição financeira com a proteção de organismos controlados pelo presidente da República", afirmou o deputado opositor Raúl Benítez ao apresentar a denúncia.

Economista de formação, com passagens pelo Banco Central do Paraguai, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Ministério da Fazenda, Peña foi eleito em 2023 aos 44 anos, tornando-se o mais jovem presidente da história do país. Sua queda representa uma reviravolta dramática para um governo que havia chegado ao poder prometendo estabilidade econômica e continuidade política sob a influência do Partido Colorado.

Nos últimos dias, até mesmo aliados históricos passaram a criticá-lo. O senador colorado Oscar Salomón retirou seu apoio ao presidente e o acusou de colocar interesses financeiros acima dos interesses nacionais. As manifestações de dissidência dentro da própria base governista contribuíram para acelerar o processo que agora ameaça encerrar prematuramente o mandato presidencial, que deveria durar até 2028.

Com AFP

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