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América Latina

Trump rompe tradição de 30 anos e impõe tarifaço de 100% a remédios importados para forçar produção nos EUA

A decisão de Donald Trump de aplicar uma tarifa de 100% sobre medicamentos importados a partir desta quarta-feira (1º) reacende tensões comerciais e ameaça desorganizar cadeias globais de saúde. A medida, que visa forçar a produção local nos EUA, preocupa a Europa e levanta dúvidas no Brasil, onde o impacto direto é limitado, mas os riscos indiretos — como alta de preços e escassez — não estão descartados.

30 set 2025 - 09h09
(atualizado às 10h09)
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A decisão de Donald Trump de aplicar uma tarifa de 100% sobre medicamentos importados a partir desta quarta-feira (1º) reacende tensões comerciais e ameaça desorganizar cadeias globais de saúde. A medida, que visa forçar a produção local nos EUA, preocupa a Europa e levanta dúvidas no Brasil, onde o impacto direto é limitado, mas os riscos indiretos — como alta de preços e escassez — não estão descartados.

O presidente americano Donald Trump anunciou uma tarifa de 100% sobre todo medicamento patenteado importado a partir de 1º de outubro, atingindo em cheio o maior mercado mundial do setor.
O presidente americano Donald Trump anunciou uma tarifa de 100% sobre todo medicamento patenteado importado a partir de 1º de outubro, atingindo em cheio o maior mercado mundial do setor.
Foto: © Julio Cortez / AP / RFI

Com informações de Jérémie Lanche, correspondente da RFI em Genebra, e de Anieshka Koumor, em Paris

Segundo declarações recentes do presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), Nelson Mussolini, à imprensa, o impacto direto sobre o Brasil deve ser limitado, já que o país exporta principalmente medicamentos genéricos para os EUA, e não os de marca ou patenteados que serão afetados pela tarifa.

As bolsas asiáticas foram as mais afetadas pelas novas tarifas, registrando quedas de até 0,9% — a maior baixa do dia. Esta volatilidade está ligada a essa nova onda de aumento de impostos alfandegários. Entre os países mais vulneráveis ao aumento dos impostos estão Singapura e Suíça. O Reino Unido também pode ser impactado, já que exporta grandes volumes de medicamentos para os Estados Unidos. 

Já na Suíça, onde a indústria farmacêutica representa cerca de um terço do crescimento do PIB e emprega 250 mil pessoas direta e indiretamente, o anúncio caiu como uma bomba. O país é responsável por metade das exportações farmacêuticas para os EUA, e gigantes como Roche e Novartis correm para se adaptar.

A Roche anunciou um plano de investimento de US$ 50 bilhões nos Estados Unidos nos próximos cinco anos, com a construção de três novas fábricas e centros de pesquisa em estados como Indiana, Nova Jersey e Califórnia. A empresa suíça afirma que, com esse movimento, pretende atender à demanda norte-americana exclusivamente com produção local.

A Novartis, por sua vez, prometeu US$ 23 bilhões em sete unidades nos EUA, com o mesmo objetivo: evitar as tarifas e garantir acesso ao maior mercado farmacêutico do mundo. Embora os investimentos nos EUA possam blindar essas empresas das tarifas, há receio de que isso leve a um desinvestimento na Europa, especialmente na Suíça. O governo suíço já iniciou uma análise de impacto e negociações diplomáticas para tentar mitigar os efeitos da medida.

Debandada para os EUA?

Outra gigante farmacêutica, a britânica AstraZeneca, anunciou na segunda-feira que pretende solicitar a cotação direta de suas ações em Nova York para atrair mais investidores norte-americanos, em um momento em que o setor investe maciçamente nos Estados Unidos em meio à guerra comercial lançada por Donald Trump. 

Atualmente, os papéis do grupo são negociados em Nova York na forma de certificados de depósito de ações (ADR), títulos que representam ações de empresas estrangeiras no mercado norte-americano, mas que exigem a intermediação de bancos que cobram comissão.

Os Estados Unidos "possuem os maiores e mais líquidos mercados acionários do mundo em termos de capitalização, além do maior número de empresas e investidores inovadores no setor biofarmacêutico", afirmou a AstraZeneca em comunicado. A empresa espera que a cotação direta em Nova York, que será discutida em assembleia geral no dia 3 de novembro, permita "acesso a um volume maior de capitais, incluindo nos Estados Unidos".

Em julho, a AstraZeneca havia anunciado um investimento de US$ 50 bilhões até 2030 nos Estados Unidos, destinado à produção de medicamentos e ao financiamento de programas de pesquisa. O anúncio reacendeu temores, no Reino Unido, de que a empresa possa transferir sua cotação principal para os EUA, ainda mais porque vários grandes laboratórios têm criticado a política britânica de investimentos e de definição de preços de medicamentos.

Na Bolsa de Londres, as ações da AstraZeneca registraram leve alta de 0,15% na segunda-feira. A companhia reforçou, contudo, que continua sendo "uma empresa listada no Reino Unido, com sede e centro de decisão fiscal no país". "Mas se a empresa optar por uma cotação direta nos Estados Unidos em vez de usar ADRs traz algumas vantagens, sobretudo para operações de longo prazo, isso também pode sinalizar a possibilidade de uma mudança mais radical no futuro", avaliou Russ Mould, analista da AJ Bell.

Remédios contra diabetes é atingido por sobretaxa

Muitos dos remédios mais vendidos nos EUA, especialmente os voltados ao tratamento do diabetes, ainda são produzidos fora do país. Empresas japonesas, por exemplo, fabricam medicamentos para doenças raras e graves, enquanto outras mantêm fábricas em diversos países. Caso essas companhias não consigam comprovar que possuem unidades de produção em solo americano, seus distribuidores nos EUA poderão enfrentar tarifas que dobrariam os custos de importação.

Além dos medicamentos, os novos impostos também atingem outros setores: caminhões pesados importados passam a ser taxados em 25%, móveis de cozinha e banheiro em 50%, e móveis estofados em 30%.

Efeitos no Brasil

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fez diversas declarações públicas sobre o tarifaço de 100% sobre medicamentos importados anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em suas declarações à imprensa, Padilha afirmou que o tarifaço afeta principalmente a indústria exportadora brasileira, sobretudo nos setores de equipamentos médicos e insumos para saúde bucal. Segundo ele, o governo está articulando medidas com o BNDES e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para proteger empregos e abrir novos mercados.

O ministro classificou as medidas de Trump como "bravatas" e "anúncios irracionais", afirmando que o Brasil não responderá com retaliações precipitadas, como a quebra de patentes. Ele reforçou que o país respeita a propriedade intelectual e aposta em parcerias público-privadas. Padilha reforçou que o tarifaço pode afetar principalmente a rede privada de saúde brasileira, com aumento de preços e dificuldades de acesso a medicamentos e insumos hospitalares.

(Com AFP)

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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