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América Latina

Revistas francesas detalham como Trump usa mandato para se enriquecer e aumentar reservas de urânio

As revistas francesas Le Point e L'Express traçam, nesta semana, um retrato inquietante da presidência de Donald Trump. Enquanto Le Point descreve um chefe de Estado que transforma o cargo em plataforma de enriquecimento pessoal e influência econômica, L'Express mostra um líder disposto a assumir riscos militares elevados para controlar 440 kg de urânio enriquecido no Irã. Entre negócios e geopolítica, emerge a figura de um presidente que mistura poder e dinheiro de forma inédita no mundo.

4 abr 2026 - 08h30
(atualizado às 08h39)
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Segundo reportagem da revista francesa Le Point, publicada nesta semana, o retorno de Donald Trump à Casa Branca teria consolidado uma forma inédita de fusão entre poder político e enriquecimento pessoal. A revista descreve o presidente norte-americano como alguém que transformou o exercício do cargo em uma plataforma de rentabilização contínua, seja por meio de eventos privados, ativos imobiliários, criptomoedas ou relações políticas convertidas em vantagem econômica.

Ainda de acordo com Le Point, o fenômeno não seria marginal, mas estrutural. A publicação menciona estimativas do New Yorker segundo as quais Trump teria acumulado mais de US$ 4 bilhões durante seus mandatos, algo que o periódico classifica como "sem precedentes" na história presidencial americana. A revista sustenta que a fronteira entre diplomacia e negócios privados teria se tornado difusa, a ponto de acadêmicos citados no texto falarem em um sistema em que a política externa estaria subordinada a interesses pessoais e de aliados próximos.

Nesse contexto, Le Point sugere uma mutação institucional mais profunda: os Estados Unidos, historicamente descritos como uma "plutocracia eleitoral", estariam deslizando para uma forma híbrida de "cleptocracia política", em que decisões de Estado passam a gerar retornos econômicos diretos para o entorno do presidente. A revista enfatiza que "críticos internos do meio financeiro norte-americano já passaram a questionar publicamente possíveis conflitos de interesse da atual administração".

Mar-a-Lago, criptomoedas e a economia privada do poder

Ainda segundo Le Point, esse modelo de poder se materializa de forma concreta em espaços como Mar-a-Lago, na Flórida, apresentado pela revista como um símbolo físico da fusão entre residência presidencial e "clube privado de negócios". A reportagem descreve o aumento expressivo das taxas de adesão ao clube e a transformação do local em um "centro de influência política e econômica".

A publicação destaca também o papel de iniciativas ligadas a criptomoedas associadas ao entorno de Trump, apontando, com base em analistas citados, que determinadas operações financeiras "teriam gerado retornos superiores a US$ 1 bilhão". O conjunto dessas atividades é interpretado pela revista como parte de uma economia paralela do poder, em que o acesso ao presidente e à sua rede se converte em ativo financeiro.

Para Le Point, até mesmo eventos diplomáticos podem ser reinterpretados sob essa lógica. A revista menciona a intenção de realizar encontros internacionais em propriedades privadas do presidente, o que, segundo diplomatas citados, reforçaria a confusão entre interesse público e benefício privado.

"Troféu estratégico"

Já a revista francesa L'Express publica nesta semana uma análise centrada na guerra no Oriente Médio, na qual Donald Trump aparece como ator decisivo em uma disputa de alto risco envolvendo o programa nuclear iraniano. Segundo o veículo, um dos objetivos estratégicos centrais da atual escalada militar seria "o controle de cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60% no Irã". O material poderia, em tese, ser rapidamente convertido em combustível para múltiplas armas nucleares.

De acordo com L'Express, esse estoque teria se tornado um "troféu estratégico" cuja localização e neutralização poderiam definir o desfecho político e militar do conflito. A revista afirma que parte desse material estaria dispersa em instalações subterrâneas altamente protegidas, incluindo Natanz, Fordo e possíveis depósitos em Isfahan, segundo dados atribuídos à Agência Internacional de Energia Atômica.

A publicação ressalta ainda que, apesar dos bombardeios e operações militares recentes, especialistas consideram que o "urânio enriquecido não foi totalmente destruído", o que mantém o risco estratégico elevado. Nesse cenário, a administração norte-americana consideraria operações extremamente complexas, incluindo ações de forças especiais no terreno — hipótese descrita como politicamente sensível e militarmente arriscada.

A fronteira entre operação militar e desastre estratégico

Ainda segundo L'Express, qualquer tentativa de recuperar fisicamente esse material exigiria uma operação de altíssima complexidade logística, envolvendo desde forças especiais até equipamentos pesados de escavação e contenção nuclear. Especialistas citados pela revista descrevem um cenário em que seria necessário operar sob risco simultâneo de ataques, explosivos, drones e resistência militar iraniana.

A revista também lembra o precedente histórico da operação fracassada "Eagle Claw", em 1980, durante a crise dos reféns no Irã, para ilustrar os riscos de intervenções desse tipo. O paralelo sugere que o trauma militar norte-americano na região ainda influencia o planejamento estratégico atual.

Para L'Express, o risco não se limita ao campo militar imediato. A revista alerta para a possibilidade de proliferação nuclear caso o material seja deslocado ou parcialmente perdido em meio ao colapso de estruturas estatais, o que poderia envolver atores não estatais e grupos extremistas na região.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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