Petro denuncia morte de colombiano por agentes do ICE nos EUA: 'Acreditavam que era um ser inferior'
O presidente colombiano, Gustavo Petro, classificou como "assassinato" a morte de um colombiano nos Estados Unidos pelas mãos de agentes do ICE, a polícia americana anti-imigração, responsável por colocar em prática a campanha de Donald Trump de batidas e deportações contra imigrantes.
"O que aconteceu no Maine foi o assassinato de um colombiano, de um latino-americano pelas mãos do governo dos EUA", escreveu Petro em publicação na rede social X, nesta terça-feira (14).
"Eles o mataram porque acreditavam que era um ser inferior, sem direitos", declarou o presidente em fim de mandato. Ele também exigiu que "os assassinos paguem pelo homicídio" e que o presidente Donald Trump dê explicações .
O atual chefe de Estado da Colômbia é um crítico ferrenho das políticas de imigração do atual chefe da Casa Branca.
Os dois divergem repetidamente a respeito do assunto, incluindo, por exemplo, sobre as condições em que o governo norte-americano deportou um grupo de colombianos em 2025, algemados no avião.
Lo que ha ocurrido en Maine, es un asesinato a un colombiano, latinoamericano en manos del gobierno de los EEUU.
Lo mataron por creerlo un ser inferior y sin derechos y como persona tenía todos los derechos que a un ser humano se le confieren solo por nacer y era ciudadano con… https://t.co/3jPnwbpBen
— Gustavo Petro (@petrogustavo) July 14, 2026
Versões divergentes
O caso aconteceu na segunda-feira (13) em Biddeford, cidade de 22 mil habitantes no estado do Maine, no nordeste do país. Joan Sebastián Durán Guerrero, de 26 anos, foi morto a tiros por agente do ICE.
De acordo com grupos de direitos humanos e a imprensa local, ele era entregador e possuía uma autorização de trabalho nos EUA, onde morava com a esposa e a filha de três anos.
A versão do ICE, no entanto, diverge. Um porta-voz da polícia americana explicou que a vítima era "um estrangeiro sem documentação regular, com uma ordem definitiva de deportação". De acordo com ele, agentes tentaram abordar um veículo por volta das 7h (horário local) de segunda-feira, após realizarem vigilância no último endereço conhecido de um indivíduo sujeito a uma ordem de deportação.
"O veículo tentou fugir do local e, por preocupação com a segurança pública, um agente disparou sua arma. O motorista foi atingido, e os serviços de emergência foram acionados imediatamente. Ele morreu em decorrência dos ferimentos", disse o porta-voz.
Uma testemunha disse à AFP que ouviu disparos antes de ver agentes do ICE retirarem uma pessoa - com a cabeça e o rosto ensanguentados - de um carro branco.
"Naquele momento, ouvi claramente a vítima dizer: 'Eu tentei parar', ou algo nesse sentido", afirmou ela. "Depois, ele estava no chão. Eu só conseguia ver suas pernas e abdômen; em certo momento, vi o abdômen parar de se mover e soube que ele havia morrido".
Segundo caso em sete dias
Em comunicado, a embaixada da Colômbia informou que solicitou esclarecimentos ao Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS na sigla em inglês) sobre a morte de um cidadão colombiano.
O senador do Maine, Angus King, disse à CNN que o colombiano não era a pessoa procurada e exigiu uma "investigação completa, transparente e aberta". Por sua vez, o FBI anunciou que está investigando o incidente.
As organizações Maine Immigrants' Rights Coalition e Presente Maine afirmaram que Joan Sebastián possuía uma autorização de trabalho nos EUA.
"Não deixaremos que essa morte seja reduzida a uma nota de rodapé nas estatísticas de segurança pública desta administração", disse Crystal Cron, diretora executiva da Presente Maine.
Esta é, pelo menos, a segunda ocorrência do tipo registrada em sete dias. Na semana passada, o ICE matou um cidadão mexicano residente nos Estados Unidos durante uma operação em Houston, no Texas.
RFI com AFP
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