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América Latina

ONU denuncia 'maus-tratos cotidianos' a imigrantes nos Estados Unidos

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos expressou revolta com o que chamou de "maus-tratos agora cotidianos" a imigrantes nos Estados Unidos. No último caso que causa polêmica no país, as autoridades americanas confirmaram a detenção de um menino de cinco anos, junto com seu pai, que havia sido detido por agentes de combate à imigração ilegal no país.

23 jan 2026 - 12h10
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"Estou consternado com os maus-tratos e a desumanização agora rotineiros a migrantes e refugiados. Onde está a preocupação com a dignidade deles, com a nossa humanidade compartilhada?", disse Volker Turk, em um comunicado.

ONU denuncia 'maus-tratos cotidianos' a migrantes nos EUA e pede fim de práticas que separam famílias. (07/01/2026)
ONU denuncia 'maus-tratos cotidianos' a migrantes nos EUA e pede fim de práticas que separam famílias. (07/01/2026)
Foto: AFP - KEREM YUCEL / RFI

A autoridade da ONU pediu para os Estados Unidos garantirem que suas políticas de imigração e sua implementação respeitem a dignidade humana e os direitos humanos. A nota é publicada em meio a uma operação em larga escala conduzida pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) em Minnesota, onde a morte de Renee Good, uma americana de 37 anos assassinada em seu carro por um agente em 7 de janeiro em Minneapolis, elevou as tensões sobre o tema.

O alto comissário das Nações Unidas lamentou a presença de grandes contingentes policiais nas operações dos serviços de imigração dos EUA e registros repetidos do que parece ser um uso desproporcional de força. "De acordo com o direito internacional, o uso intencional de força letal é permitido apenas como medida de último recurso contra um indivíduo que represente uma ameaça iminente à vida e à morte", enfatizou.

Prisões arbitrárias e impacto nas famílias

Ele afirmou que muitas práticas de imigração implementadas pelas autoridades americanas resultam em prisões e detenções arbitrárias e ilegais. "Indivíduos estão sendo monitorados e presos, às vezes violentamente, inclusive em hospitais, igrejas, mesquitas, tribunais, mercados, escolas e até mesmo em suas próprias casas, muitas vezes com base apenas na suspeita de que sejam imigrantes indocumentados", denunciou.

Turk salientou que muitas prisões e deportações ocorrem sem qualquer esforço para avaliar e manter a unidade familiar, expondo as crianças ao risco de danos graves a longo prazo."Apelo ao governo para que cesse essas práticas que estão destruindo famílias", disse.

Manifestantes querem paralisar Minneapolis

O estado de Minnesota solicitou aos tribunais federais a suspensão da operação do ICE. Uma audiência sobre o assunto está marcada para segunda-feira (26). Nesta sexta-feira, opositores de Donald Trump esperam paralisar a cidade de Minneapolis, em manifestações contra as prisões realizadas pelo ICE.

Os organizadores do protesto conclamaram o fechamento do comércio, pediram para os trabalhadores não irem trabalhar e para as crianças não irem às escolas, em apoio ao movimento.

Moradores têm protestado há semanas, tentando bloquear as ações das autoridades. O vice-presidente J.D. Vance viajou a Minneapolis na quinta-feira (22), para tentar "acalmar os ânimos".

Vance reconhece "erros", mas culpa a extrema esquerda.

Acusado pela oposição democrata de ter inflamado as tensões ao defender o agente de imigração que disparou o tiro fatal contra Renee Good, J.D. Vance se encontrou com agentes do ICE.

"Sim, vocês podem protestar", disse ele aos moradores, "mas façam isso pacificamente".

Na quarta e quinta-feira, a imprensa americana publicou a foto de um menino sendo supostamente levado para um centro de detenção no Texas pelo ICE. Ele aparece abatido, usando um chapéu azul com orelhas de coelho e carregando uma mochila, de mãos dadas com uma pessoa vestida de preto. A imagem viralizou nas redes sociais.

J.D. Vance confirmou que o menino de cinco anos foi detido pelo ICE depois que seu pai, que ele descreveu como um imigrante sem documentos, fugiu para evitar a prisão.

Embora tenha reconhecido que houve "erros" em alguns casos, o vice-presidente culpou "indivíduos de extrema esquerda" e as forças policiais locais pela escalada da violência. Uma dúzia de manifestantes se reuniu a algumas centenas de metros de onde Vance discursava. A manifestante Danny denuncia uma "ocupação" da cidade, que, segundo ela, está sendo patrulhada por 3 mil agentes do serviço anti-imigração, enquanto a polícia municipal conta com apenas 600 policiais.

"Eles estão sequestrando pessoas na rua e as mandando para outros lugares. Eles não têm mandado para fazer isso, estão aterrorizando e ferindo nossa população, e assassinaram Renée Good", criticou ela.

Protesto sob frio extremo

Outro manifestante, Dan, relata ter testemunhado a prisão de uma mulher por quatro agentes. "A mulher atendeu aos pedidos deles, mostrou alguns documentos, e eles amarraram suas mãos atrás das costas, a colocaram no veículo e saíram em alta velocidade. Eu não vi o começo, mas acho que a prenderam porque ela era uma mulher negra", afirmou.

A manifestação acontecerá enquanto a cidade está sob alerta de frio extremo, com sensação térmica podendo chegar a -40C nesta sexta-feira, relata o correspondente da RFI no local, Edward Maille. Em uma loja, a moradora Mary comprava acessórios e aquecedores para sua família, e diz que pretendia participar do protesto.

"O ICE está aterrorizando nossas escolas. Os ônibus estão vazios, os comércios estão fechando, porque as pessoas têm medo de sair", lamentou.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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