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América Latina

Na fronteira entre Venezuela e Colômbia, famílias fogem de conflito entre guerrilhas

A intervenção dos Estados Unidos na Venezuela trouxe à tona a violência que assola a fronteira entre Colômbia e Venezuela, onde atuam grupos armados e o crime organizado. Do lado colombiano, na região fronteiriça de Catatumbo, confrontos entre grupos guerrilheiros deslocam milhares de pessoas em direção a Cúcuta.

10 jan 2026 - 07h51
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Melissa Barra, enviada especial da RFI em espanhol

Membros do Exército de Libertação Nacional (ELN) patrulham região de Catatumbo na Colômbia.
Membros do Exército de Libertação Nacional (ELN) patrulham região de Catatumbo na Colômbia.
Foto: AFP - STRINGER / RFI

María amamenta seu bebê doente no Centro Regional de Assistência às Vítimas, na cidade de Cúcuta. Sua família fugiu sem nada do município de Tibú, localizado no departamento de Norte de Santander, no coração de Catatumbo.

As crianças estão apavoradas depois de verem grupos armados em ação, usando uniformes militares. "Ela vê alguém de uniforme e fica com medo. As crianças de 14 e 8 anos também viram corpos lá. Havia corpos no dia em que saímos também", conta María à RFI. Oitocentas famílias de Catatumbo foram deslocadas para Cúcuta nas últimas duas semanas - aquelas que conseguiram escapar.

"O menino de 8 anos estava com uma febre que não baixava, e a menina com uma tosse persistente. Meu marido e eu tivemos que fugir de moto, mas eles não queriam nos deixar passar", disse. "Viram a criança doente e os dois grupos que estavam em guerra nos deixaram passar", relembrou ela, sobre o dia 25 de dezembro.

Aqui, não se deve falar muito. Mesmo na cidade, há informantes por toda parte, sejam do ELN ou dos dissidentes das FARC, os dois grupos guerrilheiros que lutam pelo controle territorial em Catatumbo, agora utilizando drones.

A guerra começou há um ano, com milhares de deslocados. Civis são usados como escudos; líderes comunitários, alvos.

'Eles têm que me matar'

Os líderes sociais deslocados se reúnem em segredo. Comandantes de um ou outro grupo guerrilheiro os ameaçam. Em seus celulares, eles têm vídeos em que guerrilheiros mencionam os nomes dos presidentes dos Conselhos de Ação Comunitária, as organizações comunitárias locais, acusando-os de serem "instigadores".

"Richard Suárez, da 33ª Frente dos Dissidentes das FARC, está me expondo, me tornando visível. Estou recebendo ameaças diretas. Ele está pagando para descobrir onde estou, porque diz que sou do ELN e que eles têm que me matar", afirma um deles.

As autoridades da igreja desfrutam de respeito em Catatumbo, mas até certo ponto. Elas negociam com os grupos armados para ajudar a população. Não é fácil, explica Israel Bravo Cortés, bispo da diocese de Tibú nos últimos quatro anos.

"Com a ajuda da Ouvidoria, da ONU e da Igreja, foi ativada uma comissão humanitária para tratar desses casos de detenção, situações muito específicas envolvendo signatários de tratados de paz e as dificuldades enfrentadas pelas comunidades", explicou ele à RFI.

"Ambos os grupos afirmam que não recrutam menores, mas vemos muitos rostos jovens, alguns com apenas 14 anos", disse. "Então, quando esses jovens querem sair, todo um processo precisa ser realizado para que possam ser libertados."

Presença ostensiva militar

A ausência do Estado está na boca de todos. "Quando se fala nisso, todos pensam que uma maior presença do Estado significa encher o território de soldados", rebate monsenhor Bravo.

Ele defende projetos nas áreas de educação, saúde, infraestrutura e substituição de cultivos. "A região de Catatumbo possui aproximadamente 50 mil hectares de coca. Aqueles que demonstram interesse em mudar de cultivo deveriam ter acesso a melhorias em suas moradias, instalações sanitárias e sistemas de tratamento de esgoto - coisas que, neste contexto, não vemos serem feitas", lamenta o bispo.

Depois de Maduro ser deposto, muitos temem que o Estado negligencie a região de Catatumbo, distraído pelos Estados Unidos e pela Venezuela. O governo anunciou o envio de 30 mil soldados para a fronteira entre Colômbia e Venezuela, mas os moradores da região observam pouca presença militar nas áreas rurais atacadas.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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