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América Latina

México busca veleiros com ajuda humanitária desaparecidos rumo a Cuba em meio à crise energética na ilha

A Marinha mexicana buscava, nesta sexta-feira (27), dois veleiros desaparecidos no Mar do Caribe, com nove pessoas de diversas nacionalidades a bordo, que seguiam rumo a Cuba transportando ajuda humanitária. Desde a semana passada, ativistas de vários países têm partido do México em embarcações carregadas com alimentos e outros suprimentos destinados à ilha, que enfrenta um bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos.

27 mar 2026 - 10h49
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As duas embarcações zarparam de Isla Mujeres, no México, com destino a Havana, em 20 de março, informou o Ministério da Marinha mexicana em comunicado. A previsão era de que chegassem à ilha entre 24 e 25 de março, segundo as autoridades.

Ativistas da flotilha Nuestra América e autoridades cubanas descarregam ajuda humanitária do navio "Granma 2.0" no porto de Havana, em 24 de março de 2026.
Ativistas da flotilha Nuestra América e autoridades cubanas descarregam ajuda humanitária do navio "Granma 2.0" no porto de Havana, em 24 de março de 2026.
Foto: AFP - JORGE LUIS BANOS / RFI

Na sexta-feira, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, expressou sua "particular preocupação" com o paradeiro das embarcações. "Estamos fazendo todo o possível para buscar e resgatar esses irmãos de armas", escreveu em mensagem publicada no X.

Até o momento, não foi possível "estabelecer comunicação ou confirmar sua chegada", informou o Ministério da Marinha mexicana em comunicado divulgado na quinta-feira, data em que o alerta foi emitido.

"Com base na velocidade dos navios informada às autoridades marítimas cubanas, a previsão de chegada a Havana é entre a noite de sexta-feira, 27 de março, e o meio-dia de sábado, 28 de março", afirmou James Schneider, porta-voz da organização Nuestra América, em Londres, em nota divulgada na sexta-feira.

"Os capitães e as tripulações são marinheiros experientes, e ambas as embarcações estão equipadas com sistemas de segurança e dispositivos de sinalização adequados", acrescentou. "Estamos cooperando plenamente com as autoridades e seguimos confiantes na capacidade das tripulações de chegar a Havana em segurança", declarou.

Segundo uma equipe da AFP a bordo de outra embarcação que conseguiu chegar ao porto sem incidentes, ventos fortes e correntes marítimas dificultaram a travessia.

A Marinha informou que mantém contato "com as missões diplomáticas dos países de origem das pessoas a bordo" para cooperar e trocar informações. As buscas contam com o apoio de aeronaves, segundo a corporação, que também apelou à comunidade marítima civil e comercial do Caribe e do Golfo do México para que reporte "sem demora" qualquer informação ou avistamento dos veleiros desaparecidos.

O primeiro navio da flotilha de ajuda humanitária chegou a Cuba na terça-feira, transportando "mais de 20 toneladas" de alimentos, medicamentos e painéis solares, segundo os organizadores. O barco de pesca de camarão Maguro, simbolicamente rebatizado de "Granma 2.0" — em referência ao navio usado por Fidel Castro em 1956 para desembarcar na ilha e iniciar a Revolução Cubana — atracou em Havana com três dias de atraso, após enfrentar fortes ventos e correntes durante a viagem desde o México.

Crise agravada pela falta de combustível

A ilha, com 9,6 milhões de habitantes, atravessa uma grave crise econômica e energética. Esta última se intensificou após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelas forças americanas, em janeiro, e a interrupção abrupta das entregas de petróleo de Caracas — principal fornecedora de combustível de Cuba nos últimos 25 anos. Somente em 2025, Caracas enviou a Havana quase 30 mil barris de petróleo por dia.

Imagens mostram estradas às escuras, veículos parados e serviços interrompidos. "A falta de combustível tem um impacto muito concreto na saúde, por exemplo. Os hospitais não têm eletricidade", explica Étienne Labande, coordenador residente interino da ONU em Cuba.

"Em relação à segurança alimentar, cerca de 80% da produção agrícola depende de combustível para funcionar — para o plantio, o trabalho na terra, os sistemas de irrigação — tudo exige eletricidade ou combustível diretamente. E há também toda a questão do transporte de mercadorias, especialmente alimentos. Sem combustível, elas não circulam normalmente. Ou seja, um local produz alimentos, mas eles não chegam aos mercados", detalha.

A ONU está em negociações com Washington para implementar um plano de ação em resposta à crise energética e viabilizar a importação de combustível destinado aos serviços humanitários essenciais na ilha.

"Estamos falando de um volume entre quatro e cinco milhões de litros de diesel até o fim do ano, que é o prazo do plano de ação para sustentar a resposta. Sem combustível, não podemos fazer nada. A chave para toda a resposta agora depende da disponibilidade de combustível. Se conseguirmos importar e utilizá-lo na operação, conseguiremos atender a população. Sem isso, a operação fica paralisada — ou pelo menos muito lenta e complexa", enfatiza Labande.

Um dos problemas mais graves é o colapso do sistema de saúde, alertou a OMS esta semana. Os hospitais cubanos têm enfrentado dificuldades para manter os serviços de emergência e terapia intensiva, adiando cirurgias e o atendimento a gestantes.

RFI e AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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