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Manifestação a favor do aborto livre reúne mais de 5 mil no Chile

26 jul 2013
01h43
atualizado às 02h46
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Uma manifestação realizada no centro da capital chilena na noite desta quinta-feira reuniu mais de 5 mil pessoas - de acordo com as autoridades - para defender o "aborto livre e gratuito", além de exigir fim da "violência exercida pelo Estado chileno", que promove o serviço maternal obrigatório.

Apesar de não contar com nenhum tipo de autorização e, inclusive, de ter bloqueado importantes vias no centro da capital, a manifestação em questão não registrou atos de violência e nem confrontos, já que a polícia se manteve alerta, mas não atuou para dissolvê-la.

"Foi todo um êxito e de grande impacto. Conseguimos ser escutados. Nosso país segue negando às mulheres o acesso aos serviços de aborto seguro, penalizando com prisão àquelas que decidem sobre seus corpos e sua reprodução com autonomia", afirmou Angie Mendoza, representante do grupo Marcha Mundial das Mulheres no Chile.

De acordo com Angie, um grupo de 300 pessoas entrou na Catedral Metropolitana, onde ocorria uma liturgia neste momento, "para dizer basta à criminalização do aborto".

A representante da Marcha Mundial das Mulheres afirmou que a ideia da manifestação era denunciar "a hipocrisia" em torno do tema, já que, segundo ela, o Chile permite a realização de abortos em clínicas privadas ou no exterior, enquanto as mulheres pobres morrem por procedimentos "insalubres e precários".

"As mulheres no Chile são criminalizadas e tratadas como delinquentes ao abortar, sendo que, na realidade, pelo menos 438 abortos são realizados diariamente em condições inseguras em nosso país", enfatizou Angie.

De acordo com os manifestantes presentes no protesto de hoje, tanto a direita como a oposição, as igrejas e organizações pró-fetos "se mantêm coniventes" para que o Chile continue sendo um dos seis países do mundo em que a legislação mantém a mais absoluta penalização do aborto, independente da razão ou circunstância pela qual é realizado, inclusive em caso de estupro.

No último dia 9 de julho, o presidente Sebastián Piñera assegurou que seu governo "protegeria" a vida de uma menor de 11 anos que ficou grávida após ser estuprada pelo padrasto, embora não tenha mencionado a possibilidade de um aborto terapêutico, que segue proibido no Chile.

EFE   
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