Guerra prolongada contra o Irã expõe limites dos arsenais dos EUA, revela agência
Os Estados Unidos utilizaram praticamente todo o seu estoque de mísseis de precisão de longo alcance durante os cinco meses de guerra contra o Irã, segundo três fontes familiarizadas com dados militares ouvidas pela Reuters. A informação alimenta preocupações dentro do governo americano sobre a capacidade de Washington de responder a novas crises em outras regiões do mundo.
Quando lançou, ao lado de Israel, a campanha militar contra o Irã em 28 de fevereiro, o presidente Donald Trump apostava em um conflito de curta duração. A guerra, porém, se prolongou além das expectativas da Casa Branca e passou a consumir grandes quantidades de armamentos de alta precisão.
Segundo as fontes ouvidas pela Reuters, discussões recentes dentro do governo americano passaram a considerar até que ponto a continuidade dos bombardeios poderia comprometer a capacidade militar dos Estados Unidos diante de outras ameaças globais.
Uma quarta fonte afirmou que o Comando Central dos EUA (Centcom), responsável pelas operações no Oriente Médio, utilizou praticamente todos os seus mísseis terrestres disponíveis e precisou recorrer a estoques mantidos em outras regiões do mundo.
Desde o último fim de semana, Trump suspendeu os ataques ao Irã e tenta trazer o país para a mesa de negociações, no entanto, sem sucesso.
As armas que estão no centro da preocupação
Os armamentos mais afetados são os Sistemas de Mísseis Táticos do Exército (ATACMS) e os Mísseis de Ataque de Precisão (PrSM), ambos lançados a partir de plataformas terrestres.
Duas das fontes afirmaram que os Estados Unidos consumiram "praticamente toda" a reserva desses mísseis, considerados fundamentais para operações de longo alcance.
Esse tipo de armamento permite atacar alvos a grandes distâncias sem expor tropas ou aeronaves diretamente às defesas inimigas, tornando-se uma das principais ferramentas de combate das Forças Armadas americanas.
Armas vistas como essenciais contra a China
Além do uso no Irã, ATACMS e PrSM são considerados peças importantes em um eventual conflito contra adversários com sistemas avançados de defesa aérea, como a China.
Analistas observam que cada míssil custa mais de US$ 1 milhão e exige tempo para ser produzido, o que dificulta a rápida recomposição dos estoques.
Os ATACMS também tiveram papel de destaque na guerra da Ucrânia, permitindo que Kiev atingisse alvos militares em território russo. Já o PrSM é um sistema mais moderno, desenvolvido para substituir o modelo anterior e ampliar o alcance das operações.
De acordo com uma das fontes ouvidas pela Reuters, a forte utilização dos ATACMS e PrSM reflete uma decisão estratégica do governo Trump. Segundo essa avaliação, a Casa Branca procurou evitar métodos considerados mais arriscados para atingir alvos iranianos, como o envio de aeronaves tripuladas para missões de bombardeio. A opção pelos mísseis permitiu manter ataques à distância, reduzindo a exposição de militares americanos ao combate direto.
Casa Branca rejeita preocupação com escassez
Procurada pela Reuters, a Casa Branca divulgou uma declaração de Donald Trump afirmando que os Estados Unidos possuem mais munições do que qualquer outro país do mundo.
"Temos muito mais munições do que qualquer outra nação e muito mais do que precisamos", afirmou o presidente.
Trump também sustentou que a indústria de defesa americana está ampliando a produção em ritmo recorde.
"Nossas empresas de defesa estão produzindo mais munições do que nunca e expandindo suas fábricas e equipamentos a níveis recordes", declarou.
Reposição dos estoques ainda é um desafio
Especialistas concordam que a produção de diversas munições, incluindo projéteis de artilharia e diferentes tipos de mísseis, aumentou significativamente nos últimos anos. Ainda assim, alertam que uma guerra prolongada pode continuar pressionando a capacidade produtiva da indústria de defesa.
A Lockheed Martin, fabricante dos ATACMS e PrSM, não comentou as declarações do presidente nem os níveis atuais de fornecimento. A Raytheon, responsável pelos mísseis Tomahawk e pelos sistemas Patriot, também não respondeu aos pedidos de comentário.
Em nota, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, afirmou que as Forças Armadas americanas mantêm todas as capacidades necessárias para cumprir as determinações do governo.
Um relatório divulgado em março pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) já apontava que os mísseis ATACMS e PrSM vinham sendo empregados em ataques contra alvos iranianos.
O documento destacou que os estoques de PrSM ainda eram limitados devido à introdução recente do sistema. A expectativa é que uma parcela significativa das entregas destinadas às Forças Armadas americanas ocorra apenas em 2027.
Ao mesmo tempo, os militares dos EUA já haviam anunciado a retirada gradual dos ATACMS de serviço e a redução de sua produção, à medida que o PrSM assume o papel de principal míssil terrestre de longo alcance do Exército americano.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.