Governo Trump suspende imigração de 19 países e aumenta pressão sobre Venezuela, Cuba e Haiti
O governo de Donald Trump suspendeu, na terça-feira (2), todos os pedidos de imigração de cidadãos de 19 países considerados de alto risco, incluindo Cuba, Haiti e Venezuela. A decisão foi anunciada poucos dias após um ataque a tiros, cometido por um afegão, contra membros da Guarda Nacional em Washington, que resultou na morte de uma militar.
A suspensão atinge países que já estavam sujeitos a restrições parciais desde junho, mas agora impõe novas barreiras à imigração, incluindo processos para concessão de green card, vistos de residência permanente e pedidos de cidadania americana.
O presidente republicano tem endurecido sua posição em relação às três nações latino-americanas da lista, especialmente contra a Venezuela nos últimos meses, ao ordenar uma mobilização militar sem precedentes no Caribe. Trump afirma que a operação visa combater o narcotráfico, mas Caracas denuncia que o objetivo é derrubar o presidente Nicolás Maduro.
Cuba continua sob embargo comercial dos Estados Unidos há mais de seis décadas, enquanto o Haiti, país mais pobre das Américas, enfrenta uma grave crise humanitária provocada pela violência de gangues.
A lista de países afetados pela suspensão é majoritariamente composta por nações africanas e asiáticas — como Afeganistão, Irã, Mianmar, Chade, República Democrática do Congo, Sudão e Iêmen. A Venezuela é o único país sul-americano incluído, alvo da pressão de Trump desde agosto.
O republicano já havia sinalizado que endureceria as políticas migratórias após o ataque à Guarda Nacional na semana passada. O suspeito, que se declarou inocente das acusações de assassinato, chegou aos Estados Unidos durante a retirada das forças americanas do Afeganistão, em 2021.
A suspensão ocorre enquanto autoridades americanas planejam, nos próximos dias, uma grande operação contra a imigração no estado de Minnesota, com foco em cidadãos da Somália.
'Assassinos' e 'sanguessugas'
O Serviço de Cidadania e Imigração (USCIS) "tem um papel central em impedir que terroristas busquem refúgio nos Estados Unidos e em garantir que seus processos de seleção, investigação e atribuição priorizem a segurança do povo americano e respeitem todas as leis", afirma o memorando divulgado na terça-feira.
O documento acrescenta que o governo comprovou recentemente "o que a falta de avaliação, verificação e priorização de decisões rápidas pode fazer ao povo americano", citando como exemplo o suposto autor do ataque aos integrantes da Guarda Nacional na semana passada.
Trump, que fez campanha para retornar à Casa Branca com a promessa de deportar milhões de migrantes sem documentos, disse em 26 de novembro, após o tiroteio, que planejava "pausar permanentemente a migração de todos os países do terceiro mundo para permitir que o sistema americano se recupere por completo".
A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, também pediu na segunda-feira a ampliação da lista de países afetados pelas restrições de viagens de junho.
"Acabei de me reunir com o presidente. Recomendo uma proibição total de viagens para cada maldito país que inundou nossa nação com assassinos, sanguessugas e viciados que se acreditam com direito a tudo", afirmou na rede social X, sem mencionar as nações que, na opinião dela, deveriam ser incluídas.
Com informações da AFP
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