Finalmente me sinto livre, diz filho de Pablo Escobar
Em entrevista publicada nesta terça-feira pelo jornal britânico The Times, o filho do traficante de drogas mais famoso da história, o colombiano Pablo Escobar, diz que finalmente se sente livre 17 anos após a morte de seu pai. Sebastián Marroquín está promovendo ao redor do mundo um documentário em que pela primeira vez fala de seu pai e encontra os filhos de duas famosas vítimas dele.
Originalmente batizado como Juan Pablo, Marroquín, 33 anos, passou os anos que sucederam a morte de seu pai tentando esconder a sua identidade. Juntamente com sua mãe e irmã, fugiu da Colômbia após Escobar ser morto a tiros pela polícia, em 1993, mudou de nome e tentou asilo em diversos países até ser aceito na Argentina, onde atualmente trabalha como arquiteto.
Após ter uma infância rica, com todos os brinquedos que podia ter e viagens para diversos países, ele passou os últimos 15 anos tentando ter uma vida quieta em Buenos Aires. No entanto, as ligações com Escobar nem sempre permitiram isso. Em 1999, Marroquín e sua mãe foram presos por acusações nunca comprovadas de lavagem de dinheiro. "Nós fomos mantidos na prisão por pequenas e falsas acusações porque nós somos colombianos e porque nós somos familiares de Pablo Escobar", disse ao jornal britânico.
Dezenas de cineastas abordaram Marroquín para que ele contasse a história de sua vida no filme. Mas ele recusou as propostas por pensar que elas poderiam apenas glorificar e explorar a imagem de seu pai, o que ele teria aversão a fazer. Em 2005, ele finalmente aceitou a ideia de contar sua história ao conhecer o cineasta Nicolás Entel, que propôs a abordagem do encontro entre ele e os filhos do ex-ministro da Justiça colombiano Rodrigo Lara Bonilla e do ex-candidato a presidência do país Luis Carlos Galán, ambos assassinados por ordens de Escobar após terem confrontado o traficante.
"Eu sinto como se tivesse sido libertado e agora posso começar a apreciar a vida", conta Marroquín. "O presente que esse filme deu a mim e à minha família é que o mundo agora nos vê com diferentes olhos. Um pouco do preconceito contra a família Escobar finalmente desapareceu".
O documentário de 90 minutos "Os Pecados do Meu Pai", mistura gravações inéditas do arquivo pessoal da família, vídeos antigos de televisão e gravações novas com Marroquín e sua mãe, conhecida atualmente como Maria Isabel Santos Caballero.
Desde a estreia do filme na Argentina, em novembro de 2009, o filho de Escobar está em turnê para promover o filma na América Latina e na Europa. Segundo ele, naturalmente a parada mais importante foi na Colômbia, onde o filme foi recebido como um marco cultural. Apesar de ter sido bastante elogiado pela decisão de pedir desculpas ao país no filme, a visita dele em dezembro recebeu muitas críticas de colombianos que ainda o condenam pelos atos cruéis de Pablo Escobar.
"Eu espero que todos os colombianos entendam o filme e que nós possamos ajudar a parar a violência de uma vez por todas. Minha única motivação é que este filme seja uma mensagem de paz. Nada mais, nada menos", diz Marroquín.
Nós próximos meses, Marroquín fará aparições em festivais de cinema na Polônia, Equador, Canadá e Alemanha. O único país que ele não visitará são os Estados Unidos, que até hoje nega a ele o visto de entrada pela sua ligação com Pablo Escobar.
Após encerrar a divulgação do filme, Marroquín planeja escrever um livro de memórias, que, segundo ele, irá revelar segredos familiares ainda mais importantes e expandir a mensagem de paz. "Eu quero formar a minha própria identidade. O filme permitiu que eu começasse a fazer isso. Eu não quero ser conhecido apenas como 'o filho de Pablo Escobar'", diz.