EUA: protestos contra a política imigratória de Trump se espalham pelo país
A onda de manifestações anti-Trump continua a se espalhar pelos Estados Unidos, apesar da tentativa do presidente americano de abafar a revolta, com o envio de militares da Guarda Nacional a Los Angeles. Na quarta-feira (11), mais de mil pessoas ainda saíram às ruas desta que é a segunda maior cidade dos Estados Unidos, antes da segunda noite de toque de recolher noturno.
Há quase uma semana, Los Angeles se tornou símbolo da repulsa à política anti-imigração de Donald Trump, com prisões e deportações massivas de pessoas em situação irregular. Os protestos se espalham agora ao Leste americano - Washington DC, Nova York e Boston - mas também ao Norte, Centro e o Sul: moradores de várias cidades do Texas também saem às ruas, entre elas, a capital Dallas. Protestos contra a política draconiana de imigração do governo dos EUA ocorreram, na quarta-feira, também em St. Louis, Missouri, Indianápolis, Indiana, Raleigh, Carolina do Norte, e Denver, capital do Colorado. A cidade de Spokane, no Estado de Washington, no noroeste do país, foi a segunda a decretar toque de recolher noturno, na última noite. Na cidade, que tem cerca de 230 mil habitantes, era proibido circular entre 21h30 de quarta-feira às 5h de quinta-feira (pelo horário local). No Texas, o governador republicano Greg Abbott ordenou o envio da Guarda Nacional para um protesto em San Antonio. Isso não impediu que centenas de manifestantes se reunissem perto da prefeitura. Trump é vaiado em teatro Na noite de quarta-feira, Donald Trump foi vaiado em uma sala de espetáculos em Washington DC, onde foi assistir ao musical "Os Miseráveis" com sua esposa Melania Trump. No local, ele ameaçou convocar a Guarda Nacional a outras cidades onde os atos continuarem. Apesar do envio de tropas para Los Angeles e da promessa do presidente de nunca deixar "a lei da multidão dominar a América", os protestos se multiplicam contra a dura política imigratória do republicano. Mais de mil pessoas protestaram pacificamente nas ruas de Los Angeles, novamente na quarta-feira, antes da segunda noite de toque de recolher no centro da cidade, imposto pela prefeitura para evitar saques e vandalismo. "O toque de recolher permanece em vigor esta noite (...) para impedir que pessoas mal-intencionadas se aproveitem da escalada caótica do presidente", escreveu a prefeita democrata Karen Bass, na quarta-feira, no X. Tribunal vai decidir sobre envio de tropas federais Donald Trump ordenou o envio para Los Angeles de 4 mil reservistas da Guarda Nacional da Califórnia e 700 fuzileiros navais, um corpo de elite das Forças Armadas da ativa. O reforço na segurança acontece contra a vontade do governador democrata Gavin Newsom, que acusa o governo federal de extrapolar a sua autoridade e solicitou ao tribunal a suspensão do destacamento da Guarda Nacional. Uma audiência sobre o assunto está marcada para esta quinta-feira em um tribunal federal. O envio de tropas se tornou uma rivalidade política entre o governo Trump e a oposição democrata. Newsom é considerado um potencial candidato à Casa Branca em 2028. Nas ruas de Los Angeles, a população também comenta sobre os últimos acontecimentos. "Eu diria que, em grande parte, tudo está sob controle aqui no Marco Zero", disse Lynn Sturgis, professora aposentada de 66 anos, à AFP em frente aos escritórios do governo federal, o epicentro dos protestos no centro da cidade. "Nossa cidade não está pegando fogo, não está queimando, como nosso terrível líder está tentando fazer acreditar", acrescentou. (Com AFP)
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