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Oriente Médio

EUA ampliam ação militar contra o Irã e Congresso cobra explicações sobre estratégia de guerra

Mais de 50 mil militares americanos, 200 aeronaves de combate, dois porta-aviões e bombardeiros estratégicos já participam das operações

4 mar 2026 - 06h33
(atualizado às 07h22)
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Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York

A mobilização militar dos Estados Unidos contra o Irã atingiu uma escala que autoridades americanas descrevem como a maior no Oriente Médio em uma geração, em meio a sinais de que o conflito pode avançar para uma nova fase e aumentar ainda mais o envolvimento das Forças Armadas na região.

Mais de 50 mil militares americanos, cerca de 200 aeronaves de combate, dois porta-aviões e bombardeiros estratégicos já participam das operações, segundo o almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos.

Marinheiros americanos movimentam munições no convés de voo do porta‑aviões USS Abraham Lincoln (CVN‑72), da classe Nimitz, durante a Operação Fúria Épica, em 28 de fevereiro de 2026.
Marinheiros americanos movimentam munições no convés de voo do porta‑aviões USS Abraham Lincoln (CVN‑72), da classe Nimitz, durante a Operação Fúria Épica, em 28 de fevereiro de 2026.
Foto: © AFP PHOTO / US NAVY and US CENTRAL COMMAND / HANDOUT / RFI

O aumento rápido da presença militar ocorre poucos dias depois dos ataques coordenados realizados no sábado (28) por forças americanas e israelenses contra alvos estratégicos no Irã, que abriram uma nova etapa na escalada bélica entre os países. Segundo Cooper, o deslocamento representa o maior reforço de efetivos americanos no Oriente Médio em décadas. 

"Em termos simples, estamos focados em neutralizar tudo o que pode disparar contra nós", afirmou o comandante.

De acordo com Cooper, as unidades dos EUA já destruíram pelo menos 17 embarcações iranianas, incluindo um submarino, considerado um dos mais operacionais da marinha do país.

Os Estados Unidos também mantêm investidas contínuas contra alvos iranianos "24 horas por dia", em operações que combinam ações militares "do fundo do mar ao espaço e ao ciberespaço", disse o almirante.

'Guerra ilegal'

Apesar da intensidade da ofensiva, parlamentares em Washington dizem que ainda não receberam explicações claras sobre os objetivos estratégicos da campanha.

Nesta terça-feira (3), integrantes do alto escalão do governo participaram de encontros fechados com membros do Congresso para discutir a ofensiva contra o Irã. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, realizou um briefing com senadores e também se reuniu com deputados da Câmara dos Representantes.

Após o encontro, parlamentares democratas disseram que o governo não apresentou um plano claro sobre a duração da guerra ou sobre quais seriam os objetivos finais da operação. O senador democrata Ed Markey afirmou que a reunião apenas reforçou preocupações já existentes no Congresso.

"Donald Trump está travando uma guerra ilegal e não tem um plano para encerrá-la", escreveu o senador nas redes sociais.

"Eu já estava preocupada antes, mas agora estou ainda mais apreensiva", disse a senadora democrata Elizabeth Warren em um vídeo após participar da reunião.

Nos bastidores do Capitólio, até mesmo alguns republicanos demonstram inquietação com o rumo do conflito. Um parlamentar ouvido pela imprensa americana comparou a justificativa apresentada pela Casa Branca com a retórica usada pelo ex-presidente Lyndon Johnson durante a escalada da guerra do Vietnã nos anos 1960. Congressistas também avaliam que o governo poderá solicitar recursos emergenciais para financiar as operações militares.

Nova frente terrestre

Autoridades do Pentágono trabalham em um pedido de orçamento suplementar que pode chegar a US$ 50 bilhões, destinado a recompor estoques de armas utilizados em missões recentes. Paralelamente às operações aéreas e navais, surgem sinais de que o conflito pode abrir uma nova frente terrestre.

Segundo informações divulgadas pela CNN, a CIA estaria trabalhando para armar forças curdas opositoras ao regime iraniano, que poderiam participar de uma operação no oeste do país nos próximos dias com apoio americano e israelense.

A estratégia teria como objetivo ampliar a pressão militar sobre Teerã e estimular um levante interno contra o governo iraniano. A Casa Branca não comentou oficialmente as informações.

O Pentágono deve realizar um novo briefing público nesta quarta-feira (4), quando autoridades militares devem apresentar atualizações sobre a ofensiva e responder a questionamentos sobre a dimensão da mobilização militar americana e os próximos passos da operação.

Antes do início da operação, entre 20% e 25% dos americanos aprovavam os ataques. Essa proporção subiu para quase 40% na última pesquisa da CNN, realizada após o anúncio da morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. O resultado está em consonância com a popularidade de Trump.

Cerca de seis em cada dez americanos se opõem aos ataques, e um número semelhante acredita que o governo não tem um objetivo claro em relação ao Irã e que o presidente deveria buscar a aprovação do Congresso para continuar as operações. Apenas 12% apoiam o envio de tropas terrestres, mas a maioria dos americanos se resigna à possibilidade de outro conflito interminável, com 56% acreditando que o resultado mais provável é uma guerra prolongada.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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