Eleições em Nova York, Nova Jersey e Virgínia representam 1° teste eleitoral para Trump
Enquanto a eleição para prefeito de Nova York atrai todas as atenções, outras duas votações relevantes também acontecem nesta terça-feira (4) nos Estados Unidos. Os eleitores de Nova Jersey e da Virgínia vão às urnas para eleger os próximos governadores dos dois estados americanos. Haverá ainda um referendo importante na Califórnia.
Enquanto a eleição para prefeito de Nova York atrai todas as atenções, outras duas votações relevantes também acontecem nesta terça-feira (4) nos Estados Unidos. Os eleitores de Nova Jersey e da Virgínia vão às urnas para eleger os próximos governadores dos dois estados americanos. Haverá ainda um referendo importante na Califórnia.
Com informações dos correspondentes da RFI nos EUA, Vincent Souriau e Loïc Pialat, e da AFP
As votações desta terça-feira nos Estados Unidos representam os primeiros testes significativos desde a reeleição de Donald Trump. Elas devem indicar a reação do eleitorado sobre o início do governo do republicano, dando pistas sobre a configuração das eleições de meio de mandato, as chamadas "midterms", previstas para 2026.
Tradicionalmente, a realização das eleições para governadores da Virgínia e de Nova Jersey ocorrem um ano após à eleição presidencial. Por isso, as duas votações são consideradas termômetros do clima político americano, explica o correspondente da RFI em Washington, Vincent Souriau.
Em novembro de 2024, Kamala Harris superou Donald Trump nos dois estados. Mas, tanto em Nova Jersey quanto na Virgínia, o republicano conseguiu conquistar cerca de 100 mil votos a mais em relação a 2020.
Democratas favoritos
Agora, a questão essencial é saber se esses novos eleitores continuarão fiéis e beneficiarão os candidatos republicanos. Segundo as últimas pesquisas, isso estaria longe de acontecer. Os democratas lideram as intenções de voto nos dois estados.
A vantagem de Abigail Spanberger é confortável e a Virgínia deve eleger a primeira mulher governadora do estado. A candidata democrata, ex-agente da CIA, está na disputa contra a republicana Winsome Earle-Sears, ex-integrante do Corpo de Fuzileiros Navais. O favoritismo de Abigail Spanberger seria explicado pelo fato da Virgínia abrigar muitos funcionários federais que sofreram com os cortes orçamentários ordenados por Donald Trump e Elon Musk.
Em Nova Jersey, a disputa será muito mais apertada. A democrata considerada mais moderada Mikie Sherrill concorre com o empresário republicano Jack Ciattarelli. Os democratas, que perderam terreno nas últimas eleições, estão preocupados em não conseguir aproveitar os baixos índices de popularidade do presidente americano.
Na maior cidade dos Estados Unidos, a eleição é municipal. O jovem candidato democrata, Zohran Mamdani, é o grande favorito. Ele lidera as pesquisas com mais de 10 pontos de vantagem e tem boas chances de ser eleito o novo prefeito de Nova York.
Referendo na Califórnia
Do outro lado do país, os californianos votam em um referendo que propõe redesenhar o mapa eleitoral do estado. A nova configuração favorecerá o Partido Democrata, em resposta a uma iniciativa trumpista semelhante no Texas. Os democratas já são maioria na Califórnia. Com a aprovação da Proposta 50, o estado enviaria ainda mais representantes da sigla ao Congresso, detalha o correspondente da RFI em Los Angeles, Loïc Pialat.
Os americanos chamam esse controverso método para redefinir distritos eleitorais visando vantagens de "gerrymandering". Os defensores do "sim" apresentam o referendo como um obstáculo a Donald Trump.
Sob o sol de outubro, com panfletos na mão e os olhos no GPS do celular, Chris faz campanha nas ruas de Manhattan Beach, em Los Angeles, pela Proposta 50. "Donald Trump conquistou cinco cadeiras no Texas e estamos tentando recuperar cinco", diz Chris. "Não queremos virar o jogo, queremos que seja justo. O processo está viciado do jeito que está, então a Califórnia reage. Eu preferiria dedicar meu ativismo a outra coisa, mas somos obrigados a agir assim", afirma o militante democrata
Barack Obama pediu voto no "sim". Já o ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger votará "não". Para o ator, não é "porque estamos lutando contra Donald Trump que temos de nos tornar Donald Trump. Isso não faz sentido para mim. Não se corrige uma injustiça com outra".
Como sinal da importância nacional do referendo californiano, a campanha custou mais de US$ 200 milhões em publicidade para os dois partidos. As pesquisas indicam a vitória do "sim".