Capriles e Maduro trocam críticas a 1 semana do início oficial da campanha
O candidato da oposição à presidência venezuelana, Henrique Capriles, pediu nesta sexta-feira a seu rival político e presidente interino, Nicolás Maduro, que faça campanha sem "abusar do poder" ao criticar as transmissões obrigatórias de rádio e televisão. "Vamos, Nicolás, venha fazer campanha e percorrer o país, sem cadeias (de rádio e TV), sem abusar do poder, sem utilizar os recursos dos venezuelanos", escreveu Maduro em sua conta no Twitter.
"Nicolás, candidato, em cadeia nacional, abusando de uma presidência espúria. O povo não o elegeu! Como seria sua candidatura sem recursos do Estado?", questionou. Capriles se referiu assim a um ato oficial que Maduro liderou na cidade de Maracaibo e que foi transmitido em cadeia de rádio e televisão.
Durante um evento nesta sexta-feira, ele lamentou não ter mencionado "um milhão de vezes" em seus discursos o nome de Chávez, respondendo às críticas por utilizar a figura do falecido líder para alavancar sua candidatura nas eleições presidenciais de abril. "Alguém disse 'Maduro nomeou Chávez umas 4.500 vezes', e eu respondo: é muito pouco, deveria tê-lo nomeado um milhão de vezes, deveria ter falado o nome dele tantas vezes quanto eu penso, tantas vezes como eu sinto", disse Maduro durante um ato na cidade de Maracaibo, no Estado Zulia (noroeste).
Nesse evento, o presidente interino inaugurou obras de infraestrutura e anunciou outras novas, entre as que se destaca um corredor viário chamado "Hugo Rafael Chávez Frías". Também dirigiu um ônibus vermelho, cor do chavismo, com a imagem de Chávez na lateral, enquanto inaugurava uma linha da rede estatal de transporte público Metrobus, onde trabalhou na década de 90, antes de se dedicar à política, segundo imagens do canal estatal VTV.
Frente a constante presença da figura de Chávez no discurso de Maduro, surgiu o site web madurodice.com, que garante que o presidente interino mencionou o nome de Chávez 3.792 vezes desde seu falecimento. A página informa que monitora diariamente as intervenções públicas de Maduro pela rádio e televisão, mostrando estatísticas sobre as menções diárias.
Chávez morreu no último dia 5 de março em consequência de um câncer diagnosticado em meados de 2011 e que o obrigou submeter-se a quatro operações assim como a tratamentos de quimioterapia e radioterapia. Maduro e Capriles, assim como outros cinco candidatos, se enfrentarão no próximo dia 14 de abril, no pleito convocado para escolher o presidente que sucederá Chávez e que concluirá o mandato 2013-2019, que começou no último dia 10 de janeiro.
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