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Aliados reagem a Trump e defendem exercícios militares com EUA diante da ameaça da Coreia do Norte

18 ago 2026 - 06h26
(atualizado às 07h34)
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O general norte-americano Xavier T. Brunson (à esquerda), comandante das Forças dos EUA na Coreia do Sul, após sua visita ao Ministério da Defesa em Seul, em 18 de agosto de 2026.
O general norte-americano Xavier T. Brunson (à esquerda), comandante das Forças dos EUA na Coreia do Sul, após sua visita ao Ministério da Defesa em Seul, em 18 de agosto de 2026.
Foto: AFP - - / RFI

A Coreia do Sul e o Japão minimizaram nesta terça-feira (18) as críticas do presidente americano, Donald Trump, às manobras militares conjuntas entre Washington e Seul e reforçaram a importância da cooperação regional. As declarações ocorrem após Trump anunciar uma redução da participação americana nos exercícios, justificando a medida por sua política de aproximação com Pyongyang.

A presidência da Coreia do Sul afirmou que os exercícios anuais realizados em conjunto com os Estados Unidos não têm como objetivo "atacar" a Coreia do Norte. Donald Trump anunciou a redução da participação americana, alegando que as manobras enviavam a Pyongyang um "sinal totalmente inadequado e hostil".

O Japão também reagiu às declarações do presidente americano e insistiu na necessidade de manter uma frente unida entre os aliados. Tóquio ressaltou que a cooperação trilateral entre Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão é "essencial para a paz e a estabilidade da região".

Mudança de postura de Washington

Trump surpreendeu Seul no domingo (16) ao classificar os exercícios como "caros" e afirmar que eles transmitiam uma imagem hostil à Coreia do Norte. O presidente americano voltou a citar sua "excelente relação" com o líder norte-coreano Kim Jong-un para justificar a redução "considerável" da participação dos Estados Unidos no Ulchi Freedom Shield, exercício anual realizado pelos dois países.

Segundo Trump, não foi possível cancelar totalmente as manobras porque a decisão foi tomada tarde demais.

A medida se soma a uma série de iniciativas consideradas desfavoráveis a aliados históricos dos Estados Unidos desde o retorno do republicano à Casa Branca, em 2025.

Em resposta, o presidente sul-coreano Lee Jae Myung declarou, por meio de assessores, que o objetivo fundamental dos exercícios não é "tratar uma entidade específica como adversária, mas preservar, com segurança e paz, a vida cotidiana da população".

Diálogo ainda sem resposta de Pyongyang

Desde que assumiu o cargo, em 2025, Lee adotou uma política oposta à de seu antecessor, conhecido pela linha dura em relação ao Norte. O presidente sul-coreano passou a defender negociações sem condições prévias com Pyongyang. Até o momento, porém, o regime norte-coreano não respondeu às iniciativas de diálogo.

Os exercícios, iniciados na segunda-feira (17), devem durar 11 dias e terão como foco as lições extraídas da atuação das tropas norte-coreanas que combateram ao lado da Rússia na guerra da Ucrânia.

Tradicionalmente, as manobras mobilizam cerca de 18 mil militares sul-coreanos, além de integrantes das forças americanas estacionadas no país, que somam aproximadamente 28.500 soldados.

Seul afirmou que os exercícios começaram "como previsto" e manifestou a expectativa de que a relação pessoal entre Trump e Kim Jong-un possa abrir caminho para um "diálogo construtivo" e futuras negociações.

Relação entre Trump e Kim

Donald Trump já tentou negociar diretamente com Kim Jong-un durante seu primeiro mandato. As conversas fracassaram em 2019 por divergências sobre a desnuclearização do regime, exigida por Washington e rejeitada por Pyongyang, além de discordâncias sobre a suspensão das sanções internacionais impostas ao país.

A Coreia do Norte possui armas nucleares e continua realizando testes de mísseis, apesar das restrições impostas pela comunidade internacional.

Nesta terça-feira, o ministro da Defesa da Austrália, Richard Marles, que recebeu em Camberra seu homólogo japonês, Shinjiro Koizumi, manifestou "grande preocupação" com o avanço dos programas nuclear e balístico norte-coreanos.

Na segunda-feira (17), durante uma entrevista no Salão Oval, Trump foi questionado sobre uma possível reação positiva de Kim Jong-un à decisão de reduzir a participação americana nos exercícios militares.

"Sim, ele reagiu", respondeu o presidente, classificando a situação como um desenvolvimento "muito positivo", sem esclarecer se houve contato direto entre os dois líderes.

"Na verdade, estou tornando a região mais segura. Kim Jong-un sempre me tratou com muito respeito", afirmou Trump. "Eu o compreendo. E ele me compreende."

Trump também associou a redução da participação americana nos exercícios à recusa de Seul em apoiar a campanha militar dos Estados Unidos contra o Irã.

Segundo o presidente, o conflito, que já dura quase seis meses, elevou significativamente os custos da operação, obrigando Washington a redistribuir seus recursos militares em diferentes regiões do mundo e a utilizar parte considerável de seus estoques de munição.

Manifestantes sul-coreanos realizam uma manifestação contra os exercícios militares conjuntos, o Ulchi Freedom Shield (UFS), entre os EUA e a Coreia do Sul, em frente à Embaixada dos EUA em Seul, na Coreia do Sul, na segunda-feira, 17 de agosto de 2026. As faixas exibem a mensagem “Parem o exercício Ulchi Freedom Shield”.
Manifestantes sul-coreanos realizam uma manifestação contra os exercícios militares conjuntos, o Ulchi Freedom Shield (UFS), entre os EUA e a Coreia do Sul, em frente à Embaixada dos EUA em Seul, na Coreia do Sul, na segunda-feira, 17 de agosto de 2026. As faixas exibem a mensagem “Parem o exercício Ulchi Freedom Shield”.
Foto: RFI

Protestos

Os exercícios conjuntos entre Seul e Washington também enfrentam oposição de grupos pacifistas e movimentos de esquerda na Coreia do Sul. Na segunda-feira, manifestantes realizaram um protesto em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Seul contra o Ulchi Freedom Shield.

Os participantes exibiram faixas com a mensagem "Parem o exercício Ulchi Freedom Shield" e criticaram as manobras, que consideram um fator de aumento das tensões na Península Coreana.

Enquanto o governo sul-coreano defende os exercícios como uma medida necessária para a segurança nacional e a dissuasão diante das ameaças de Pyongyang, seus opositores argumentam que eles dificultam a retomada do diálogo com a Coreia do Norte.

Com AFP

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