'Alberta mais forte em Canadá unido': província vota para seguir sendo parte do país
Eleitores da província recusaram por ampla margem uma proposta para iniciar um processo para a independência.
Eleitores da província canadense de Alberta rejeitaram, por ampla margem de cerca de 76% dos votos, uma proposta para iniciar o processo de independência do país. A votação representou uma vitória para defensores da unidade nacional, como o premiê Mark Carney e a governadora Danielle Smith, que celebraram a permanência. Apesar da derrota nas urnas, líderes do movimento separatista, impulsionado por queixas econômicas ligadas ao setor de petróleo, afirmaram que pretendem continuar com a causa.
Os eleitores da província de Alberta, no Canadá, rejeitaram por ampla margem uma proposta para iniciar um processo que poderia levar à independência, segundo as projeções da rede de televisão canadense CBC.
O resultado é uma derrota para os defensores da separação e um respaldo para o primeiro-ministro Mark Carney e para aqueles os defendem a unidade do país.
Com mais de um milhão de votos — aproximadamente um terço do total —apurados nas primeiras horas desta terça-feira (20/10), cerca de 76% apoiavam a permanência de Alberta no Canadá, frente a 23% a favor de iniciar um processo que poderia levar à independência.
"Os habitantes de Alberta tomaram uma decisão clara. Escolheram a unidade, construir (um futuro) juntos e cuidar uns dos outros", comentou Carney após o anúncio dos resultados preliminares.
"Agora temos a oportunidade de aproveitar tudo o que temos como canadenses. Recebemos o melhor país do mundo e podemos torná-lo um lugar melhor para todos."
Na segunda-feira, os eleitores da rica província canadense de Alberta exerceram seu direito de voto para decidir se queriam iniciar um processo legal para realizar um referendo vinculante sobre a independência do Canadá ou continuar fazendo parte do país norte-americano.
A pergunta sobre a independência era a de número 10 de um total de dez apresentadas aos eleitores.
A pergunta feita aos eleitores foi: "Alberta deve permanecer uma província do Canadá, ou o governo de Alberta deve iniciar o processo legal exigido pela Constituição canadense para a realização de um referendo provincial vinculativo sobre se Alberta deve ou não se separar do Canadá?"
Havia duas opções na cédula de votação: Opção A — permanecer no Canadá; e Opção B — iniciar o processo para a realização de um referendo.
As outras nove perguntas na consulta pública abordavam temas como imigração, saúde e educação, mas foram ofuscadas pelo intenso debate sobre a separação.
Por décadas, alguns moradores de Alberta, uma província tradicionalmente conservadora e rica em petróleo, reclamavam que o governo federal, sediado em Ottawa, tratava a região apenas como uma fonte de recursos e que sua voz tinha pouco peso na política canadense.
No entanto, as ideias separatistas permaneceram durante anos à margem do debate político.
Isso começou a mudar depois que o liberal Justin Trudeau foi reeleito primeiro-ministro em 2019.
Em pequenas localidades de Alberta começaram a surgir assembleias cidadãs que defendiam a separação.
O movimento ganhou força à medida que crescia o descontentamento com a resposta de Trudeau à pandemia de covid-19 e com as medidas de vacinação obrigatória, que alguns consideravam uma demonstração de extrapolação de poderes por parte do governo federal.
'Uma Alberta mais forte dentro de um Canadá unido'
Com o tempo, as vozes separatistas ganharam protagonismo na política provincial e conseguiram se consolidar no Partido Conservador Unido, a sigla da primeira-ministra de Alberta (cargo equivalente a governadora), Danielle Smith.
Smith afirmou estar muito satisfeita por os resultados iniciais mostrarem um "apoio generalizado" para que Alberta continuasse fazendo parte do Canadá.
"Os habitantes de Alberta votaram por uma Alberta mais forte dentro de um Canadá unido", escreveu ela em uma publicação no X.
Muitos dos defensores da secessão sustentam que o crescimento econômico da província, rica em petróleo, foi prejudicado pelas políticas ambientais do governo federal, sediado em Ottawa.
Por sua vez, aqueles que defendiam que Alberta continuasse fazendo parte do Canadá, entre eles o primeiro-ministro Carney, pediram ao país que demonstrasse unidade diante das pressões externas.
As pesquisas indicavam que a maioria dos habitantes da província votaria a favor da permanência no Canadá.
Resistência
Mas a discussão em torno da independência de Alberta ainda não foi encerrada.
Líderes do movimento separatista indicaram que planejam remover Smith do poder no Partido Conservador Unido, na esperança de colocar no comando alguém mais simpático à sua causa.
O advogado Jeffrey Rath, um dos líderes do movimento separatista de Alberta, adotou um tom desafiador após a divulgação de projeções do referendo, afirmando que "nosso movimento não vai parar e continuamos avançando".
Em entrevista à BBC, Rath descreveu a votação de segunda-feira como um "primeiro passo" que trouxe "lições valiosas" ao movimento.
Ele estima que centenas de milhares de outros moradores da província apoiaram a independência e insiste que, "do ponto de vista matemático e econômico", os argumentos a favor de sua causa fazem sentido.
Ao ser questionado se o movimento pretende continuar promovendo votações sobre a independência até obter o resultado desejado, ele disse: "Por que não?"
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