EUA e Cuba trocam farpas na ONU antes da votação sobre sanções
EUA e Cuba trocaram acusações na ONU após diplomatas norte-americanos sediarem um evento com dissidentes cubanos sobre direitos humanos. O confronto ocorre antes da votação anual da resolução contra o embargo econômico dos EUA, mantido há mais de 60 anos. Washington acusa o regime de opressão e mentiras, enquanto Havana classifica as sanções como punição coletiva ilegal, responsabilizando-as pela pior crise econômica e energética que a ilha enfrenta em décadas.
Os Estados Unidos e Cuba trocaram acusações na Organização das Nações Unidas nesta segunda-feira, depois que diplomatas norte-americanos organizaram um evento com a participação de dissidentes cubanos, antes da votação anual da ONU, na próxima semana, sobre uma resolução que pede o fim do embargo dos EUA à ilha.
O embaixador cubano na ONU, Ernesto Soberón Guzmán, e outros representantes gritaram com o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, quando ele saía do evento no prédio da ONU, que teve como foco alegações de violações dos direitos humanos por parte do governo cubano.
As tensões entre as duas nações estão aumentando antes da votação da resolução não vinculativa, que vem sendo aprovada na Assembleia Geral da ONU por ampla maioria todos os anos desde 1992, e em meio à crescente pressão causada pelo bloqueio petrolífero imposto pelos EUA a Cuba.
"Espero que vocês... tenham notado os chamados diplomatas da embaixada cubana aqui, que permitimos a presença por força de um tratado, assediando, gritando, intimidando e filmando não apenas nossos ex-presos políticos recém-libertados, mas também outras pessoas", disse Waltz a repórteres em Nova York.
"Ano após ano, o regime cubano vem à Assembleia Geral e propaga uma mentira por meio de sua resolução anual... Ele usa uma desculpa atrás da outra para justificar sua opressão, para justificar o sofrimento do povo cubano, e o que estamos fazendo aqui na missão dos EUA na ONU é expor essas mentiras", afirmou ele.
A votação está prevista para os dias 27 e 28 de outubro, informaram autoridades.
Os EUA mantêm um embargo comercial contra Cuba há mais de 60 anos, e o governo do presidente norte-americano Donald Trump vem intensificando a pressão, após ter recorrido aos militares em janeiro para destituir o presidente venezuelano Nicolás Maduro.
A votação na ONU pode ter peso político, mas somente o Congresso dos EUA pode suspender o embargo da era da Guerra Fria.
Cuba atribuiu às sanções dos EUA a crise em que o país se encontra atolado — a pior recessão econômica em décadas, caracterizada pela escassez de bens básicos, infraestrutura em colapso e inflação galopante.
"Os EUA estão agindo como um delinquente internacional, impondo punição coletiva ao povo de Cuba. Estão infligindo imenso sofrimento a toda a população de uma nação pacífica", disse Guzmán, o embaixador cubano, em uma reunião improvisada do lado de fora do encontro dos EUA com dissidentes.
No mês passado, Trump afirmou na ONU que Cuba era um Estado falido e que a liberdade chegaria à nação insular.
A rede elétrica de Cuba sofreu um colapso total no mês passado, mergulhando o país na escuridão e deixando milhões sem energia elétrica.
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