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Agência da ONU para refugiados reduz número de cargos e orçamento para 2027, mostram documentos

28 ago 2026 - 11h32
(atualizado às 11h42)
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Resumo
Devido a cortes de doadores como os EUA, a agência da ONU para refugiados (Acnur) reduziu seu orçamento em 16% e cortou cerca de 3.500 postos para 2027, momento em que o total de deslocados globais deve bater recorde. A crise financeira forçou a redução da ajuda humanitária, fechamento de escritórios e reformas internas. Para se adaptar à escassez de recursos, o órgão priorizará emergências vitais, a garantia de proteção, o retorno voluntário e ações de autossuficiência aos refugiados.

A agência da ONU para refugiados ‌reduziu seu orçamento em 16% e diminuiu seu quadro oficial de funcionários em cerca de 3.500, à medida que se adapta a novas restrições financeiras, em um momento em que se prevê que o número de deslocados em todo o mundo atinja um recorde histórico no próximo ano, segundo diplomatas e documentos analisados pela ⁠Reuters.

Os cortes totais, no papel, representariam quase a redução pela metade da força de ‌trabalho e uma queda de um terço no orçamento desde 2025, revelando o impacto cumulativo dos cortes decorrentes das reduções nos orçamentos de ajuda externa por ‌parte do governo Trump e de outros.

Em 2025, ‌o Acnur contava com 16.126 cargos previstos no orçamento, contra 12.051 neste ⁠ano e 8.540 em 2027, segundo os documentos orçamentários, excluindo cargos temporários e prestadores de serviços.

Autoridades do Acnur apresentaram os últimos cortes aos Estados membros em uma reunião da ONU em Genebra na quinta-feira, segundo três diplomatas presentes no evento.

No entanto, um porta-voz da agência de refugiados da ONU disse que, na realidade, cortes ‌tão grandes não seriam implementados, já que muitos cargos nunca foram preenchidos nos orçamentos ‌anteriores, que refletiam necessidades e ⁠metas de financiamento, e ⁠não doações efetivamente recebidas.

"AS RESTRIÇÕES ORÇAMENTÁRIAS SÃO REAIS"

O porta-voz afirmou que as projeções de receita ⁠para o próximo ano eram comparáveis às ‌de 2026.

"A organização enfrentou um ‌déficit significativo de financiamento em 2025 e, como consequência, já foi obrigada a realizar reduções substanciais na força de trabalho", disse ele.

No entanto, a organização reformaria políticas "injustificadas" que afetavam até 1.000 funcionários, as quais anteriormente lhes permitiam permanecer ⁠empregados durante longos períodos entre missões, segundo ele.

"As restrições orçamentárias são reais, mas também estamos avançando com uma agenda de reformas abrangente para tornar o Acnur mais ágil, econômico e responsável", disse o porta-voz.

A agência foi particularmente afetada pelos cortes dos doadores e já foi forçada ‌a reduzir a ajuda aos refugiados, cortar milhares de empregos, fechar um escritório na África Austral e está se mudando de sua sede em Genebra para um ⁠prédio mais barato na cidade a fim de economizar dinheiro.

Criada após a Segunda Guerra Mundial para ajudar refugiados que fugiam da guerra, da perseguição e da violência, a agência depende quase inteiramente de financiamento voluntário, grande parte dele pré-designado pelos doadores para projetos com preferência política — o que muitos agora consideram uma falha estrutural.

A redução ocorre logo após o governo Trump avaliar uma possível ruptura com a agência, embora o alto comissário Barham Salih tenha, desde então, manifestado esperança de que a parceria continue. Autoridades do governo Trump também instaram outras nações a aderirem a uma campanha para reverter as proteções de asilo.

O Acnur afirmou nos documentos orçamentários que planeja priorizar ajuda a refugiados em situações de emergência, garantindo sua proteção, promovendo o retorno voluntário e incentivando a autossuficiência.

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