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Agência da ONU começa a limpar enorme depósito de lixo na cidade de Gaza, à medida que cresce risco para a saúde

11 fev 2026 - 15h04
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O Programa das Nações Unidas ‌para o Desenvolvimento começou  a limpar um enorme depósito de lixo da guerra que engoliu um dos bairros comerciais mais antigos da cidade de Gaza e representa um risco ambiental e à saúde.

Alessandro Mrakic, chefe do escritório do Pnud em Gaza, disse que o trabalho começou para remover o monte de resíduos sólidos que tomou conta do outrora movimentado Mercado Fras, na principal cidade do ⁠enclave palestino.

Ele estima o volume do aterro em mais de 300.000 metros cúbicos e 13m de altura.

O ‌aterro foi formado diante da impossibilidade de equipes municipais chegarem ao principal aterro sanitário de Gaza, na área de Juhr al-Dik — adjacente à fronteira com Israel —, quando a guerra de Gaza ‌começou, em outubro de 2023.

A área de Juhr al-Dik está ‌agora sob controle total de Israel.

Nos próximos seis meses, o Pnud planeja transferir os resíduos ⁠para um novo local temporário, preparado na área de Abu Jarad, ao sul da cidade de Gaza, e construído para atender aos padrões ambientais.

O local cobre 75.000 metros quadrados e também acomodará a coleta diária, disse Mrakic em um comunicado enviado à Reuters. O projeto é financiado pelo Fundo Humanitário e pelas Operações de Proteção Civil e Ajuda Humanitária da União Europeia.

Alguns palestinos vasculhavam o ‌lixo, procurando coisas para levar, mas houve alívio pelo fato de que o espaço do mercado acabaria ‌sendo limpo.

"Ele precisa ser transferido para ⁠um local com um ⁠complexo de resíduos antigos, longe das pessoas. Não há outra solução. O que isso causará? Causará gases, causará doenças, ⁠causará germes", disse o idoso Abu Issa, de ‌Gaza, perto do local.

A prefeitura de ‌Gaza confirmou o início do esforço de realocação em colaboração com o Pnud, chamando-o de uma medida urgente para conter o agravamento da crise de resíduos sólidos, diante do acúmulo de cerca de 350.000 metros cúbicos de lixo no centro da cidade.

SÍMBOLO DA GUERRA

O Mercado ⁠Fras, um bairro histórico que antes da guerra atendia a quase 600.000 residentes com itens que iam de alimentos a roupas e utensílios domésticos, está soterrado sob o lixo há mais de um ano.

Amjad al-Shawa, chefe da Rede de ONGs Palestinas e representante junto à ONU e agências internacionais, disse que o lixão causou "sérios problemas de saúde ‌e ambientais, além da proliferação de insetos e doenças".

"É um símbolo da guerra que durou dois anos", disse ele à Reuters. "Sua remoção pode dar às pessoas uma sensação de esperança de que ⁠o cessar-fogo (acordado em outubro passado) está avançando."

Segundo Shawa, os resíduos serão transportados para um local provisório perto do antigo assentamento de Netzarim, no centro de Gaza, até que as forças israelenses se retirem das áreas orientais e o acesso municipal aos aterros sanitários permanentes possa ser restaurado.

O Pnud afirmou que coletou mais de 570.000 toneladas de resíduos sólidos em Gaza desde o início da guerra, como parte de sua resposta de emergência para evitar uma deterioração ainda maior das condições de saúde pública.

O número de aterros temporários diminuiu de 141 para 56, como parte dos esforços em 2024-25 para extinguir aterros menores, segundo um relatório do Pnud divulgado em dezembro passado.

"No entanto, apenas 10 a 12 desses locais temporários de descarte estão acessíveis e operacionais, e os dois principais aterros sanitários de Gaza continuam inacessíveis. Os riscos ambientais e à saúde pública seguem críticos", acrescentou.

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