RD Congo: OMS pede reforço no combate ao ebola; estudo aponta atraso de meses na detecção do surto
A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu nesta terça-feira (4) um aumento da ajuda da comunidade internacional em todos os níveis para combater a epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC). A doença está se propagando mais rapidamente do que a resposta sanitária. De acordo com um estudo recente divulgado pela revista Science, o surto pode ter começado quatro meses antes de quando foi detectado.
Paulina Zidi, correspondente da RFI em Kinshasa, e AFP
Declarada oficialmente em 15 de maio — após um atraso de várias semanas —, a epidemia atual é causada pela variante Bundibugyo, para a qual não existe nem vacina nem tratamento no momento. Pelo menos três imunizantes, um deles descrito pela OMS como "o mais promissor", estão em desenvolvimento por diferentes laboratórios.
Este é o maior surto de ebola já registrado na RDC. A doença afeta regiões onde a presença do Estado é frágil e a infraestrutura de saúde é extremamente precária. "Infelizmente, a epidemia continua a se espalhar a um ritmo que supera as capacidades de resposta", disse o porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic, durante uma coletiva de imprensa em Genebra.
"Precisamos de mais apoio financeiro, bem como de outros recursos para fortalecer todos os aspectos da resposta: capacidades de tratamento, equipes de investigação em campo, equipes de sepultamento seguro e agentes comunitários de saúde", explicou ele.
No total, foram registrados 3.802 casos confirmados e 1.707 mortes na RDC. A doença é transmitida pelo contato com fluidos corporais e causa febre hemorrágica.
Nos últimos dois meses, a epidemia em curso se espalhou para cinco províncias (Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uélé e Tshopo). No entanto, 87% dos casos foram registrados em Ituri.
Surto pode ter começado em janeiro
Quando o surto foi declarado oficialmente, em 15 de maio, as autoridades já haviam notado um atraso na detecção da doença. Agora, um relatório de uma investigação científica divulgado pela revista Science levanta a hipótese de que os primeiros casos ocorreram ainda em janeiro.
Três pesquisadores passaram quase um mês em Mongbwalu. Foi nessa cidade mineira, localizada a cerca de 80 quilômetros de Bunia, que a epidemia surgiu. Os cientistas conduziram uma investigação, e suas conclusões preliminares apontam para prováveis casos que remontam a janeiro.
A hipótese deles concentra-se em um morador de uma área rural que viajou para Mongbwalu em busca de tratamento médico, levando o vírus consigo; inicialmente, a doença afetou os arredores da cidade. Consequentemente, quando as autoridades identificaram oficialmente o ebola em maio, uma "epidemia generalizada e em expansão" já estava em curso.
A investigação também levou à descoberta de um caso específico: uma mulher de 50 anos que morreu em 25 de janeiro após vomitar sangue. Posteriormente, vários membros de sua família e de seu círculo social adoeceram.
Para os autores do relatório, surge uma questão crucial: como a doença passou despercebida por tanto tempo? Vários fatores são citados: uma cultura de sigilo, crenças místicas, a consideração de outras possíveis doenças e sintomas atípicos que não despertaram alertas entre os profissionais de saúde.
Nesta terça-feira, Jean Kaseya, chefe do Africa CDC (Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças), é esperado em Bunia para se reunir com as equipes de resposta.
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