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"Queria mostrar também os defeitos de Mandela", diz diretor de novo filme

"Long Walk to Freedom", dirigido por Justin Chadwick, é o filme da biografia oficial feito com o aval do próprio Mandela e de sua família

6 dez 2013 16h34
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Da esquerda à direita: o diretor Justin Chadwick e os atores britânicos Naomie Harris, Idris Elba e Lindiwe Matshikiza, durante exibição do filme "Mandela: Long Walk to Freedom", em Paris
Da esquerda à direita: o diretor Justin Chadwick e os atores britânicos Naomie Harris, Idris Elba e Lindiwe Matshikiza, durante exibição do filme "Mandela: Long Walk to Freedom", em Paris
Foto: AP

O Terra conversou com Justin Chadwick, diretor britânico de "Long Walk to Freedom" ("Uma longa caminhada para a liberdade"), novo filme sobre Nelson Mandela, momentos antes do anúncio da morte do líder histórico da África do Sul, durante o tapete vermelho da produção, em Londres. A noticia da morte do ex-presidente sul-africano veio durante a exibição do filme no cinema Odeon, na Leicester Square, prestigiada por suas filhas Zindzi e Zenani.

Estrelado pelo ator lodrino Idris Elba (de "Thor" e "Pacific Rim") e Naomi Harris (de "007 Skyfall"), o filme é a biografia oficial feito com o aval do próprio Mandela e de sua família. O diretor do filme - que ainda não tem data prevista de estreia no Brasil - confessou que estava interessado em mostrar a verdade sobre o ex-líder sul africano.

Terra - Você aceitou o desafio de dirigir o filme considerado a biografia oficial do homem mais famoso do mundo. Não foi intimidador?
Justin Chadwick - Sim, especialmente porque sou de Manchester e não da África do Sul e, por isso, fiquei em dúvida se conseguiria ultrapassar aquela representação icônica que vemos nos livros de história e dos homens. Eu fui até a Africa do Sul e conversei com as pessoas que viveram aquele tempo e percebi que na realidade eu estava livre; o que Mandela, sua família e sua associação gostariam era de uma representação verdadeira. Então não me abstive de mostrar os defeitos de sua personalidade como jovem e a controvérsia relacionada as mulheres. Eu queria ser verdadeiro com relação aos homens e às mulheres que estávamos representado e isso foi muito libertador, especialmente vindo de fora; eu passei tempo com pessoas que viveram os dois lados da luta.

Terra - É interessante você mencionar a controvérsia com as mulheres. Você ficou preocupado com isso ou acha que o beneficiou para contar a historia?
Chadwick - Eu queria ser verdadeiro aos homens e mulheres que representamos. Não poderíamos obviamente contar a história completa. A vida de Mandela representa cem anos da mais turbulenta história documentada nos tempos modernos, mas o coração dessa história eram duas pessoas: um homem um uma mulher que se apaixonaram, formaram uma família e pagaram um preço muito grande. A base desse filme é uma história de amor. Por mais que seja uma história sobre o apartheid, é também sobre amor e perdão. A nossa preocupação constante foi de ser verdadeiro, real, de criar sets de 360 graus que seriam iguais aos daquela época, para que os atores se sentissem mesmo durante aquela luta e trabalhando com as pessoas que viveram aquilo. Aquele monte de pessoas que você vê no filme são pessoas reais, atuando com o Idris Elba que está representando o líder deles, o homem que os guiou. E essa era a maneira de fazer esse filme.

Terra - Você transformou uma estrela de cinema em um dos personagens mais reconhecidos no mundo. Como foi?
Chadwick - Bem, (de) tudo que ouvi sobre Mandela das pessoas que eu conversei, todas me falaram dele como uma estrela, da sua energia, calor, carisma, e Idris Elba é certamente uma estrela. Ele foi um homem corajoso de encarar esse papel e particularmente da maneira que estavamos fazendo, com pessoas que  conheciam o Mandela intimamente. Apesar de legais, os sul-africanos não tolerariam um filme que não contasse a verdade. Ele foi intenso e manteve o espirito do Mandela durante todo o filme. Naomi (Harris) também; ela foi a única atriz a viver a Winnie que a conheceu na vida real. E a química entre o Idris e ela foi excelente.

Fonte: Especial para Terra
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