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A demonstração de força de Xi Jinping a Trump ao marcar encontro com Kim Jong Un e Putin

Os líderes da Coreia do Norte e da Rússia participarão do desfile militar da China na próxima semana — uma vitória diplomática para o líder chinês diante do presidente americano.

28 ago 2025 - 07h22
(atualizado às 13h52)
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Chinese President Xi Jinping arrives at the G20 leaders summit on June 28, 2019 in Osaka, Japan.
Chinese President Xi Jinping arrives at the G20 leaders summit on June 28, 2019 in Osaka, Japan.
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

O líder norte-coreano Kim Jong Un participando de um desfile militar no centro de Pequim, ao lado do presidente russo Vladimir Putin e do líder chinês Xi Jinping, rende uma imagem poderosa.

Mas é também uma vitória diplomática importante para Xi.

O dirigente chinês vem se esforçando para projetar o poder de Pequim no cenário internacional — não apenas como a segunda maior economia do mundo, mas também como um peso-pesado diplomático. Ele tem destacado o papel da China como parceiro comercial estável, num momento em que as tarifas impostas por Trump abalaram relações econômicas globais.

Agora, enquanto um acordo com Putin para encerrar a guerra na Ucrânia continua fora do alcance do presidente dos EUA, Xi se prepara para recebê-lo em Pequim. A presença de Kim, anunciada de surpresa, não é menos significativa.

Na semana passada, Trump disse, em encontro com o presidente da Coreia do Sul, que gostaria de se reunir novamente com Kim Jong Un. Sua última tentativa de diplomacia com o líder recluso terminou sem avanços — apesar de duas cúpulas que prenderam a atenção do mundo. Ainda assim, Trump sugere que quer tentar de novo.

Enquanto isso, o líder chinês sinaliza que pode estar com as cartas geopolíticas na mão — e que sua influência, ainda que limitada, sobre Kim e Putin pode ser decisiva em qualquer negociação.

O desfile de 3 de setembro exibirá o poderio militar da China para marcar os 80 anos desde a rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial, que pôs fim à ocupação de partes do território chinês.

Mas Xi transformou o evento em algo além disso — e o momento é estratégico. A Casa Branca sugeriu que o presidente Trump pode estar na região no fim de outubro e aberto a se encontrar com Xi.

Há muito sobre a mesa para eles discutirem: desde o aguardado acordo sobre tarifas e a venda do TikTok nos Estados Unidos, até a capacidade de Pequim de convencer Putin a aceitar um cessar-fogo — ou algo mais — na Ucrânia.

Agora, depois de ter se reunido com Kim e Putin, o líder chinês poderá se sentar com Trump sem dar a impressão de estar à margem das negociações — e, graças à sua proximidade com os dois, talvez até tenha informações que seu contraparte norte-americano desconhece.

Aos olhos do Ocidente, Rússia e Coreia do Norte são párias. Kim há muito mais tempo que Putin, por causa de seu programa nuclear; mas seu apoio à invasão da Ucrânia renovou as condenações internacionais. Por isso, o convite para Pequim representa um grande passo para ele — a última vez que um líder norte-coreano participou de um desfile militar na China foi em 1959.

Desde 2019, quando se encontraram para celebrar os 70 anos da aliança sino-coreana, Xi e Kim tiveram pouco contato público. Pequim também foi a primeira parada de Kim Jong Un em 2018, antes de suas cúpulas com o presidente Trump para tentar conter o programa nuclear de Pyongyang.

Mais recentemente, Xi chegou a parecer à margem da aliança cada vez mais estreita entre Moscou e Pyongyang — uma relação da qual Pequim talvez preferisse não participar.

A invasão da Ucrânia pela Rússia aproximou Kim Jong Un e Vladimir Putin
A invasão da Ucrânia pela Rússia aproximou Kim Jong Un e Vladimir Putin
Foto: Getty Images / BBC News Brasil

A China tem procurado manter uma posição de neutralidade pública em relação à guerra na Ucrânia, ao mesmo tempo em que pede uma solução pacífica. Mas os Estados Unidos e seus aliados acusam Pequim de apoiar os esforços de Moscou, fornecendo componentes que a Rússia pode usar em sua máquina de guerra.

Alguns analistas chegaram a cogitar que a relação da China com a Coreia do Norte tivesse esfriado à medida que Kim se aproximava de Putin. Mas a visita de Kim a Pequim na próxima semana sugere o contrário.

Não é uma relação da qual o líder norte-coreano possa abrir mão facilmente — sua economia depende fortemente da China, que responde por quase 90% das importações de alimentos. Além disso, estar naquele palco, não apenas ao lado de Putin e Xi, mas também de outros líderes, como os da Indonésia e do Irã, dá a Kim legitimidade.

Para Xi, trata-se de uma alavanca diplomática diante de Washington, às vésperas de uma possível cúpula com Trump. Os dois países continuam em negociações para tentar chegar a um acordo e evitar tarifas devastadoras e uma guerra comercial. Mais uma trégua de 90 dias está em vigor, mas o tempo corre, e Xi quer ter a mão mais forte possível conforme as tratativas avançam.

Ele tem muito a oferecer: a China já ajudou Trump no passado, quando ele tentou se encontrar com Kim Jong Un. Poderia Xi repetir esse papel?

Mais importante ainda é a questão de qual papel a China poderia desempenhar para encerrar a guerra na Ucrânia.

E a pergunta mais instigante de todas: poderia haver um encontro entre Xi, Putin, Kim e Donald Trump?

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