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A dura tarefa de obter visto para entrar no México

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Danilo Saraiva


Nunca pensei que tirar visto para ir ao México fosse tão difícil. Depois de três dias de tentativa, recebi a autorização entrar no país. E não foi nada fácil.

Tudo começou quando recebi o convite para acompanhar o lançamento de um filme na Cidade do México. Como pede o mundo globalizado, a proposta chegou apenas uma semana antes da viagem. Com a autorização da minha empresa, entrei no site do consulado para fazer a coleta dos documentos. Procurei a categoria "jornalista" e vi que eles exigiam poucos: uma cópia da conta de luz, telefone ou água; cópia do passaporte e uma carta da empresa, além, claro, do convite.

Como sou prevenido, resolvi coletar outros documentos: contas de movimentação do cartão de crédito internacional, extratos bancários, holerite e até cópia do contrato do aluguel do meu apartamento. Antes de agendar meu horário, liguei no consulado e eles disseram que a carta de vínculo empregatício deveria ser reconhecida em firma, o que não é exigido nem para ingressar nos Estados Unidos. Corri contra o tempo para conseguir o documento e marquei minha entrevista para o primeiro horário do dia seguinte.

Ao chegar no consulado, um porteiro, brasileiro, barrava as pessoas e pedia para ver todos os documentos possíveis antes de entrar. Ali mesmo, um homem estava aos gritos, brigando com um dos seguranças. Ele queria falar com um dos representantes do país, pois tinha recebido convite do governo mexicano para fazer um projeto na Cidade do México. No entanto, seu visto tinha sido negado e ele não conseguia mais fazer agendamentos pelo site devido a um erro com o CPF. Ele me mostrou que possuía todos os documentos exigidos pelo site, mas aparentemente a recusa veio porque ele não tinha movimentado seu cartão de crédito internacional nos últimos três meses, mesmo possuindo um.

Como eu queria um visto "simplificado", de jornalista, entrei sem problemas. Passei então para a segunda triagem de documentos. Um rapaz muito simpático me atendeu e disse que ainda faltava a cópia do crachá de onde eu trabalhava. No site, não havia nada especificado sobre isso. Tive que sair do consulado e procurar uma loja que tivesse máquina de Xerox. Depois de andar quatro quarteirões, fiz o Xerox e voltei para o local. Pude reparar também que as pessoas que possuíam visto para visitar os Estados Unidos ficavam de um lado específico, separadas das pessoas "normais". É de se notar a paranóia que se formou no país por causa dos imigrantes ilegais.

Passada a triagem, aguardei na fila e fui chamado pelo cônsul de "negócios". Mostrei meus documentos (até os que estavam em excesso) e o visto não foi aprovado. Aparentemente, o cônsul não entendeu porque um jornalista brasileiro iria participar do lançamento de um filme americano no México, mesmo com a passagem emitida e a reserva do hotel garantida. Pedi uma nova chance.

Voltei para a firma e resolvi preparar uma nova carta de apresentação, informando que iria fazer a cobertura do lançamento de um filme, que já tinha feito várias reportagens do gênero e até dados do perfil da empresa eu incrementei (informando o número de funcionários, por exemplo). Citei ainda os atores que seriam entrevistados, o CNPJ da empresa que me convidou, o endereço do hotel onde eu iria me hospedar e o número da minha carteira de trabalho.

No dia seguinte, além de enfrentar toda a fila de novo, o cônsul ainda me pediu outro documento: algo que comprovasse que eu era mesmo repórter. Se eu deixasse para outro dia, perderia a chance de viajar. Por sorte, dias antes eu tinha imprimido algumas matérias que tinha feito para guardar no meu portfólio e elas ainda estavam na minha mochila. Mostrei a ele e me perguntaram se poderiam arquivar junto com a autorização do visto. Disse que sim. Pronto, o protocolo de retirada foi emitido. Imagina se eu fosse turista.

Fonte: Terra
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