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Moraes diz não ter "poder demais" e defende "vacina" contra "doença" do autoritarismo no Brasil

18 ago 2025 - 12h18
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O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes rejeitou as acusações de que conduz uma "caça às bruxas" contra Jair Bolsonaro e aliados políticos. Em entrevista ao jornal norte-americano Washington Post, o magistrado negou recuar diante das críticas e afirmou que sua atuação funciona como "uma vacina" contra a "doença" do autoritarismo.

O ministro Alexandre de Moraes, durante sessão do STF
O ministro Alexandre de Moraes, durante sessão do STF
Foto: Fellipe Sampaio/STF / Perfil Brasil

Segundo o ministro, pressões vindas do governo de Donald Trump não alteram sua postura. A Casa Branca impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, revogou seu visto e incluiu seu nome na lista de sancionados pela chamada Lei Magnitsky, usada em casos de violações de direitos humanos.

A democracia precisa de "anticorpos"

Na conversa com o jornal, Moraes explicou que países com histórico de rupturas institucionais tendem a criar defesas mais fortes. "Entendo que, para a cultura americana, é mais difícil compreender a fragilidade da democracia, porque lá nunca houve golpe", disse. "Mas o Brasil teve anos de ditadura sob Getúlio Vargas, depois mais 20 anos de regime militar e inúmeras tentativas de golpe. Quando se é mais atacado por uma doença, você forma anticorpos mais fortes e busca uma vacina preventiva".

A reportagem descreveu Moraes como "xerife da democracia". O ministro contou que assistia a um jogo do Corinthians quando foi informado de que Bolsonaro havia desobedecido à ordem de não usar redes sociais. Na ocasião, segundo ele, "agiu imediatamente" e determinou, em 4 de agosto, a prisão domiciliar do ex-presidente.

Ao Washington Post, Moraes declarou não se intimidar. "Não existe a menor possibilidade de recuar nem um milímetro" afirmou. "Faremos o que é certo: receberemos a acusação, analisaremos as provas, e quem tiver que ser condenado, será condenado; quem tiver que ser absolvido, será absolvido".

O jornal lembrou também da decisão que suspendeu a plataforma X no Brasil, após descumprimento de ordens judiciais, e citou a reação do bilionário Elon Musk, que chamou o magistrado de "Darth Vader do Brasil". O texto destacou ainda que Moraes determinou a prisão de políticos e ex-ocupantes de cargos públicos, além da destituição do então governador do Distrito Federal após os atos de 8 de janeiro de 2023.

"Agora, ao colocar o ex-presidente em prisão domiciliar e bani-lo das redes sociais, ele efetivamente silenciou uma das figuras da direita global mais conhecidas do mundo", escreveu o Washington Post. Para o jornal, Moraes se tornou "o jurista mais poderoso da história do Brasil".

'Escolhido' para o "escudo" contra ataques

Amigos e colegas ouvidos pelo jornal afirmaram que suas "medidas firmes ajudaram a preservar a democracia brasileira em um momento em que o autoritarismo cresce em todo o mundo". Outros, porém, disseram que o ministro ficou "poderoso demais" e teria cometido "excessos". Moraes discordou dessa avaliação: "Não há como recuar daquilo que devemos fazer. Digo isso com total tranquilidade", declarou

A reportagem relembrou que, em 2019, o então presidente do STF Dias Toffoli pediu a Moraes que conduzisse uma investigação sobre "fake news" e retórica antidemocrática. À época, Bolsonaro e aliados intensificavam ataques à Corte, inclusive o deputado Eduardo Bolsonaro. Para o Washington Post, a decisão representou uma "ruptura", já que o Supremo "tradicionalmente não tem autoridade para iniciar investigações próprias".

Desde então, Moraes centralizou os inquéritos relacionados a ataques à ordem democrática. Como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, em 2022, conduziu processos que levaram à inelegibilidade de Bolsonaro e assumiu apurações sobre planos golpistas. Um deles apontava que o ex-presidente teria cogitado permanecer no poder à força, chegando a considerar a eliminação de adversários. Bolsonaro nega e afirma ser alvo de perseguição.

Perfil Brasil
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