"Meu Guardião e Protetor": jornal revela supostas cartas íntimas de assessora a Trump
Mensagens atribuídas a Natalie Harp foram divulgadas pelo Daily Beast, mas a CNN não confirmou de forma independente a autoria ou o envio das cartas
Cartas atribuídas à assessora Natalie Harp, divulgadas pelo Daily Beast, revelam forte devoção pessoal a Donald Trump, chamado por ela de "Guardião e Protetor". Nas mensagens de 2023, a funcionária pede desculpas por incidentes em viagens, relata exaustão e demonstra medo de desagradar ao líder. Os documentos teriam circulado entre a equipe de campanha, mas sua autenticidade não foi confirmada de forma independente pela CNN.
Duas cartas atribuídas à assessora executiva Natalie Harp revelam uma relação de forte admiração e devoção ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os documentos foram divulgados pelo jornal Daily Beast e teriam sido enviados em 2023, durante ou logo depois de uma viagem de Trump à Escócia e à Irlanda.
A CNN, contudo, não confirmou de forma independente que as cartas tenham sido escritas ou enviadas por Harp. A emissora procurou a Casa Branca para comentar especificamente o conteúdo das mensagens. Segundo o Daily Beast, uma das cartas traz uma declaração particularmente pessoal. Harp teria chamado Trump de "meu Guardião e Protetor nesta vida" e afirmado: "Você é tudo o que importa para mim."
Cartas teriam sido encontradas entre documentos entregues a Trump
De acordo com o Daily Beast, as cartas foram obtidas por uma fonte do governo americano e chegaram às mãos do biógrafo de Trump, Michael Wolff. Segundo o relato publicado pelo jornal, integrantes da equipe de Trump teriam encontrado os documentos entre pilhas de papéis impressos que Harp costumava entregar ao presidente. As cartas teriam sido fotografadas e as imagens começaram a circular entre funcionários da campanha.
Harp trabalha nas proximidades do Salão Oval e é conhecida como uma espécie de "gatekeeper", termo usado para definir quem controla o acesso ao presidente. Ela também recebeu entre funcionários o apelido de "Human Printer", ou "Impressora Humana", por seu hábito de imprimir reportagens e informações favoráveis a Trump para entregar pessoalmente a ele.
Assessora teria pedido desculpas a Trump
Uma das cartas tem tom de desculpas. Harp aparentemente temia ter desagradado Trump durante a viagem. "Desculpe. Achei que eu tivesse sido a única deixada para trás ontem à noite e não fazia ideia de que o carro da Margot também tinha sido parado e mandado de volta ao aeroporto."
A referência seria à assessora de comunicação Margot Martin, que, segundo o Daily Beast, também participou da viagem. Harp teria explicado que estava sozinha em uma van do lado de fora da alfândega e sem o passaporte.
"Como eu estava sozinha na van do lado de fora da Alfândega, sem meu passaporte, entrei em pânico e deveria simplesmente ter ligado para o Serviço Secreto em vez de ligar para você."
Ela também teria se desculpado por ter caminhado pelo campo de golfe em vez de utilizar um carrinho. "Se houver qualquer outra coisa que eu tenha feito que tenha causado problemas para você, por favor, me perdoe."
"Quero que as coisas estejam sempre bem entre nós"
Em outro trecho, Harp teria demonstrado preocupação com a forma como Trump a enxergava. "Quero que as coisas estejam sempre bem entre nós. Também sei que fiquei distraída durante toda a semana — esquecendo de comer ao longo dos dias e até esquecendo de dormir, dormindo apenas algumas horas de cada vez."
Ela também teria relatado que comentários de outras pessoas estavam afetando seu comportamento. "Não porque eu me importe com o que as outras pessoas pensam, mas porque vejo a mim mesma sendo rebaixada aos seus olhos e na boa opinião que você tem de mim. Esse é o medo que você vê, porque nunca quero trazer nada além de alegria para você."
Ao final, segundo o jornal, a assessora agradeceu Trump por seu papel em sua vida e o chamou de "meu Guardião e Protetor nesta vida". A carta teria sido assinada com a frase: "Com todo o meu coração, Natalie."
Segunda carta teria tom ainda mais pessoal
Na segunda mensagem atribuída a Harp, o tom seria ainda mais íntimo. Ela agradeceria a Trump por tê-la ajudado a se afastar temporariamente da rotina de trabalho. A assessora teria destacado momentos que passou com o presidente no campo de golfe. "Podíamos ficar no campo, sem máquinas, e até esquecer que horas eram! Eu não precisava ser a 'Impressora Humana'. Podia aproveitar uma boa conversa e ainda assim terminar todo o meu trabalho no fim do dia."
Harp também teria contado que conseguiu fazer longas caminhadas pela manhã e à noite para observar o nascer e o pôr do sol. Ao mesmo tempo, voltou a mencionar que estava negligenciando necessidades básicas. "Embora eu tenha esquecido de comer e dormir!"
Segundo a mensagem, ela percebeu que Trump havia notado mudanças em seu humor. "Eu não fazia ideia da rapidez com que estava me aproximando de um burnout e começando a sentir inveja daquelas cujo único 'trabalho' parece ser conversar com você e ficar bonitas. Eu quero esse trabalho!!"
A assessora também teria feito uma autocrítica sobre a própria aparência e rotina profissional. "Muitas vezes estou simplesmente tentando me manter à tona com tudo o que está chegando para você e pareço uma corcunda que não teve tempo nem de se arrumar. (Pelo menos você sabe como eu deveria parecer!). Sinto falta dos meus dias de talk show."
Harp já havia trabalhado como apresentadora
Antes de atuar na equipe de Trump, Natalie Harp foi apresentadora da One America News Network (OAN). Na carta, ela teria lembrado desse período e das ligações que recebia de Trump quando trabalhava na televisão. "Sempre me senti em uma posição intermediária, em algum lugar entre a equipe e aquelas pessoas com quem você gosta de conversar no avião ou durante o jantar, porque era isso que eu costumava ser para você quando era uma 'apresentadora de talk show' — por mais que eu odiasse aquele trabalho!"
Ela também teria escrito que gostaria de acompanhar as conversas informais do presidente. "Gostaria de poder ouvir todas as conversas, porque é quando você está se divertindo, se afastando de tudo, pelo menos por alguns instantes."
Em tom de autoanálise, Harp teria afirmado que buscava principalmente deixar Trump orgulhoso. "E, por favor, quando eu falhar, você vai me dizer? Você tem todo o direito de me xingar, se for necessário, quando eu merecer, porque ninguém me conhece ou se importa comigo mais do que você."
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