Médico é 1º acusado no Reino Unido por genocídio em Ruanda
O médico ruandês Vincent Brown tornou-se a primeira pessoa formalmente acusada no Reino Unido por envolvimento no genocídio de Ruanda em 1994, que deixou 800 mil mortos. Preso em Londres após investigação própria da polícia britânica, ele responde por incitar e colaborar com massacres e crimes contra a humanidade. O julgamento local foi viabilizado pela legislação britânica para crimes internacionais, após a recusa definitiva de sua extradição ao país africano em 2017.
Após anos de investigação, homem será julgado pela Justiça britânica por incitar massacres contra tutsis em 1994; cerca de 800 mil pessoas foram mortas em 100 dias.Um médico de Ruanda foi preso em Londres nesta segunda-feira (21/09) acusado de participar de crimes relacionados ao genocídio de 1994 em Ruanda.
Vincent Brown, de 65 anos, é a primeira pessoa a ser formalmente acusada no Reino Unido por participação no genocídio étnico que deixou cerca de 800 mil mortos, segundo os promotores. As vítimas, em sua maioria tutsis e hutus moderados, foram espancadas, baleadas ou mortas com golpes de facão durante os 100 dias de massacre.
Brown enfrenta uma acusação de ter sido cúmplice do genocídio e outras seis por ter auxiliado a prática de crimes contra a humanidade em Ruanda, informaram promotores e a polícia de Londres.
"As acusações estão relacionadas a alegações de que Brown participou do genocídio contra os tutsis em Ruanda em 1994", afirmou Frank Ferguson, chefe da divisão antiterrorismo do Ministério Público britânico. "Ele é acusado de ter dirigido e incitado atos de homicídio e genocídio praticados por outras pessoas."
A legislação britânica permite que promotores apresentem acusações por determinados crimes internacionais, incluindo genocídio e crimes contra a humanidade, independentemente do local onde tenham sido cometidos. Outros países já processaram suspeitos de participação no genocídio de Ruanda e reconheceram sua responsabilidade pelo massacre.
Brown, anteriormente conhecido como Vincent Bajinya, é natural de Kigali, em Ruanda, mas vive em Londres, onde está detido. Ele deve comparecer nesta terça-feira ao Tribunal de Magistrados de Westminster.
Sete anos de investigação
Acredita-se que Brown tenha entrado no Reino Unido como solicitante de asilo em 1998. Ele mudou de nome ao obter a cidadania britânica em 2004, conforme disse na época o advogado Philip Eldin-Taylor.
Ele foi preso pela primeira vez em 2006. No entanto, sua extradição para Ruanda, juntamente com a de outros quatro homens, foi definitivamente rejeitada pela Justiça britânica em 2017.
O governo de Ruanda então solicitou ao governo britânico que investigasse diretamente os suspeitos de participação do genocídio. Em vez de enviá-lo ao país africano, as autoridades do Reino Unido abriram uma investigação própria em 2019 que resultou nas acusações anunciadas nesta segunda-feira.
A polícia informou que continua investigando diversos outros suspeitos de participação no genocídio de Ruanda que vivem no Reino Unido.
"Este caso demonstra que o Reino Unido não é um refúgio seguro para indivíduos suspeitos de cometer crimes internacionais", afirmou Helen Flanagan, chefe da unidade de contraterrorismo da polícia.
O genocídio de Ruanda foi resultado de décadas de tensões políticas e étnicas entre as comunidades hutu e tutsi, agravadas por divisões estimuladas durante o período colonial. O estopim ocorreu em abril de 1994, quando o avião do presidente Juvenal Habyarimana, um hutu, foi derrubado ao se aproximar de Kigali. Após o atentado, lideranças extremistas hutus desencadearam uma campanha sistemática de extermínio contra os tutsis e também contra hutus moderados.
sf (RT, AP)
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