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Mauro Vieira aponta ofensas "grosseiras" de Milei a Lula e confirma rebaixamento diplomático do Brasil com a Argentina

Em entrevista, o chanceler brasileiro explicou a decisão de cobrar explicações de Buenos Aires após ataques inéditos ao presidente brasileiro

5 ago 2026 - 21h01
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Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, declarou nesta quarta-feira (5), em entrevista ao jornalista argentino Jorge Fontevecchia da Perfil, que a diplomacia entre o Brasil e a Argentina enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história recente após uma sequência de declarações duras do governo vizinho. O chanceler afirmou que o presidente argentino, Javier Milei, criticou o Brasil e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de forma agressiva e jamais vista no histórico das relações bilaterais entre os dois países.

Mauro Vieira durante entrevista ao jornalista argentino Jorge Fontevecchia
Mauro Vieira durante entrevista ao jornalista argentino Jorge Fontevecchia
Foto: Reprodução/ YouTube / Perfil Brasil

A escalada verbal motivou uma reação imediata e contundente do Itamaraty diante das recorrentes manifestações do líder argentino. Em entrevista concedida ao jornal Perfil, o chanceler brasileiro explicou que foram registrados quatro episódios seguidos de ataques em apenas uma semana. O chefe da diplomacia brasileira detalhou a gravidade da situação criada pelas declarações públicas do chefe de Estado vizinho. De acordo com Vieira, "foram quatro manifestações consecutivas no espaço de uma semana em que o presidente da Argentina, de uma forma muito grosseira, muito direta e muito agressiva, criticou de uma forma inaudita, de uma forma que nunca tinha se visto, o Brasil e as instituições na pessoa do presidente da República, o presidente Lula".

Em resposta aos constantes ataques, o governo brasileiro adotou medidas diplomáticas severas para demonstrar o profundo descontentamento oficial com a postura adotada pela Casa Rosada. O Brasil solicitou esclarecimentos formais ao governo argentino e congelou movimentações diplomáticas essenciais. O chanceler pontuou que, até que sejam apresentadas respostas satisfatórias, o embaixador Julio Bitelli não retornará ao posto em Buenos Aires. Diante dessa determinação, a embaixada brasileira na Argentina permanecerá temporariamente sob a gestão de um encarregado de negócios.

O endurecimento do tom institucional culminou no distanciamento formal entre os dois países. Na noite de terça-feira (4), o Brasil rebaixou oficialmente o nível das relações diplomáticas com a Argentina em função dos ataques diretos promovidos por Milei. A medida reflete o impacto negativo das declarações sobre os canais tradicionais de diálogo.

O diplomata brasileiro lembrou o histórico de parceria estratégica mantido historicamente entre as duas maiores economias da América do Sul. Mauro Vieira ressaltou que os dois países sempre mantiveram uma relação especial, pautada pela integração regional e cooperação mútua. O ministro lamentou abertamente que essas atitudes recentes tenham tentado comprometer um patrimônio diplomático construído ao longo de décadas de cooperação.

Durante a entrevista, o chanceler também rebateu diretamente as acusações formuladas por Milei de que o governo brasileiro teria financiado a campanha de Sergio Massa, candidato derrotado no pleito presidencial argentino de 2023. O representante da diplomacia brasileira rebatou as insinuações e negou qualquer tipo de interferência em processos eleitorais de nações vizinhas. Vieira foi categórico ao afirmar que "nós jamais interferimos em nenhum tipo de campanha ou de ação em governos estrangeiros. Então, essa acusação, isso é totalmente descabido, isso não tem pés nem cabeça".

A exigência de civilidade e respeito mútuo foi apontada como condição indispensável para a normalização dos contatos institucionais entre os governos. Ao finalizar a análise do cenário atual, o ministro destacou que o diálogo prescreve educação prévia e que as divergências de ordem ideológica entre os mandatários devem ser tratadas de forma totalmente secundária.

Perfil Brasil
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