Maquiador ligado a Michelle Bolsonaro prevê derrota de Flávio e critica: "Ego e vaidade são maiores que a própria causa"
Maquiador próximo de Michelle critica candidatura de Flávio Bolsonaro e aponta divisões internas no PL
A recente entrevista do maquiador Agustin Fernandez ao canal Iron Studios trouxe um elemento de instabilidade ao xadrez político do Partido Liberal. Como uma voz próxima à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Fernandez não poupou críticas à condução da sucessão presidencial, focando especialmente na figura do senador Flávio Bolsonaro. O relato expõe um descompasso entre a estratégia adotada pelo clã e a percepção de aliados sobre como a direita deve se comunicar com o eleitorado, sugerindo que a escolha do nome para 2026 pode estar fadada ao insucesso se não houver uma mudança de postura e alinhamento com as camadas populares.
O perfil do candidato e a conexão com o eleitorado
Ao avaliar as dificuldades que o senador encontra, Agustin Fernandez foi incisivo em sua análise sobre a imagem pública de Flávio. Segundo ele, "O estereótipo do Flávio é o estereótipo que a direita já teve e, por conta disso nunca chegou à Presidência. Porque esse perfil é polido, engessado, sem um fio de cabelo fora do lugar. Ele não conecta com a empregada doméstica, com o vendedor ambulante". Na visão do maquiador, a ex-primeira-dama teria uma capacidade superior de mobilização, pois "ela é a única que consegue herdar 100% do capital político do Bolsonaro e ainda trazer pessoas novas". Ele alertou que, "se eles não tem essa estratégia, esse discernimento, o ego e a vaidade são maiores que a própria causa, então a gente tem que f... com mais um mandato do Lula". Fernandez também deixou claro que não pretende oferecer apoio público ao senador, declarando: "Não vou me incomodar fazendo vídeo, e perder meu tempo sabendo que a gente vai sofrer uma puta derrota. Pois o Lula tem o Judiciário, tem a mídia, tem bala na agulha, a máquina e ainda tem carisma e ele consegue chegar em todo mundo".
O episódio da internação e o desgaste familiar
Um dos momentos mais críticos da fala de Fernandez envolveu a forma como o anúncio da pré-candidatura de Flávio ocorreu, coincidindo com um período de fragilidade de saúde de Jair Bolsonaro. Ao descrever o evento, o maquiador classificou a atitude como "uma das piores situações que eu vi". Ele complementou a crítica afirmando: "Todo mundo percebeu, mas ninguém comentou. Bolsonaro internado, vai passar por uma cirurgia de alto risco. E aí eu pego uma carta, tipo um testamento, e eu leio isso para imprensa na porta do hospital. Isso para mim é uma das situações mais deploráveis que o ser humano pode passar". Esse episódio ilustra o nível de desconforto que permeia as relações internas do partido, onde a busca pelo protagonismo político parece colidir com os laços afetivos e o bem-estar familiar, criando um clima de tensão que se arrasta desde o final de 2025.
A disputa de poder e os próximos passos do partido
A nomeação de Flávio, respaldada pelo pai, forçou uma reconfiguração na atuação de Michelle Bolsonaro. Enquanto ela antes articulava decisões estratégicas, o novo arranjo a impeliu a um distanciamento temporário. Apesar de publicamente o partido buscar transparecer unidade, com notas e mensagens de apoio, como a postagem em que Michelle escreveu: "Que Deus te abençoe, Flávio nesta nova missão pelo nosso amado Brasil. Que o Senhor te dê sabedoria, força e graça em cada passo, e que a mão d'Ele conduza o teu caminho para o bem da nossa nação", os bastidores contam uma história diferente. Interlocutores indicam que Michelle mantém resistência e vê nomes como Tarcísio de Freitas como alternativas mais viáveis. Mesmo Eduardo Bolsonaro tentando apaziguar, afirmando que "se ela ficou chateada por alguma ação do Flávio, eles têm que sentar para conversar e se entender", a dinâmica interna do PL permanece marcada por um embate de visões sobre o futuro da direita no país.
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