Mãe de Eliza Samudio faz revelação sobre passaporte da filha
Documento encontrado em Portugal gera comoção e novas perguntas sobre o caso
O passaporte de Eliza Samudio, desaparecida em junho de 2010, foi encontrado no início deste mês em Portugal, mas, mesmo após cerca de duas semanas, o documento ainda não foi entregue à família. Sônia Fátima Moura, mãe da jovem, afirmou que não recebeu nenhuma informação oficial sobre o envio ou a devolução do passaporte.
O achado do documento, feito por um brasileiro que alugava uma casa no país europeu, provocou grande repercussão e gerou uma série de especulações. O passaporte estava guardado em uma estante de livros dentro da residência. Após localizar o documento, o homem fez a entrega ao consulado brasileiro em Lisboa, seguindo os procedimentos legais, mas até agora não houve contato com a família de Eliza.
"Assim como recebi, anos depois, os pertences da minha filha e umas fotos queimadas do Bruninho ainda bebê, espero receber o documento e guardá-lo comigo", disse Sônia ao Extra. Ela ressaltou que, até o momento, nenhuma autoridade entrou em contato para informar um prazo ou detalhes sobre o encaminhamento do passaporte.
Em um desabafo emocionado, a mãe de Eliza falou sobre a dor constante de lidar com a morte da filha e a forma como sua imagem continua sendo exposta:
"Minha filha está morta. E essa é uma frase que nenhuma mãe deveria repetir todos os dias para si mesma. Ela carrega uma saudade que aperta o peito, que sufoca, que nunca descansa", começou Sônia, revelando o impacto emocional que carrega há mais de uma década.
Ela continuou: "E, mesmo assim, dói ainda mais ver a imagem da minha filha sendo usada como se fosse um instrumento para gerar audiência, dinheiro e fama. Cada exposição desnecessária reabre a ferida, aumenta o vazio e transforma a saudade em revolta. Minha filha tinha uma história, sonhos, um sorriso, e não pode ser reduzida a uma manchete fria."
Descoberta do passaporte
O passaporte encontrado tem emissão datada de 9 de maio de 2006 e validade até 8 de maio de 2011. O único carimbo registrado indica a entrada de Eliza em Portugal em 1º de maio de 2007, o que levanta ainda mais curiosidade sobre como o documento acabou no país europeu e por quanto tempo permaneceu fora do Brasil.
O caso de Eliza Samudio marcou a história criminal brasileira. A jovem foi assassinada em 2010, e Bruno Fernandes, conhecido como goleiro Bruno, foi condenado por homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver, com pena inicial de 22 anos de prisão, posteriormente reduzida para 20 anos e 9 meses. Até hoje, o corpo de Eliza nunca foi localizado, mantendo a dor da família e o mistério sobre os detalhes finais da tragédia.
A descoberta do passaporte reacendeu lembranças dolorosas e trouxe à tona questões sobre o que pode ter ocorrido nos anos em que o documento esteve desaparecido. Para Sônia, cada novo detalhe que surge, seja uma foto, um objeto ou um documento, é carregado de emoção e saudade. "São lembranças que vêm junto com a dor, mas também me dão força para continuar lutando pela memória da minha filha", concluiu.
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