Lula: "Foram 25 anos de sofrimento e tentativa de acordo"
Encontro entre o presidente brasileiro e a chefe da Comissão Europeia precede a formalização do tratado comercial entre Mercosul e União Europeia em Assunção
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, nesta sexta-feira (16), na cidade do Rio de Janeiro. A reunião, iniciada às 14h, teve como objetivo central tratar dos termos finais do tratado entre o Mercosul e a União Europeia. Após o encontro privado e o registro fotográfico oficial, ambos os representantes realizaram um pronunciamento conjunto à imprensa sobre o encerramento das negociações.
Durante a declaração, o presidente Lula mencionou o período de 25 anos dedicado às negociações para a convergência de interesses entre os blocos. Segundo o mandatário, a formalização do acordo estabelece uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, abrangendo uma população estimada em 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) acumulado de US$ 22 trilhões.
O acordo prevê a redução ou a eliminação gradual de tarifas de importação e exportação entre os países membros. Lula ressaltou que a parceria fundamenta-se no multilateralismo e no compartilhamento de princípios, citando o respeito à democracia, ao Estado de Direito, aos direitos humanos, além da defesa do meio ambiente e de padrões trabalhistas.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou a conclusão das tratativas como uma conquista geracional. Em sua fala, Von der Leyen atribuiu o desfecho do processo ao empenho político e às negociações conduzidas nos últimos meses. Ela agradeceu a interlocução brasileira na finalização do documento, que levou mais de duas décadas para ser consolidado pelos negociadores de ambos os blocos econômicos.
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A assinatura oficial do tratado está agendada para este sábado (17), em Assunção, no Paraguai. Embora chefes de Estado como Javier Milei, da Argentina, tenham confirmado presença, o Brasil será representado no evento pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
A agenda no Rio de Janeiro foi planejada pela diplomacia brasileira como um ato político estratégico para consolidar a liderança do país no processo de negociação. Estava prevista a participação do presidente do Conselho Europeu, António Costa, que não compareceu ao encontro em solo fluminense por questões de logística. O evento no Rio de Janeiro buscou conferir relevância política ao papel do Brasil antes da cerimônia formal de oficialização do bloco comercial.