Lula defende Cuba e diz que quem perdeu visto dos EUA deve viajar no Brasil
Durante evento em Goiana (PE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou a decisão dos Estados Unidos de revogar vistos de integrantes do governo brasileiro. O caso envolve o secretário de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Mozart Sales, e o ex-assessor Alberto Kleiman. A medida foi anunciada um dia antes pelo governo norte-americano.
"Mozart, não fique preocupado com o visto dos EUA. O mundo é muito grande, o Brasil tem 8,5 milhões de quilômetros quadrados, você tem lugar para andar no Brasil para caramba, cara, não se importe. Lugar bonito", declarou o presidente. Segundo ele, a decisão está ligada à ligação dos servidores com Cuba durante o Programa Mais Médicos.
O governo norte-americano atribuiu a medida à participação dos dois na execução do programa entre 2013 e 2018, realizado em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e com médicos cubanos.
Por que a relação com Cuba incomoda Washington?
"Eu quero dizer para os companheiros cubanos que, o fato deles cassarem o Mozart, foi por causa de Cuba, porque eles tinham ido a Cuba. É importante eles saberem que nossa relação com Cuba é uma relação de respeito de um povo que é vítima de um bloqueio há 70 anos. Hoje estão passando necessidade num bloqueio que não há nenhuma razão", afirmou Lula.
Ele também criticou o ex-presidente norte-americano Donald Trump, dizendo que ele não é um "imperador". O petista associou a sanção ao clima político internacional e reiterou que buscará manter relações comerciais e diplomáticas com outros países caso haja resistência dos EUA.
O presidente ainda defendeu que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tenha o mandato cassado, acusando-o de atuar contra os interesses do Brasil no exterior. "Ele [Jair Bolsonaro] precisa parar de resmungar, mandou o filho para os EUA. Vocês têm que pedir a cassação dele [Eduardo], porque ele está traindo o país. Essa é a verdadeira traição da pátria", disse.
Em outro momento, Lula criticou a tarifa de 50% aplicada por Trump sobre produtos brasileiros. Chamou de "vira-latas" os que reclamam do tom firme de suas declarações. "Tem uns vira-latas que ficam falando 'nossa, como esse Lula está falando bravo'. Não. Eu falo igualzinho para Bolívia o que falo para os americanos", afirmou.
Lula disse que, caso o comércio com os EUA seja reduzido, buscará alternativas na China, Índia, Rússia, Alemanha e outros países. "Se os EUA não quiserem comprar, não tem importância, eu não vou ficar chorando, eu não vou ficar rastejando. Eu vou procurar outros países para vender os produtos que nós vendemos para eles [os norte-americanos] e vamos seguir em frente", concluiu.