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Justiça

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Fachin abre sessão do CNJ em meio à crise do STF e anuncia medidas para rastrear precatórios

Ministro também destacou o papel das instituições de Justiça e afirmou que elas “fortalecem-se para servir”

29 set 2026 - 11h40
(atualizado às 14h12)
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Fachin defende fortalecimento das instituições em meio à crise no STF: 'É isto que estamos fazendo':

Em meio à crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) após as revelações do caso Master, o presidente da Corte e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, ressaltou nesta terça-feira, 29, a importância do fortalecimento das instituições de Justiça e anunciou a preparação de novas regras para a cessão de precatórios, além da criação de um portal nacional para rastrear essas operações.

As medidas foram anunciadas em meio às apurações sobre precatórios ligados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. Durante a sessão do CNJ, Fachin ainda afirmou: “As instituições não se fortalecem para si mesmas, fortalecem-se para servir. É isto que estamos fazendo.”

A regulamentação das cessões está sendo elaborada pelo CNJ em parceria com o Banco Central (BC), segundo Fachin. A proposta prevê mecanismos para ampliar a segurança, a transparência e a rastreabilidade das operações envolvendo precatórios.

“Queremos conferir segurança, transparência e rastreabilidade a um mercado que movimenta direitos. Um precatório não é apenas um número inscrito em orçamento. É uma dívida reconhecida pelo Estado e um direito que alguém espera ver cumprido”, disse Fachin. “Portanto, estamos construindo, passo a passo, uma verdadeira política nacional de tratamento adequado dos precatórios, apoiada em regulação, tecnologia, dados e transparência. O compromisso é simples: fazer com que o Estado que reconhece uma dívida seja também capaz de organizar, com segurança e eficiência, o caminho para pagá-la", acrescentou.

Fachin abre sessão do CNJ em meio à crise do STF e anuncia medidas para rastrear precatórios
Fachin abre sessão do CNJ em meio à crise do STF e anuncia medidas para rastrear precatórios
Foto: Reprodução/YouTube/CNJ

Fachin não citou diretamente o STF em seu discurso. No entanto, a manifestação ocorre em meio à intensificação da crise na Corte nas últimas semanas, após a divulgação de mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito das investigações do caso Master, com referências ao ministro Alexandre de Moraes. O episódio desencadeou uma série de decisões e divergências entre integrantes do Supremo, incluindo a disputa envolvendo os ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Desde o início das repercussões, Fachin tem defendido que a resposta do tribunal deve seguir os procedimentos institucionais. Em 2 de setembro, afirmou que era necessário preservar a integridade do STF e a confiança da sociedade na Corte. Dois dias depois, ao comentar os fatos relacionados ao caso Master, declarou que “a gravidade dos fatos não autoriza atalhos” e que o desafio exigia compromisso com a legalidade, o devido processo legal e as garantias constitucionais.

Avanços e desafios no CNJ

Na sessão do CNJ, Fachin também fez um balanço de seu primeiro ano à frente do conselho, apresentou resultados de sua gestão e destacou as próximas prioridades do órgão. Segundo o magistrado, a gestão terá três prioridades principais: o enfrentamento à violência contra meninas e mulheres; o fortalecimento da rede de magistrados que atuam no combate ao crime organizado; e a aceleração dos processos previdenciários e assistenciais.

Entre os dados apresentados no balanço, estão 34 processos administrativos disciplinares analisados pelo CNJ, dos quais 30 resultaram na aplicação de penalidades. No período, o conselho também aprovou 47 resoluções e sete recomendações.

Na área de combate ao crime organizado, o ministro destacou o avanço na formação de uma rede nacional de magistrados especializados no tema. “O crime organizado não reconhece as fronteiras de uma comarca ou de um tribunal. A resposta do Estado tampouco pode permanecer fragmentada.”

Outro ponto mencionado foi o trabalho conjunto do CNJ e da Corregedoria Nacional para estabelecer critérios mais uniformes e transparentes para a remuneração da magistratura. Entre as medidas citadas está a criação do contracheque único, acompanhada de mecanismos de fiscalização.

"Com a Corregedoria Nacional atravessamos o desafio de aperfeiçoar toda a governança da remuneração da magistratura, conferindo-lhe uniformidade e transparência. Lançamos o contracheque único e a sua fiscalização rigorosa", afirmou.

Também houve redução no volume de processos pendentes. Segundo os dados apresentados pelo ministro, o estoque caiu 10%, passando de 16,40 milhões em dezembro de 2025 para 14,76 milhões em julho de 2026.

Fonte: Portal Terra
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