Jornais estrangeiros repercutem decisão de Moraes contra Bolsonaro
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, repercutiu em veículos de imprensa de diferentes partes do mundo. A medida, anunciada na segunda-feira (4), inclui ainda a proibição de visitas ao ex-mandatário, salvo exceções como seus advogados e pessoas previamente autorizadas pelo STF. O ministro também determinou que ele não poderá usar celular, nem mesmo por meio de terceiros.
Além das restrições, Moraes apontou o "reiterado descumprimento das medidas cautelares" por parte de Bolsonaro como justificativa para a ordem. Segundo a Polícia Federal, o ex-presidente participou, por vídeo, de um ato público no domingo (3), o que teria violado determinações judiciais. A PF apreendeu o celular do ex-presidente durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua residência.
Como o mundo reagiu à prisão domiciliar de Bolsonaro?
Nos Estados Unidos, a resposta foi imediata. O Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, órgão ligado ao Departamento de Estado, divulgou nota criticando a decisão do STF: "Os Estados Unidos condenam a ordem de Moraes que impõe prisão domiciliar a Bolsonaro e responsabilizarão todos aqueles que auxiliarem e forem cúmplices da conduta sancionada."
A rede Al Jazeera, com sede no Catar, abordou o impacto diplomático da medida, afirmando que o processo tem elevado o nível de tensão entre os governos brasileiro e americano. Segundo a emissora, "No mês passado, Trump anunciou a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, vinculando a medida diretamente ao julgamento de Bolsonaro, seu aliado ideológico."
O jornal americano The New York Times apontou que as ações de Moraes podem agravar o maior impasse diplomático entre Brasil e Estados Unidos das últimas décadas. A publicação relaciona a prisão ao posicionamento de Donald Trump, que defendeu o ex-presidente brasileiro e condicionou a suspensão de tarifas à interrupção do processo judicial contra ele.
No Reino Unido, o jornal The Guardian indicou que a ordem de prisão faz parte de um inquérito no STF que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado em 2022. O jornal ainda destacou que a prisão foi "imediatamente condenada pelos EUA" e mencionou a aplicação da Lei Magnitsky, usada para sancionar Moraes por violação de direitos humanos.
Na América Latina, o jornal argentino Clarín noticiou que a decisão do STF ocorreu um dia após a circulação de imagens de Bolsonaro em uma manifestação em seu apoio. A publicação destacou a presença de apoiadores carregando bandeiras americanas e cartazes com os dizeres "SOS Trump".
Já o El País, da Espanha, avaliou que o episódio pode comprometer negociações econômicas entre Brasil e EUA. A reportagem observou que "a guerra comercial está dando resultados políticos para Lula, que conseguiu incitar o sentimento nacionalista na maior economia da América Latina".
O jornal mexicano El Universal também repercutiu os protestos de domingo e os desdobramentos judiciais. Segundo o veículo, a manifestação foi usada por aliados do ex-presidente para mobilizar apoio popular diante das ações do STF.
A defesa de Bolsonaro afirmou em nota que "foi surpreendida com a decretação de prisão domiciliar, tendo em vista que o ex-presidente Jair Bolsonaro não descumpriu qualquer medida".
Justice Moraes, now a U.S.-sanctioned human rights abuser, continues to use Brazil's institutions to silence opposition and threaten democracy. Putting even more restrictions on Jair Bolsonaro's ability to defend himself in public is not a public service. Let Bolsonaro speak!…
— Bureau of Western Hemisphere Affairs (@WHAAsstSecty) August 5, 2025