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Israel fecha consulado britânico após sanções de Londres e aliados

8 set 2026 - 17h26
(atualizado às 18h07)
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Resumo
Reino Unido, França e Canadá anunciaram o bloqueio a importações de assentamentos israelenses na Cisjordânia, defendendo a solução de dois Estados e criticando a violência de colonos contra palestinos. Em retaliação, Israel ordenou o fechamento do consulado britânico em Jerusalém e anunciou restrições a diplomatas de Londres, acusando o país de violar sua soberania. O impasse amplia o isolamento diplomático de Tel Aviv perante aliados históricos que consideram as colônias ilegais.

Reino Unido, França e Canadá condenam expansão dos assentamentos na Cisjordânia e se unem a outras nações em prol da solução de dois Estados. Ministro britânico acusa "limpeza étnica" no território palestino.Reino Unido, França e Canadá anunciaram nesta terça-feira (08/09) medidas para bloquear importações de bens agrícolas produzidos em assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, em meio a preocupações com o aumento da violência praticada por colonos judaicos e com a expansão dessas comunidades.

Ministro israelense do Exterior, Gideon Saar, considerou "ultrajantes" as medidas de Londres e outros países contra Israel
Ministro israelense do Exterior, Gideon Saar, considerou "ultrajantes" as medidas de Londres e outros países contra Israel
Foto: DW / Deutsche Welle

Em resposta, Israel ordenou o fechamento do consulado britânico em Londres, alegando uma "interferência flagrante" em sua soberania.

As medidas são as mais recentes de uma série de ações voltadas para a política de assentamentos de Israel e ressaltam o crescente isolamento diplomático de Tel Aviv entre alguns de seus aliados tradicionais.

Os ministros do Exterior das três nações também se juntaram a outros dez países, incluindo Dinamarca, Noruega, Polônia, Espanha e Suécia, em uma declaração reafirmando o apoio a uma solução negociada de dois Estados para pôr fim às hostilidades na região.

"Estamos firmes em nossa posição: a solução de dois Estados deve ser protegida, e agiremos em busca de uma paz justa e duradoura", afirmaram os ministros.

Ministros reforçam necessidade de ação

O ministro britânico do Exterior, Ed Miliband, disse que o Reino Unido não poderia mais se limitar a denunciar injustiças e sofrimento, mas tinha de agir para se opor à expansão dos assentamentos, que, segundo ele, ameaça a viabilidade de um futuro Estado palestino.

Anita Anand, ministra do Exterior do Canadá, escreveu em postagem no X que "governos canadenses sucessivos mantiveram a posição de que uma solução de dois Estados é o caminho a seguir para uma paz de longo prazo que também aborde as legítimas preocupações de segurança de Israel. Assentamentos ilegais na Cisjordânia prejudicam significativamente esses objetivos".

A França citou como motivos para a ação a "expansão desenfreada" dos assentamentos e uma "escalada de violência" na região.

Uma reportagem publicada nesta terça-feira pela agência de notícias Reuters revelou que o governo de Israel estaria financiando alguns dos colonos mais radicais da Cisjordânia, que utilizam fazendas instaladas em postos avançados ilegais para expulsar palestinos.

Dado o pequeno volume de exportações provenientes dos assentamentos, as proibições comerciais são amplamente simbólicas e não afetarão significativamente os fluxos comerciais bilaterais mais amplos, mas integram esforços para ampliar o apoio à solução de dois Estados.

O anúncio dos três países foi divulgado no mesmo dia em que Israel anunciou planos para a construção de mil novas casas na Cisjordânia.

Israel condena "interferência flagrante" em sua soberania

Além de ordenar o fechamento do consulado britânico em Jerusalém como retaliação às sanções de Londres, o governo israelense deve também expulsar representantes britânicos de um centro que monitora o plano de cessar-fogo em Gaza mediado pelos EUA, impediria o treinamento britânico de forças da Autoridade Palestina e proibiria a entrada no país de 12 cidadãos britânicos, em sua maioria, parlamentares.

O ministro israelense do Exterior, Gideon Saar, considerou "ultrajantes" as medidas adotadas por Londres. "A iniciativa britânica é moralmente distorcida e constitui uma interferência flagrante nos assuntos de um Estado soberano e em seu processo eleitoral", afirmou, a semanas das eleições de 27 de outubro, nas quais o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu defende a expansão dos assentamentos na Cisjordânia.

Saar disse que Israel fecharia o consulado britânico localizado em Jerusalém Oriental, parte da área historicamente palestina capturada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Posteriormente, Israel anexou Jerusalém Oriental e considera a cidade sagrada como sua capital indivisível.

"Jerusalém unificada é a capital de Israel e está sob sua plena soberania", declarou Saar. "Qualquer atividade estrangeira na área deve ser realizada por meio de canais aceitos e acordados, e sem violar a soberania de Israel."

"O povo judeu tem o direito de viver em toda a terra de Israel", afirmou Saar em um comunicado. Ele acusou Londres de se envolver em "retórica tendenciosa e parcial contra Israel" que, segundo afirmou, contribuiu "para um aumento sem precedentes nos ataques antissemitas".

Embora Israel controle Jerusalém Oriental, a maioria dos países, incluindo o Reino Unido, não reconhece sua soberania sobre toda a cidade.

Uma exceção são os Estados Unidos, que, sob a presidência de Donald Trump, transferiram sua embaixada para Jerusalém. O Reino Unido e a grande maioria dos países que reconhecem Israel mantêm suas embaixadas em Tel Aviv.

Miliband fala em "limpeza étnica" na Cisjordânia

O foco das preocupações é o projeto de assentamento israelense E1, na Cisjordânia, próximo a Jerusalém, que cortaria territórios que os palestinos reivindicam para um futuro Estado independente.

As Nações Unidas, os palestinos e a maioria dos países consideram ilegais os assentamentos à luz do direito internacional; posição rejeitada por Israel.

Na declaração conjunta em prol da solução de dois Estados, os países signatários prometeram adotar medidas concretas. "Estamos firmes em nossa posição: a solução de dois Estados deve ser protegida, e agiremos em busca de uma paz justa e duradoura", afirmaram.

Miliband foi além, afirmando que seu governo acredita que esteja ocorrendo uma limpeza étnica de palestinos em áreas da Cisjordânia. "Hoje, nos recusamos a assistir passivamente a mais sofrimento e à destruição da solução de dois Estados", disse o britânico.

Falando como "um judeu britânico orgulhoso", Miliband disse ser grato a Israel por ter oferecido refúgio à sua avó depois que seu avô e 60 familiares foram mortos pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

O ministro britânico afirmou que a nova legislação entraria em vigor em um prazo de seis a nove meses, e anunciou também sanções imediatas a vários colonos extremistas que, segundo ele, apoiaram atos de violência.

Miliband reconheceu a ameaça que o Irã representa para Israel e anunciou sanções à instituição financeira Al-Qard Al-Hassan, ligada ao grupo islamista Hezbollah, além de reimpor sanções econômicas a Teerã, em alinhamento com a União Europeia (UE) e os Estados Unidos.

Antes do anúncio, o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, criticou as sanções britânicas, enquanto ministros israelenses pediram medidas de retaliação contra Londres.

Agravamento das tensões diplomáticas

Em 2024, Israel ordenou que o consulado da Espanha em Jerusalém suspendesse a oferta de serviços consulares para palestinos, depois que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez - um crítico declarado de Israel -, reconheceu o Estado palestino.

As relações entre Israel e Reino Unido têm se tornado cada vez mais tensas nos últimos anos, com Londres criticando a conduta de Israel na Faixa de Gaza, a expansão dos assentamentos na Cisjordânia e o aumento dos ataques de colonos judaicos contra palestinos.

Em 2025, o Reino Unido juntou-se a outros países para reconhecer um Estado palestino como forma de promover a solução de dois Estados, após já ter imposto sanções relacionadas aos assentamentos na Cisjordânia em junho.

A proibição francesa de produtos provenientes de assentamentos israelenses ocorre em meio a uma frustração crescente entre alguns Estados-membros da União Europeia que têm defendido uma resposta conjunta do bloco à expansão dos assentamentos, mas que, até o momento, não conseguiram obter a maioria qualificada necessária para uma ação conjunta da UE, em grande parte devido à oposição de países como a Alemanha.

Os principais produtos provenientes dos assentamentos na Cisjordânia são de origem agrícola - incluindo tâmaras, frutas cítricas, ervas e vinho - e representam apenas uma fração mínima do total das exportações de Israel.

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