Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz após ataques de Israel no Líbano
Regime iraniano afirma que EUA e Israel não estão respeitando termos do acordo preliminar de paz e exige que "o outro lado cumpra suas obrigações".As Forças Armadas do Irã anunciaram neste sábado (20/06) o fechamento do Estreito de Ormuz ao trânsito marítimo em resposta aos ataques israelenses no sul do Líbano e acusaram os Estados Unidos de descumprirem o memorando de entendimento que pôs fim à guerra, segundo a mídia iraniana.
A declaração alertou que "se a agressão continuar, medidas subsequentes foram planejadas".
O estreito, uma importante via para o transporte de petróleo e gás, foi bloqueado pelo Irã durante grande parte da guerra, provocando forte impacto nos mercados globais de energia. O Irã havia concordado em reabri-lo no âmbito do acordo preliminar com os EUA, e o tráfego de embarcações começou a ser retomado nos últimos dias.
Irã: "Outro lado deve cumprir obrigações"
Pouco depois, a emissora estatal iraniana noticiou que a equipe de negociação do país estava a caminho da Suíça. A viagem estava originalmente planejada para sexta-feira, mas foi cancelada.
Porém, o Ministério iraniano do Exterior sinalizou que pouco poderia acontecer até o Irã perceber que os EUA estão cumprindo o acordo. "Essa viagem visa exigir que o outro lado cumpra suas obrigações", disse um porta-voz.
Ele acrescentou que as negociações para um acordo final só começarão quando os principais compromissos, incluindo o fim dos combates no Líbano, forem respeitados.
"Se qualquer parte desses entendimentos, qualquer parte desses compromissos, não for implementada, então o memorando de entendimento como um todo estará em risco", declarou.
Pouco antes, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, dissera que espera viajar para a Suíça para as negociações nos próximos dias, acrescentando que os negociadores americanos lhe relataram que "as coisas estão indo bem".
Ataques apesar de cessar-fogo
Nesta sexta-feira, uma autoridade dos EUA anunciou um novo cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, intermediado por mediadores dos EUA e do Catar, e o embaixador de Israel em Washington afirmou que o país respeitaria a trégua caso o Hezbollah também o fizesse.
No entanto, no sábado, uma autoridade militar israelense comunicou que novas operações estavam sendo realizadas contra o grupo apoiado pelo Irã, acusado de ter "disparado mais de 50 projéteis contra as forças israelenses no sul do Líbano" durante a noite.
O Hezbollah afirmou que Israel havia realizado, "sob a cobertura do cessar-fogo, uma tentativa de infiltração em direção às colinas de Ali Taher" (uma posição estratégica com vista para a cidade de Nabatieh), acrescentando que seus combatentes "os enfrentaram com armamento adequado".
A mídia estatal libanesa relatou ataques aéreos israelenses em cerca de 20 locais, e a defesa civil do país comunicou que 16 pessoas, incluindo duas crianças, morreram na região de Nabatieh.
O Ministério da Saúde do Líbano relatou a morte de mais sete pessoas e ferimentos em outras 13, num ataque a uma vila próxima à cidade de Sidon.
as (Efe, AFP, AP)
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