Imigrante deportado por engano volta a ser detido nos EUA e pode ser enviado a Uganda
Detido ao se apresentar voluntariamente a uma unidade de imigração em Baltimore, Kilmar Abrego Garcia, de Maryland, tornou-se novamente o centro de uma disputa entre a Justiça e o governo Trump. O salvadorenho havia sido enviado ilegalmente a El Salvador no início do ano e retornado aos Estados Unidos em junho.
O advogado dele, Simon Sandoval-Moshenberg, afirmou à CNN que já esperava a detenção. Segundo o defensor, autoridades do governo repetiram em diversas ocasiões que o imigrante seria preso caso fosse libertado do processo criminal que respondia no Tennessee.
"Independentemente do que acontecer hoje no meu check-in do ICE, prometam-me isso", disse Abrego Garcia em um comício com familiares, ativistas de imigração e líderes comunitários antes de entrar no prédio. "Prometam-me que continuarão a rezar, a lutar, a resistir e a amar, não apenas por mim, mas por todos."
As declarações ocorreram no mesmo dia em que o governo Trump indicou a possibilidade de transferi-lo para Uganda. Na semana anterior, Abrego Garcia havia sido levado do Tennessee, onde aguardava julgamento em um processo federal de tráfico de pessoas.
Pressão política e judicial
Para Lydia Walther-Rodriguez, chefe de organização da CASA, grupo que articulou a manifestação em Baltimore, o caso representa uma tentativa de transformar o imigrante em "mártir por ter a coragem de se opor às práticas ilegais de deportação deste governo".
"Eles estão jogando todo o aparato federal contra um pai de três filhos para provar que ninguém deve ousar desafiar sua autoridade", afirmou.23
Um funcionário do Departamento de Segurança Interna informou aos advogados de Abrego Garcia, na sexta-feira (22), que a deportação para Uganda poderia ser tentada nos próximos dias. O aviso veio logo após ele ser liberado da custódia criminal, enquanto aguardava julgamento marcado para janeiro.
Deportado por engano
Em março, Abrego Garcia havia sido levado para uma prisão em El Salvador, mesmo existindo ordem judicial de 2019 que proibia sua remoção ao país. O governo acabou trazendo-o de volta em junho para responder às acusações federais.
Atualmente, por decisão de um juiz federal em Maryland, ele está sob supervisão do escritório local do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). A medida permite que viva e trabalhe no Estado, mas não impede eventual deportação a um terceiro país, como Uganda, desde que os direitos de defesa sejam respeitados.
Ativistas acusam o governo Trump de agir em retaliação, diante das contestações do imigrante contra a primeira deportação. Os advogados dele alegam que a tentativa de oferecer deportação para a Costa Rica em troca de confissão é prova da pressão política para puni-lo.
O senador Chris Van Hollen (Partido Democrata, Maryland) disse ter conversado com Abrego Garcia no domingo (24). O parlamentar afirmou que a luta por garantias legais deve continuar.
"Se os direitos dele forem negados, os direitos de todos os outros estarão em risco", escreveu Van Hollen em comunicado na rede X.
Antes de se apresentar ao ICE, Abrego Garcia disse que a memória da família tem sido sua maior força.
"Quando fui detido, lembrei-me de momentos com minha família: ir ao parque com eles, ir à cama elástica com meus filhos", disse. "Esses momentos continuarão me dando esperança para continuar nesta luta."