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Guilherme Mazieiro

Lessa mudou lugar de emboscada porque endereço de Marielle tinha policiamento

Segundo o ex-policial, que confessou o crime, prédio de Marielle era de difícil acesso

8 jun 2024 - 05h00
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Ronnie Lessa em depoimento de sua delação premiada
Ronnie Lessa em depoimento de sua delação premiada
Foto: Reprodução / Perfil Brasil

O ex-policial militar e preso pelo assassinato de Marielle Franco (Psol) e o motorista Anderson Gomes, Ronnie Lessa, disse, em delação premiada, que mudou o lugar da emboscada do crime porque o endereço da vereadora tinha policiamento próximo. 

A informação consta da delação de Lessa, que veio a público nesta sexta, 7, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes tirou parte do sigilo do processo. 

“A gente já tinha informações sobre o endereço, a princípio o endereço residencial dela [...], tentamos algumas vezes em vão dar prosseguimento ao fato. Ali é uma área de difícil acesso, não tem como parar, tem policiais andando na calçada, pois ali existe um policiamento na calçada; então quer dizer, era um lugar difícil de monitorar”, contou Lessa.

Ele prosseguiu dizendo que o prédio não tinha garagem. “Então isso acabou tornando a coisa um pouco difícil; se tornou difícil porque não dava para parar, o único lugar que poderia parar tinha um policial parado de serviço; era um lugar que não tinha como monitorar, para saber se o carro dela estava dentro porque não tem garagem e também não sabia se ela tinha carro; então essas tratativas que nós não conseguimos lograr êxito, levou com que a gente procurasse outros meios”.

“Quais seriam outros meios, procurar a vida dela em si, nós tínhamos a informação de um bar que ela frequentava, nós conseguimos localizar esse bar, que é na Praça da Bandeira, ali próximo, só que também outro lugar de difícil...ou você tá no bar ou ficava fazendo o quarteirão; realmente, era uma missão que se tornou difícil, estava se tornando inviável até”, relatou.

O assassinato aconteceu em 2018, na Rua Joaquim Palhares, a cerca de 1,5 km da Praça da Bandeira, citada por Lessa. Na ocasião, Marielle e Anderson foram seguidos por cerca de 4 km entre a Casa das Pretas, na Lapa, e o local do crime. O ex-policial, que confessou o crime, foi preso em 2019 e prestou depoimento de colaboração em 9 de agosto de 2023.

Fonte: Guilherme Mazieiro Guilherme Mazieiro é repórter e cobre política em Brasília (DF). Já trabalhou nas redações de O Estado de S. Paulo, EPTV/Globo Campinas, UOL e The Intercept Brasil. Formado em jornalismo na Puc-Campinas, com especialização em Gestão Pública e Governo na Unicamp. As opiniões do colunista não representam a visão do Terra. 
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