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Guilherme Mazieiro

CPI do MST deve iniciar convocações com ministros de Lula, líderes do movimento e empresários

Vice-presidente Kim Kataguiri (União Brasil-SP) apresentou 13 requerimentos de convocação que devem ser votados na próxima semana

18 mai 2023 - 11h52
(atualizado em 23/5/2023 às 14h00)
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Mesa da CPI que vai investigar o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
Mesa da CPI que vai investigar o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
Foto: Bruno Spada / Agência Câmara

A Comissão Parlamentar de Inquérito do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) foi instalada nesta quarta-feira, 17, e deve começar os primeiros depoimentos ouvindo ministros do governo Lula, lideranças do movimento rural e empresários que tiveram terras invadidas, como os de Suzano.

O vice-presidente da comissão, deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) organizou 13 requerimentos de convocação que devem ser votados na semana que vem. Há ambiente favorável à aprovação, já que a maioria dos 32 membros da CPI são de oposição e ruralistas (em sua grande maioria, bolsonaristas). Na lista estão os ministros da Justiça, Flávio Dino, da Agricultura, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira. Além de lideranças da Frente Nacional de Lutas, como José Rainha, Luciano de Lima e Claudio Ribeiro Passos e dirigentes da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Veja a lista abaixo.

A CPI foi criada com a finalidade de investigar a atuação do grupo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), “do seu real propósito, assim como dos seus financiadores”. Na prática, a CPI vai trabalhar para enfraquecer o governo Lula e os movimentos de reforma agrária.

A presidência da comissão está com o deputado coronel Zuco (Republicanos-RS), que, além de Kataguiri, terá como vice-presidentes Fábio Costa (PP-AL) e Evair de Melo (PP-ES). O relator é o ex-ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro (PL) e deputado, Ricardo Salles (PL-SP), que além de ser crítico do MST, tenta se viabiliza como candidato à prefeitura de São Paulo, em 2024.

Entre os governistas, estão como membros titulares deputados como Sâmia Bomfim (Psol-SP) e Nilto Tatto (PT-SP). Com pouca força dentro da comissão, o governo tem receio de que haja criminalização dessas organizações e que os desdobramentos da CPI atinjam políticos simpáticos ao movimento de reforma agrária, já que há poder para os deputados fazerem quebras de sigilo durante as investigações.

Veja lista dos requerimentos apresentados pelo deputado Kim Kataguiri:

- Ministro da Agricultura, Carlos Fávaro

- Ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira

- Ministro de Justiça, Flávio Dino

- Presidente do Incra, César Fernando Schiavon Aldrighi

- Líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Pedro Stédile

- Lideranças da Frente Nacional de Lutas - José Rainha, Luciano de Lima e Claudio Ribeiro Passos

- Vice-presidente da Suzano, Luiz Bueno

- Diretor da empresa Suzano, Walner Junior

- Diretora do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Agrários do Ministério de Desenvolvimento Agrário, Cláudia Maria Dadico 

- Chefe-geral da unidade Embrapa Semiárido de Petrolina (PE), sra. Maria Auxiliadora Coêlho de Lima

- Presidente da Embrapa, Silvia Maria Fonseca Silveira Massruhá

Fonte: Guilherme Mazieiro Guilherme Mazieiro é repórter e cobre política em Brasília (DF). Já trabalhou nas redações de O Estado de S. Paulo, EPTV/Globo Campinas, UOL e The Intercept Brasil. Formado em jornalismo na Puc-Campinas, com especialização em Gestão Pública e Governo na Unicamp. As opiniões do colunista não representam a visão do Terra. 
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