Governo Bolsonaro perdeu medicamentos de alto custo em valores que chegam a R$ 13,5 milhões, diz jornal
A lista também traz a relação de diversas vacinas que precisaram ser descartadas durante a gestão do ex-presidente
Durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), o governo perdeu e precisou incinerar medicamentos de alto custo, utilizados em doenças raras e com potêncial fatal, avaliados em pelo menos R$ 13,5 milhões, revela reportagem do jornal Folha de S. Paulo nesta quinta-feira, 16.
Dados, obtidos pela Lei de Acesso à Informação, detalham o tamanho do prejuízo. Um dos itens da lista é o medicamento Spinraza, para o tratamento de pacientes com AME (atrofia muscular espinhal), cuja dose foi adquirida pelo governo por R$ 160 mil. O tratamento é um dos mais caros que existem.
Além disso, o rol revela ainda que 949 unidades do Translarna, usado em pacientes com distrofia muscular de Duchenne, foram descartadas. O descarte das doses gerou prejuízo de R$ 2,74 milhões no total.
Também foram incinerados diversos medicamentos usados em pacientes com casos de mucopolissacaridose, avaliados em R$ 2,9 milhões.
Vacinas
A lista também traz a relação de diversas vacinas que precisaram ser descartadas durante a gestão do ex-presidente, como 39 milhões de vacinas contra a covid-19 que foram incineradas por estarem com a validade vencida.
Além disso, imunizantes contra sarampo e rubéola, pentavalente, hepatites e tríplice viral também estão na lista.
Testes e outros medicamentos para pacientes com câncer, hepatite C e HIV também aparecem na relação.
Defesas
O Ministério da Saúde do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou sobre a denúncia e afirmou que o "cenário de desperdício reflete o descaso do governo anterior". Ainda segundo a pasta, o governo Bolsonaro não compartilhou essas informações com a atual gestão e que, atualmente, busca adequar esses estoques e buscar soluções com Estados e municípios para evitar novas perdas.
Marcelo Queiroga, que foi ministro da Saúde entre março de 2021 a dezembro de 2022 no governo Bolsonaro, disse que informações do tipo ficam sob o cuidado das áreas técnicas. Já Luiz Henrique Mandetta, que ocupou o cargo até abril de 2020, alegou esforço da pasta para gerir o estoque enquanto estava no posto. Mandetta acrescentou ainda que, no caso das vacinas, o uso também depende da adesão da população.
Outro ex-ministro da Saúde de Bolsonaro, Eduardo Pazuello - que atuou de junho de 2020 a março de 2021 -, não quis se manifestar.
Lista de medicamentos de alto custo que foram perdidos
Translarna
Tratamento: distrofia muscular de Duchenne
Unidades incineradas: 949
Valor: R$ 2,74 milhões
Betagalsidase
Tratamento: doença de Fabry
Unidades incineradas: 259
Valor: R$ 2,46 milhões
Eculizumabe
Tratamento: hemoglobinúria paroxística noturna
Unidades incineradas: 127
Valor: R$ 1,73 milhão
Vimizim
Tratamento: mucopolissacaridose IVA
Unidades incineradas: 632
Valor: R$ 1,61 milhão
Galsulfase
Tratamento: mucopolissacaridose VI
Unidades incineradas: 283
Valor: R$ 1,24 milhão
Alfagalsidase
Tratamento: doença de Fabry
Unidades incineradas: 272
Valor: R$ 1 milhão
Metreleptina
Tratamento: síndrome de Berardinelli-Seip
Unidades incineradas: 47
Valor: R$ 1,1 milhão
Idursulfase
Tratamento: síndrome de Huner
Unidades incineradas: 186
Valor: R$ 985 mil
Nusinersen (Spinraza)
Tratamento: atrofia muscular espinhal (AME)
Unidades incineradas: 2
Valor: R$ 319 mil
Nitisinona
Tratamento: tirosinemia hereditária do tipo 1
Unidades incineradas: 1.200
Valor: R$ 229 mil
Alentuzumabe
Tratamento: esclerose múltipla
Unidades incineradas: 2
Valor: R$ 56 mil
Kanuma
Tratamento: deficiência de lipase ácida
Unidades incineradas: 1
Valor: R$ 23 mil
Total: R$ 13,5 milhões