Furioso com Merz, Trump ameaça reduzir número de tropas na Alemanha
Presidente ameaçou reduzir contingente americano de 35 mil militares na Alemanha após chanceler Friedrich Merz afirmar que os EUA estão sendo humilhados pelo regime iraniano nas negociações de paz.O presidente Donald Trump elevou ainda mais o tom contra a Alemanha nesta quarta-feira (29/04) ao sugerir que poderia em breve reduzir a presença militar dos EUA no país europeu, um aliado na Otan.
"Os Estados Unidos estão estudando e revisando a possível redução de tropas na Alemanha, com uma decisão a ser tomada em breve", escreveu Trump na rede social Truth Social.
A ameaça ocorre num contexto de troca de farpas entre o presidente americano e o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, iniciada com a declaração de Merz de que os EUA estariam sendo humilhados pelo regime iraniano nas negociações de paz, nesta segunda-feira. Ele também disse faltar a Washington uma estratégia na guerra contra o Irã.
Os comentários irritaram Trump, que nesta terça-feira rebateu com contundência. Trump afirmou que Merz "acha ok o Irã ter armas nucleares", algo que o chefe de governo alemão jamais disse. "Ele não sabe do que está falando! Se o Irã tivesse uma arma nuclear, o mundo inteiro seria feito refém", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.
"Não é à toa que a Alemanha está indo tão mal, tanto economicamente quanto em outros aspectos!", acrescentou.
Segundo dados do Pentágono, os Estados Unidos contam com cerca de 35 mil militares da ativa em diversas bases na Alemanha, representando o maior contingente americano desse tipo na Europa.
Merz: "Parceria transatlântica confiável"
Diante disso, Merz disse, nesta quarta-feira, que sua relação pessoal com o presidente americano permanecia "inalterada e boa", mas reiterou sua posição sobre a guerra. "Eu simplesmente tive, desde o início, dúvidas sobre o que se começou com a guerra no Irã, e por isso também as expressei", disse.
Nesta quinta-feira, após a ameaça de redução de tropas, Merz sublinhou a importância da parceria entre os dois países. "Nestes tempos particularmente turbulentos, estamos seguindo uma bússola clara", disse Merz durante uma visita a um campo de treinamento militar. "Essa bússola permanece orientada para uma Otan unida e uma parceria transatlântica confiável."
Sem abordar diretamente os comentários de Trump, Merz fez alusão a uma cooperação "lado a lado para benefício mútuo e em profunda solidariedade transatlântica" e disse que seu governo "fez grandes esforços para fortalecer a segurança da Alemanha".
País com maior presença militar dos EUA
Trump criticou repetidamente os parceiros na Otan pela recusa em ajudar os EUA na guerra contra o Irã, que já dura dois meses.
Durante seu primeiro mandato na Casa Branca, ele tomou medidas para reduzir as tropas americanas na Alemanha, alegando que o país gastava muito pouco com defesa, mas elas não foram adiante.
Em junho de 2020, Trump anunciou que retiraria cerca de 9.500 dos aproximadamente 34.500 soldados americanos baseados na Alemanha, mas o processo nunca chegou a ser iniciado. O seu sucessor, o presidente Joe Biden, interrompeu formalmente a retirada logo após assumir o cargo, em 2021.
Os EUA possuem diversas instalações militares importantes na Alemanha, incluindo a sede do Comando Europeu dos EUA e do Comando Africano dos EUA, a Base Aérea de Ramstein e o Centro Médico Regional de Landstuhl, o maior hospital americano fora dos Estados Unidos e onde são tratados os feridos das guerras dos EUA em locais como o Afeganistão e o Iraque. A Alemanha é o país europeu com maior presença militar americana e abriga também armas nucleares dos EUA.
Por tudo isso, o especialista em segurança europeia Ed Arnold, do think tank Royal United Services Institute, em Londres, disse que ameaça de Trump é provavelmente mera "bravata", já que os EUA obtêm muitos benefícios de sua presença na Alemanha, como logística e apoio a operações de combate no Oriente Médio, e que é improvável que se retirem.
Até a recente troca de farpas, a relação entre o chanceler federal alemão e o presidente americano sempre foi boa. Merz sempre se considerou um dos poucos políticos com acesso direto a Trump e visitou a Casa Branca diversas vezes, com reuniões transcorrendo sem incidentes. Uma delas foi em março, poucos dias depois de os EUA e Israel iniciarem os bombardeios ao Irã.
as (AP, AFP, Reuters, Efe)
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