França tem novo dia de atos massivos e confrontos em várias cidades
Cerca de 410 mil pessoas foram às ruas na França contra a alta no custo de vida e por melhorias na educação pública. Apesar do caráter majoritariamente pacífico das marchas, confrontos ao fim do dia em Paris e outras cidades deixaram quase mil detidos, atribuídos pelas autoridades a grupos de ultraesquerda. A crise ampliou a pressão sobre o presidente Emmanuel Macron, exigindo um forte esquema de segurança com 70 mil policiais que levou ao fechamento preventivo de museus e comércios.
Segundo o governo, 410 mil pessoas participaram das manifestações, que transcorreram de forma majoritariamente pacífica. Distúrbios registrados após o encerramento das marchas resultaram em 964 detenções.Centenas de milhares de pessoas foram às ruas da França neste sábado (24) em protestos contra o aumento do custo de vida, a desigualdade social e a situação da educação pública. Embora a maior parte das manifestações tenha ocorrido de forma pacífica, confrontos entre manifestantes e policiais foram registrados ao fim do dia em Paris, Marseille e outras cidades do país.
O Ministério do Interior informou que cerca de 410 mil pessoas participaram dos atos em todo o território francês. Em Paris, principal foco das mobilizações, a polícia estimou a presença de 110 mil pessoas. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, disse que quase mil pessoas foram presas e atribuiu os episódios de violência a grupos da ultraesquerda.
Confrontos pelo país
Após o encerramento da marcha na capital, grupos encapuzados entraram em confronto com as forças de segurança. Policiais usaram gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar manifestantes que lançavam pedras e outros objetos. Segundo a Promotoria de Paris, 64 pessoas foram detidas, incluindo seis menores de idade. A maioria das prisões está relacionada à posse de armas ou à participação em grupos suspeitos de planejar atos violentos e depredações.
Em Marseille, jovens bloquearam ruas com estruturas metálicas e incendiaram lixeiras. Também houve confrontos em Lyon, Bordeaux e Grenoble, enquanto agentes utilizaram gás lacrimogêneo em cidades como Clermont-Ferrand, Lille, Nantes, Nice e Strasbourg.
Apesar dos episódios de violência, as autoridades consideraram a situação menos grave do que a registrada no fim de semana anterior, quando mais de meio milhão de pessoas participaram de protestos e cerca de 3 mil lojas foram danificadas ou saqueadas em diferentes regiões do país.
Em preparação para os atos deste sábado, o governo mobilizou 70 mil policiais, 10 mil a mais do que na semana anterior. Helicópteros, veículos blindados e canhões de água reforçaram o esquema de segurança.
O forte aparato de segurança transformou partes de Paris em uma espécie de cidade sitiada. Comerciantes protegeram vitrines com tapumes, mais de 20 estações de metrô foram fechadas e importantes instituições culturais, como o Museu do Louvre, o Museu d'Orsay, o Museu Picasso e a Ópera de Paris, suspenderam as atividades preventivamente. A feira internacional de arte Art Basel também cancelou sua programação do fim de semana.
As pautas do movimento
O movimento teve início no mês passado com protestos de estudantes contra a falta de professores em uma escola da região metropolitana de Paris. Desde então, a mobilização se ampliou e passou a reunir estudantes, trabalhadores e sindicatos em defesa de mais investimentos na educação, melhores salários e medidas para enfrentar o aumento do custo de vida.
Entre as reivindicações dos estudantes estão a criação de 250 mil vagas adicionais no ensino superior, o aumento do número de professores, reformas em escolas e universidades, a ampliação das bolsas estudantis e o congelamento dos aluguéis em residências estudantis públicas.
A crise representa um desafio para o presidente Emmanuel Macron nos últimos meses de seu mandato, que termina com a eleição presidencial prevista para maio do próximo ano. O governo tem defendido as restrições impostas a algumas manifestações como forma de proteger centros urbanos e comércios, mas sindicatos e partidos de esquerda acusam as autoridades de limitar o direito de protestar.
As mobilizações ultrapassaram as fronteiras francesas. Em Bruxelas, na Bélgica, houve confrontos entre manifestantes e policiais, que usaram gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Na Itália, protestos semelhantes ocorreram em diversas cidades pelo segundo fim de semana consecutivo.
gq (AFP, AP, REuters)
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