Flávio superou Lula em 4 dos 5 maiores colégios eleitorais: há espaço para mudança? O que dizem especialistas
Flávio Bolsonaro (PL) ficou numericamente à frente de Lula (PT) no 1º turno das eleições e, agora, eles seguem na disputa no 2º turno
Flávio Bolsonaro (PL) levou a maior parte dos votos em quatro dos cinco maiores colégios eleitorais brasileiros no primeiro turno das eleições para a Presidência da República: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu apenas um dos Estados chave: Bahia. Há espaço para mudança no segundo turno? Especialistas avaliam.
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Na disputa acirrada, veja como cada um dos dois foram votados nos cinco maiores colégios eleitorais brasileiros:
- São Paulo: Flávio com 51,93% (12.922.023 votos) e Lula com 38,20% (9.505.413 votos). O eleitorado apto no Estado é de 34.122.892.
- Minas Gerais: Flávio com 48,24% (5.777.548 votos) e Lula com 43,33% (5.188.936 votos). O eleitorado apto no Estado é de 16.372.372.
- Rio de Janeiro: Flávio com 53,01% (4.966.844 votos) e Lula com 39,41% (3.693.021 votos). O eleitorado apto no Estado é de 12.857.648.
- Bahia: Lula com 66,17% (5.664.771 votos) e Flávio com 28,53% (2.442.585 votos). O eleitorado apto no Estado é de 11.312.752.
- Paraná: Flávio com 59,91% (3.945.345 votos) e Lula com 31,20% (2.054.597 votos). O eleitorado apto no Estado é de 8.613.657.
Considerando a apuração completa das urnas, Flávio Bolsonaro ficou numericamente à frente de Lula no primeiro turno. Ele conquistou 47,03% do eleitorado (56.104.503 votos) enquanto Lula ficou com 45,16% (53.879.538 votos), com 100% das urnas apuradas. A diferença entre eles foi a menor registrada na história para o cargo desde a redemocratização.
Para o cientista político e professor da Uninter Lucas Massimo, a pequena diferença de votos entre os candidatos abre margem para mudanças no segundo turno -- principalmente por conta do alto registro de abstenções no Brasil. Nesse primeiro turno, mais de 33,4 milhões de brasileiros não foram votar, 21% do eleitorado. Esse foi o maior índice em quase 30 anos, desde 1998.
"Entre as abstenções do primeiro turno, não é possível afirmar que elas se distribuirão proporcionalmente para um ou para outro candidato. As pesquisas não são capazes de mensurar o voto de quem decide se abster. Então, há aqui um elemento de incerteza que pode fazer a diferença, pode ser decisivo para o resultado do segundo turno", avalia.
Em paralelo, ele pondera que o Flávio ter superado Lula nos maiores colégios eleitorais e também de a direita ter sido predominante eleita para o Congresso Nacional reflete um anseio de mudança com relação ao governo incumbente.
Cheiro da vitória
Raquel Alves, analista política na BMJ Consultoria, avalia que o impacto desse resultado dá o chamado “cheiro da vitória” para Flávio, enquanto gera um grande impacto para Lula. “Tem aquela tradição que diz que o que acontece em Minas acontece no Brasil. Então, é um impacto muito mais forte para o presidente Lula na campanha da reeleição e beneficia Flávio em um cenário onde ele aparece como favorito”, comenta.
Raquel explica que o cenário facilita articulações para o segundo turno de Flávio, que deve se aproximar mais do Centrão. “O Centrão gosta do ‘cheiro da vitória'. O Centrão gosta de estar ao lado daqueles que vão vencer. Então, há uma expectativa que partidos do Centrão fechem com Flávio”, avalia.
Lula ficará com a missão mais difícil na busca pela vitória: virar votos. Mas Flávio também ainda não está com o jogo ganho: é preciso que ele consiga manter sua base mobilizada enquanto se atente com a taxa de abstenção se quiser ganhar o segundo turno.
Força do incumbente
Luiz Domingos, cientista político e professor da Uninter, traz um outro cenário. Ele usa como exemplo os resultados nos principais colégios eleitorais da eleição passada, em 2022. Jair Bosonaro, que era o incumbente -- com mais recursos, instrumentos e ferramentas à disposição para auxiliar na virada de votos -- registrou crescimento. As variações foram de 3 a 7,5 pontos percentuais pelos Estados, aponta.
"O que o Lula tem a seu favor é uma melhoria de avaliação do seu governo, nas últimas semanas da campanha do primeiro turno, somado com a caixa de ferramentas disponíveis na presidência da República. Ajustes de programas sociais, uma série de decisões de políticas públicas que podem afetar na eleição", avalia Domingos.
Ele reconhece ser "praticamente impossível" que Paraná ou São Paulo dê uma vitória para o Lula. "Mas ele descontando 4, 5, 6 pontos nesses grandes colégios pode ser suficiente para ele ganhar a eleição. Mas, claro, eu estou mostrando as possibilidades. Se isso é fácil, é uma outra história. É bem difícil, porque do outro lado também tem gente se organizando para evitar que isso aconteça."


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