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Conheça a rival da Uber que repassa 80% a motoristas e fatura R$ 5 milhões

O faturamento da Te Levo Mobile é distribuído em 84% para os condutores e 16% para o caixa, segundo informações oficiais da empresa

9 out 2026 - 05h42
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Resumo
Fundada por Sérgio Brito após superar a situação de rua e a falta de suporte como motorista, a Te Levo Mobile desponta como rival da Uber e fatura R$ 5 milhões mensais. O principal diferencial da plataforma é repassar 84% do valor das corridas aos condutores, cobrando taxa de apenas 16%, além de oferecer benefícios como parcerias e espaços de descanso. Presente em 40 cidades de 14 estados, a empresa tem planos de expansão por franquias para mais 63 municípios.

Era uma noite de sono normal até o empresário Sérgio Brito acordar e não tirar um nome da cabeça: "Te Levo". Ao comentar com a esposa sobre este nome, ele não teve dúvidas, era como a empresa que concorre com a Uber, 99 e negócios locais de carro por aplicativo seria chamada.

Entre o sonho profético e o faturamento de R$ 5 milhões por mês da Te Levo Mobile, Brito passou por períodos que incluíram diversas transações de carreira e um episódio que o colocou em situação de rua.

O empresário conversou com o Jornal do Carro sobre a sua trajetória, ambições para o futuro e quais modelos de carros são mais utilizados por seus motoristas.

Nascido em Guaíra (SP), no dia 25 de janeiro de 1980, o fundador da Te Levo Mobile, Sérgio Brito, enfrentou alguns desafios durante a vida. Aos 4 anos de idade, mudou-se com os pais e mais seis irmãos para a cidade de Miguelópolis (SP). "O pai e a mãe nunca deixaram faltar comida, a gente não tinha o luxo, mas também não passava fome", indica Brito.

Por volta dos 20 anos, ele resolveu ir atrás de novas oportunidades de trabalho em Itamogi (cidade no sul de Minas Gerais). "Fui lá para trabalhar na colheita de café, mas tudo deu errado e eu não tinha dinheiro para me manter". Foi nesse período que Brito esteve em situação de rua por quase dois anos e perdeu o contato com a família.

"Algumas mídias falam que eu fui ex-morador de rua, mas eu mas eu não me considero, eu considero [que estive] em situação [de rua]. Sempre lutei para sair, para ter uma vida melhor". Nesse período, Sérgio Brito frequentava uma igreja evangélica local e o pastor ofereceu o porão de uma casa para ele ficar.

Até que um dia, uma ligação deu outro rumo a sua história. Do outro lado da linha, a mais de 100 km de distância, estava o pai de Brito, José Carlos, que no mesmo período ligava em todas as igrejas da mesma congregação em busca do filho. Nesse dia, o pastor informou que havia um rapaz na cidade com as mesmas características e o pai saiu de Miguelópolis para buscar o filho.

Motivação da fundação da Te Levo Mobile

Passados mais de 10 anos desse episódio, Sérgio Brito já tinha atuado como modelo, mudado de cidades, feito curso de gastronomia e atuado em um grande hotel na cidade de Araxá (MG), até que veio a pandemia e ele foi trabalhar como motorista de aplicativo por uma empresa local.

Em um dia de chuva, uma passageira pediu para ele abrir o vidro do carro. Ao explicar que molharia o banco e o carro era alugado, sugeriu devolver o valor da corrida e pediu para ela descer do veículo. "Quando ela desceu do carro, me deu um tapa na cara". Ao relatar o episódio à empresa, Brito diz que "o aplicativo considerou que eu estava errado. E me excluiu".

A partir desse episódio de violência, Brito passou a planejar o lançamento da própria plataforma de carros por aplicativo. "Eu comecei a ver que em Araxá tinham muitos motoristas que viviam naquela frustração também, sem apoio, sem suporte, e eu me projetei para o Brasil, que também tinha essa grande dificuldade".

Do planejamento ao faturamento de R$ 5 milhões

O começo do empreendedorismo de Brito foi como de muita gente pelo Brasil afora: estudava sozinho em uma rotina autodidata, após o trabalho independente como motorista. "Eu rodava das 8h da manhã até a meia-noite, da meia-noite às 4h, assistia vídeos no YouTube de como publicar no Instagram, fazer design, anúncio pago".

Em 16 de agosto de 2021, Sérgio Brito fundou a Te Levo Mobile e passou a investir cada vez mais em tecnologia, divulgação e parcerias. Após um período de divulgação boca a boca e na internet, ele investiu na terceirização do site com uma empresa do Rio de Janeiro.

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O faturamento atual de R$ 5 milhões mensais é distribuído entre os motoristas, que retêm 84% do valor pago pelos passageiros. O faturamento líquido para a empresa gira em torno de R$ 800 mil referentes aos 16% descontados por corrida. "O maior diferencial que uma empresa de transporte por aplicativo pode dar para o motorista é fazer com que ele fique com mais dinheiro no bolso. Enquanto existem plataformas que cobram 30%, 40%, a gente tem uma taxa sobre ele de 16%", indica Brito.

Carros mais utilizados

Os motoristas da Te Levo são cadastrados para rodar com seus próprios carros, ou veículos alugados para fazer as corridas por aplicativo. A sede da empresa fornece água, Wi-fi, um espaço de descanso e o uso do banheiro sem custos adicionais. Outro diferencial é investir em parcerias para favorecer os motoristas.

"A gente procura fazer parcerias com postos de combustíveis, auto-peças, lanchonetes. A gente cria um ecossistema onde ele, além de pagar uma taxa menor para a gente, quando for dar algum tipo de manutenção no carro, ou se alimentar, ele tenha descontos com os nossos parceiros".

Durante a entrevista ao Jornal do Carro, Sérgio Brito revelou que "os modelos que eles [os motoristas da Te Levo] mais gostam são: Virtus, Gol, Polo, HB20, Nivus e Onix". A empresa também possui opções de carros elétricos para transportar os passageiros e Brito indica que "os carros elétricos da BYD e da Geely estão sendo muito usados".

Atualmente, a Te Levo Mobile está presente em 40 cidades brasileiras, distribuída em 14 estados, como São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso, entre outros. Há um projeto de implantação em mais 63 cidades no modelo de franquia.

São sócio-administradores, ao lado de Sérgio Brito, Marcos Rufino da Silva e Mara Lorrane e a empresa é composta por 15 colaboradores.

Estadão
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