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Estados Unidos celebram 250 anos de independência com festas divididas e resgate histórico

Data que marca o fim do domínio britânico sobre as Treze Colônias tem programação em 2026 fragmentada por polarização política

4 jul 2026 - 09h05
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Os Estados Unidos comemoram neste sábado, 4, os 250 anos de sua independência. A data, que relembra a separação das Treze Colônias do domínio da Inglaterra em 1776, conta com uma série de eventos em todo o território americano, mas acontece em meio a um cenário de polarização política.

O vice-presidente dos EUA, JD Vance, durante evento que marca os 250 anos das Forças Armadas americanas na Estação Aérea Naval de Oceana, em Virginia Beach, Virgínia, em 1º de julho de 2026. Foto: via REUTERS - Ken Cedeno / RFI
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, durante evento que marca os 250 anos das Forças Armadas americanas na Estação Aérea Naval de Oceana, em Virginia Beach, Virgínia, em 1º de julho de 2026. Foto: via REUTERS - Ken Cedeno / RFI
Foto: via REUTERS - Ken Cedeno / RFI / TerrAI

Os planos originais da comissão America250 previam uma programação unificada, com desfiles e festivais culturais. No entanto, o formato sofreu alterações, resultando em dois eventos principais com perfis distintos.

Celebrações e divisões em 2026

Em Washington, o presidente Donald Trump participa de uma celebração no National Mall. Em Los Angeles, um comitê diferente organiza um evento com foco na diversidade cultural, reunindo artistas como Queen Latifah, Chris Stapleton e a banda Smashing Pumpkins.

A organização das festividades registra polêmicas. Na capital americana, artistas como Martina McBride e The Commodores cancelaram suas participações na Great American State Fair após descobrirem a ligação do evento com a Freedom 250, organização criada por Trump. Após as desistências, o presidente anunciou a realização de um comício no local.

Outras críticas envolvem a realização de um evento do UFC (Ultimate Fighting Championship) nos jardins da Casa Branca e a reforma de 14,7 milhões de dólares no espelho d'água do Memorial Lincoln. A obra incluiu a pintura do fundo do lago na cor azul, mas a tinta descascou em poucos dias e o local apresentou proliferação de algas. Trump atribuiu o problema a atos de sabotagem, sem apresentar provas.

Eventos pelo país

A programação inclui espetáculos de fogos de artifício. Em Washington, o Serviço Nacional de Parques promove um show de 40 minutos com mais de 860 mil fogos, com o objetivo de superar o recorde mundial estabelecido nas Filipinas em 2016.

Em Nova York, a queima de fogos da Macy's completa 50 anos, com lançamentos a partir da Ponte do Brooklyn, do East River e do Rio Hudson. A cidade também realiza a descida da bola de cristal na Times Square oito vezes ao longo de 24 horas, representando cada fuso horário dos Estados Unidos e de seus territórios. O porto nova-iorquino recebe ainda um desfile de veleiros históricos e embarcações militares.

Na Filadélfia, cidade considerada o berço da independência, autoridades enterram uma cápsula do tempo com contribuições dos 50 estados. O material permanecerá lacrado até o ano de 2276.

As causas da ruptura no século 18

A divisão política atual contrasta com o processo de unificação das Treze Colônias no século 18. A colonização britânica na América do Norte operava sob a lógica do mercantilismo, mas as colônias mantinham alto grau de autonomia e realizavam eleições locais.

A relação com a metrópole muda após a Guerra dos Sete Anos (1756-1763). A Inglaterra sai vitoriosa contra a França e a Espanha, mas enfrenta problemas nas finanças públicas. Além disso, a Revolução Industrial exige novas fontes de matérias-primas, e a Coroa passa a enxergar as colônias como base para alimentar sua indústria.

Para cobrir os custos de um exército permanente na América, avaliados em 400 mil libras anuais, a Inglaterra decreta uma série de impostos a partir da década de 1760. Entre as medidas estão a Lei do Açúcar, a Lei da Moeda, a Lei do Selo e a Lei da Hospedagem. O rei Jorge III também proíbe os colonos de ocuparem terras entre os Montes Apalaches e o Rio Mississippi.

Festa do Chá e Leis Intoleráveis

Os colonos passam a boicotar mercadorias inglesas sob o argumento de que a tributação é ilegítima sem representação no Parlamento em Londres. O estopim da revolta ocorre com a Lei do Chá. Em 16 de dezembro de 1773, cerca de 150 colonos disfarçados de indígenas invadem o porto de Boston e jogam 340 caixas de chá britânico ao mar, episódio conhecido como Festa do Chá de Boston.

A Inglaterra reage com as Leis Intoleráveis. O porto de Boston é fechado, o direito de reunião é suspenso e a colônia de Massachusetts é ocupada por tropas britânicas, que devem ser abrigadas e alimentadas pelos próprios colonos.

Os Congressos da Filadélfia e a Declaração

Em resposta, representantes de 12 colônias reúnem-se no Primeiro Congresso Continental da Filadélfia, em 5 de setembro de 1774. O grupo protesta contra as Leis Intoleráveis. A Coroa responde com o envio de mais soldados, o que resulta nos primeiros conflitos armados em 19 de abril de 1775, marcando o início da Guerra de Independência.

Durante o inverno de 1775 e 1776, a publicação do ensaio "Senso Comum", de Thomas Paine, impulsiona a causa revolucionária. No Segundo Congresso Continental, os colonos concluem que a manutenção do domínio inglês é inviável. Em 7 de junho de 1776, Richard Henry Lee apresenta uma moção pela independência.

Um comitê é formado para elaborar o documento. O advogado Thomas Jefferson redige a Declaração de Independência, com revisões de Benjamin Franklin e John Adams. O texto estabelece que todos os homens são criados iguais e possuem direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à busca pela felicidade. O Congresso aprova o documento em 2 de julho de 1776, mas a impressão ocorre no dia 4 de julho, data que passa a marcar o nascimento do país.

Guerra, reconhecimento e legado

A declaração não encerra o conflito. A população divide-se entre "patriotas", que apoiam a ruptura, e "lealistas", fiéis à Coroa britânica. Os colonos formam o Exército Continental e passam a receber apoio da França e da Espanha, que buscam recuperar territórios perdidos para os ingleses.

A vitória dos colonos americanos consolida-se após a Batalha de Yorktown, em 19 de outubro de 1781. A Inglaterra reconhece formalmente a independência com a assinatura do Tratado de Paris, em 3 de setembro de 1783. Com o acordo, a França recupera o Senegal e ilhas no Atlântico, enquanto a Espanha retoma Minorca e territórios na Flórida.

A independência dos Estados Unidos marca o início do declínio do domínio colonial inglês na América continental e consolida o republicanismo como alternativa política. Os ideais iluministas adotados pela nova nação servem de inspiração para outros movimentos emancipatórios, incluindo a instauração da República no Brasil, a partir de 1889. A celebração dos 250 anos conecta a memória histórica da fundação do país aos debates contemporâneos sobre identidade nacional e democracia.

TerrAI Texto gerado com ajuda de Inteligência Artificial e editado pelo nosso time de jornalistas.
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