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Estado de Nova York processa Weinstein e sua empresa

12 fev 2018
09h58
atualizado às 10h00
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Poderoso produtor de Holywood, acusado de assédio e agressão sexual por dezenas de mulheres, e sua companhia são alvo de ação judicial por não protegerem funcionários dos abusos e da discriminação.O estado de Nova York apresentou uma ação judicial contra o produtor de Hollywood Harvey Weinstein, seu irmão e a produtora que ambos dirigem por falharem em proteger empregados durante anos de suposta conduta sexual inadequada.

Harvey Weinstein, de 65 anos, foi acusado de assédio por uma série de atrizes famosas
Harvey Weinstein, de 65 anos, foi acusado de assédio por uma série de atrizes famosas
Foto: DW / Deutsche Welle

A ação federal de direitos civis foi interposta neste domingo (11/02), quatro meses após a carreira de Weinstein chegar ao fim em meio a uma série e acusações de abuso sexual, assédio e estupro, feitas por mais de cem mulheres, incluindo atrizes famosas, como Gwyneth Paltrow, Angelina Jolie e Uma Thurman.

"The Weinstein Company violou por diversas ocasiões a legislação de Nova York ao não proteger os seus empregados de um assédio sexual invasivo, das intimidações e da discriminação", afirmou o procurador-geral Eric Schneiderman.

Procuradores do estado afirmaram que a ação, resultado de uma investigação em curso, foi interposta por temores que a venda da The Weinstein Company, à beira da falência, pudesse deixar as vítimas sem uma reparação adequada. Agora, o processo judicial ameaça postergar a venda da empresa.

Em reação à ação, o advogado de Weinstein afirmou que seu cliente, de 65 anos, é um defensor do avanço da carreira das mulheres. "Ao final do inquérito, ficará claro que Harvey Weinstein promoveu mais mulheres a postos-chave executivos que qualquer outro líder da indústria, e que não houve discriminação alguma", disse.

Procuradores de Nova York acusam o conselho e executivos da empresa de não tomarem medidas adequadas para proteger seus funcionários ou conter o comportamento de Weinstein, apesar de uma série de reclamações ao departamento de recursos humanos.

Weinstein está sendo investigado pelas polícias dos EUA e do Reino Unido, mas ainda não foi acusado formalmente de nenhum crime. Ele nega ter tido relações sexuais não consensuais e estaria em tratamento por vício em sexo.

A ação de Nova York alega que assistentes foram requisitadas a facilitar a vida sexual de Weinstein como uma condição para manterem seus empregos e tinham cópias de um manual, conhecido como bíblia, que incluía instruções de como fazê-lo.

Os procuradores afirmaram que um funcionário voou de Londres a Nova York para ensinar as assistentes a se vestirem de maneira mais atraente para o produtor hollywoodiano. Além disso, motoristas de Weinstein em Los Angeles e Nova York teriam sido instruídos a terem sempre preservativos e injeções para disfunção erétil no carro.

As dezenas de agressões sexuais atribuídas a Weinstein, um dos produtores mais poderosos de Hollywood, foram reveladas primeiramente em reportagens do New York Times e da New Yorker, em outubro do ano passado, e desencadearam movimentos como o "Me too" e "Time's up". As denúncias abriram uma discussão internacional e obrigaram empresas a reverem suas políticas e líderes políticos a se manifestarem.

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